domingo, 31 de julho de 2011

PERFIL HISTÓRICO DO SANTO PADRE CRUZ





FRANCISCO  RODRIGUES  DA  CRUZ
(1859 - 1948)
O Santo Padre Cruz



Apostólico sacerdote, conhecido em todo o país pelo simples nome de Padre Cruz, do Patriarcado de Lisboa e depois da Companhia de Jesus ( N. - Alcochete, 29.7.1859 - F. - Lisboa, 1.10.1948).

Foi no seu tempo o homem mais venerado em Portugal Continental e Insular, que, sobretudo nos últimos 25 anos da sua existência, percorreu sem descanso, a fim de pregar e assistir espiritualmente presos e doentes.

Bacharel formado em Teologia pela Universidade de Coimbra, foi professor de Filosofia no Seminário de Santarém e desempenhou depois o cargo de Reitor do Colégio dos Orfãos em Braga.

Praticava fielmente o que inculcava aos sacerdotes: «A nossa missão é confessar enquanto se apresentarem pecadores, pregar enquanto houver ouvintes, e rezar até já não se poder mais.»

Manteve e fomentou muito a piedade, converteu muitos pecadores. Da sua união contínua com Deus vinha-lhe uma convicção, que impressionava profundamente. Confessou e deu a primeira comunhão, em 1913, à Lúcia de Fátima, e em Junho ou Julho de 1917 rezou com ela e com  os outros dois pastorinhos o terço, dizendo-lhes que não temessem pois era N.ª  S.ª quem lhes aparecia.

No dia em que completou 80 anos, encontrava-se no Seminário dos Olivais com outros sacerdotes ali reunidos para Exercícios; o Cardeal D. Manuel Gonçalves Cerejeira ajudou-o à missa e no fim beijou-lhe as mãos com todos os sacerdotes presentes.

Em 3 de Dezembro de 1940, o Padre Cruz ingressou na Companhia de Jesus com especial autorização do Papa, proferindo os votos no Seminário da Costa, em Guimarães; continua, porém, a sua vida de missionário, percorrendo o país em apostolado constante.

O escritor Manuel Ribeiro traçou-lhe nitidamente o perfil, no capítulo VII do seu romance A Catedral

- «Padre Cruz era, de facto, uma extraordinária figura eclesiástica que se popularizara em Lisboa. Um autêntico  santo desgarrado no século... Dedicado a um labor apostólico de que fizera o móbil da sua vida, o incansável padre batia a cidade, calcorreava os bairros pobres, visitava os asilos, os manicómios, os hospitais e as prisões, onde a sua bolsa vertia sempre algum óbulo e o coração a palavra de amor fraterno que confrontava... Padre Cruz não lia jornais, nem falava em política, ignorava os regimes e os governos; sabia apenas que havia pobres, miseráveis desvalidos, bocas à míngua de pão, almas repletas de dores...  Alvo de mil solicitações, via-se a braços para acudir a tanto encargo. Mas o santo por todos pedia, por todos rezava ».

Em Abril de 1942 visitou a ilha da Madeira, a pedido do Prelado do Funchal.

O seu funeral foi verdadeira apoteose. Contam-se factos extraordinários dele, em vida e depois da morte. 

Em Fevereiro de 1949, começou a publicar-se, de dois em dois meses o Boletim Graças do Padre Cruz.

A 10 de Março de 1951, começou o processo informativo, em ordem à beatificação e canonização, finalmente entregue à sagrada Congregação dos ritos, em Roma, a 17 de Setembro de 1965.











Jazigo onde está sepultado
  Cemitério de Benfica 
 Lisboa









- Elementos baseados nos arquivos 
da Sociedade Histórica de Portugal
- Fotos: Google