domingo, 15 de abril de 2012

« O ADAMASTOR DO ÁLCOOL »




« O MOSTRENGO DO BAR »

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 O mostrengo que está no fim do bar
Do canto de breu ergueu-se a cambalear
À roda da mesa rodou três vezes
Três vezes rodou a espumar
E disse: “Quem é que ousou tragar
As bebidas que eu encomendo
Para a minha goela sem fundo?”
E o homem ao balcão disse rangendo:
“Espere só mais um segundo!”
“Quem é que me põe neste alvoroço
Como é que emborco o meu almoço?”
Disse o mostrengo e rodou três vezes
Três vezes rodou sujo e ensosso,
“Quem vem beber onde eu me engrosso
Para que o álcool se desperdice
E eu me enferme moribundo?”
E o homem ao balcão rangeu e disse:
“ Espere só mais um segundo!”
Três vezes à garrafa as mãos prendeu
Três vezes da garrafa as desprendeu
E disse ao fim de ranger três vezes:
“Aqui ao balcão sou mais do que eu
Sou um cliente que quer o bar que é teu;
E mais que o mostrengo que a botelha espreme
E derrama um hálito nauseabundo
Mandam os fãs dos bolos com creme
Que consomem e zarpam num segundo!”





 Autora: Adelina Velho da Palma
 Inspirado no poema:
"O Mostrengo" de 
Fernando Pessoa


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