segunda-feira, 17 de junho de 2013

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O PONG MORREU

2013-06-14

(...) « PODES TER A CERTEZA QUE O GATO GOSTA DE MÚSICA... »

Era um gato cinzento. Morreu com o peso da idade. Ontem. Rodeado de carinho e das atenções de sempre.

... Inspirou-me para escrever o meu único conto publicado. Que serve de subtítulo deste texto. Uma história baseada numa realidade. Não são assim todas as histórias?

A realidade era que o Pong ficava extasiado a ouvir alguns tipos de música. Descobrimos isso ao repararmos como ficava imóvel e absorto quando, lá em casa, se ouvia ópera. 

E um dia cheguei a casa e a minha mulher disparou: Podes ter a certeza que o Pong gosta de música! 

Nunca o tínhamos visto assim: indiferente aos nossos gestos, aos chamamentos, aos pormenores de que os gatos gostam. Só por que cantava Maria Bethânia. E cada vez que dávamos vida ao CD ele assim ficava, preso no infinito.

A história faz dele um príncipe persa apaixonado por uma princesa grega. Coisa proibida. Mas não estarão os melhores sabores no que nos tentam vedar? O certo é que esse amor impossível se transformou numa tragédia. 
Artur, o Pong da história, é preso e levado para além do mar e, por fúria dos deuses, transformado em gato. Um dia consegue fugir da ilha perdida num barco igualmente sem rumo e, mais tarde, chegar ao sítio que hoje se chama Portugal.

Passaram milhares de anos e esse Artur acabou por encontrar um lar, em minha casa, quando se disfarçava de pequenino gato à procura de dono. Foi assim que o conhecemos. A crescer como um gato. A morrer como um gato. Mas a interferir na nossa vida como a lenda que só ele conhece. Partiu para outra jornada. A sonhar com a sua amada Ariadne. Ou a encontrar-se, finalmente, com ela. 

Tenho a certeza que se abraçarão (e)ternamente a ouvir música. As mais eternas árias. E Maria Bethânia, com toda a certeza.

Fernando Sousa Marques
2013-06-15

a) Partilhei esta história verdadeira, dum Mural do Facebook.

A Foto do gato, é a original que o dono inseriu no post.