quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

« RECORDANDO... GLENN MILLER »

 GLENN  MILLER
[músico]
 (1904 - 1944)




Imagem alegórica ao chamamento do combate ao nazismo

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VÍDEO CLIP: ORQUESTRA  de  GLENN  MILLER






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Compositor e trombonista americano, uma das mais notáveis figuras  da música popular, devido à intensidade da sua reputação póstuma.



Nasceu em Clarinda, Iowa, EUA, em 1 de Março de 1904 ;
morreu no Mar, entre Londres e Paris, em 16 de Dezembro de 1944.





Após ter estudado na Universidade de Colorado, em 1926 Miller transformara-se num trombetista profissional na banda de Ben Pollack. Por volta de 1930, já era um reconhecido músico independente de Nova Iorque.

Mais tarde transformou-se num organizador de orquestras ligeira masculinas, sobretudo das dos irmãos Dorsey, iniciada em 1934, e de Ray Noble, organizada em 1935. 

Depois de ter tentado  infrutiferamente formar a sua própria orquestra  em 1937, acabou por o conseguir no ano seguinte e em finais de 1939 era já um famoso director de orquestra ligeira.

Ingressou no exército americano durante a 2.ª Guerra Mundial, tendo-lhe sido dado o posto de capitão, sendo promovido mais tarde a major e a director da banda da força aérea dos Estados Unidos na Europa.

Ao voar de Inglaterra para Paris, desapareceu; não tendo os corpos nem os destroços dos ocupantes do avião em que viajava sido avistados ou recuperados.

Os triunfos de Miller nos salões de dança basearam-se em orquestrações doces executados meticulosamente. O som do saxofone de Miller, imediatamente reconhecível e muito copiado, baseava-se em princípios musicais muito simples, como foram todos os seus grandes sucessos, incluindo a sua própria composição, «Moonlight Serenade» que nasceu de um exercício que tinha escrito para Joseph Schillinger.

Os seus dois filmes realizados em Hollywood, «Sun Valley Serenade», de 1941, e «Orchestra Wives», no ano seguinte, não deixaram de contribuir para aumentar a sua reputação, mas o factor mais importante para a continuação do seu reconhecimento foi a saída, em 1953, do filme biográfico, um pouco aligeirado «The Glenn Miller Story».

Alguns críticos afirmam que o contributo do jazz para a música da sua orquestra foi insignificante, mas outros consideram que o seu som representa o paradigma da música popular do seu tempo.

Após a sua morte, e devido à sua grande popularidade, a orquestra foi mantida durante algum tempo pelo saxofonista Tex Beneke, tendo sido criada uma banda, conhecida como a «Orquestra de Glenn Miller», que continuou a tocar a música do seu primeiro director até aos anos oitenta do século XX.




Foto de Glenn Miller autografada


Helen, a esposa, durante 10 anos esperou que Glenn voltasse, nunca acreditando que o marido havia sumido e sempre pôs a mesa, esperando-o para as refeições.

Quando Miller partiu para guerra chegava a ganhar 2 milhões de dólares por mês, fora o fabuloso cachet que recebia para aparecer em filmes como “Quero casar Contigo” (1941) e “Serenata Azul” (1942)

Miller  foi recusado pelas Forças Armadas devido à idade (38 anos) e ao seu problema de visão, mas de tanto insistir, acabou por ser aceite pelo Exército.

Queria alistar-se para combater o Nazismo.




O Major Glenn

sábado, 12 de fevereiro de 2011

« ÓBIDOS ... A MECA DO CHOCOLATE »



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Festival Internacional de Chocolate - 17 de Março a 3 de Abril de 2011

Chocolate. Uma palavra mágica que em Óbidos assume um significado muito especial. O Festival Internacional de Chocolate de Óbidos, desde a primeira edição é o maior evento organizado pelo município.

Todos os anos cerca de 200 mil pessoas visitam o certame que tem vindo a subir a qualidade de oferta. Mais espaço, mais actividades, mais esculturas em chocolate…mas a mesma magia!


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Nos dias mais frios e cinzentos do ano, o chocolate é uma tentação difícil de resistir. Apesar de ainda faltarem alguns meses para o Verão, é importante não cair em abusos que possam comprometer a linha.

No fundo, os diferentes tipos de chocolate (de leite, preto, branco, em pó etc.) distinguem-se pela quantidade de pasta de cacau, açúcar, leite ou manteiga de cacau. Por exemplo, os chocolates amargos ou escuros possuem menos açúcar adicionado e têm teores mais elevados de pasta de cacau. Já o chocolate branco deve a sua cor ao facto de ser feito com manteiga de cacau (em vez de pasta), leite e açúcar. E o chocolate de leite, como o nome indica, é preparado com percentagens variáveis de leite, cacau e açúcar. A diversidade de receitas é enorme (tabletes, bombons, com café, caramelo, frutos secos ou recheios de fruta), o que faz variar os valores calóricos.

Mas há mais no chocolate para além do seu açúcar e gordura! O chocolate é rico numa série de substâncias que estimulam o nosso sistema nervoso. Teobromina e feniletilamina podem ser nomes complicados de pronunciar, mas a sua acção é bem conhecida. Estas substâncias estimulam a produção de serotonina, um neurotransmissor associado à sensação de prazer e bem-estar!

O chocolate também contém pequenas quantidades de cafeína e, numa altura em que tanto se fala de antioxidantes, há  que referir que o chocolate, sobretudo o amargo, tem um teor significativo de polifenóis.

Mas quando se fala em chocolate, fala-se sobretudo de «prazer», motivo mais que suficiente para fazer parte da nossa alimentação.

Os alimentos não são "bons" ou "maus" - a forma como os incluímos nos nossos hábitos é que pode ser mais ou menos adequada. Mais do que banir o chocolate, importa aprender a comê-lo. 

Não interessa que ande a contar as calorias ou que escolha certo tipo de chocolate apenas porque tem menos calorias.

É preferível escolher o seu chocolate preferido, mas ter atenção à quantidade ingerida e aos momentos em que o come!

Um quadradinho de vez em quando, dificilmente fará mal a alguém! Assim, aprender a introduzir esta delícia no contexto global da nossa alimentação é fundamental para qualquer apreciador poder  desfrutar o seu prazer... sem complexos de culpa!

A seguir, exponho dois vídeos, para quem gostar de chocolate e de conhecer terras com muita história. 

Trata-se, como o título indica, da Vila de Óbidos e o seu tradicional festival do chocolate. Achei bem, chamar-lhe, provisoriamente, a MECA do CHOCOLATE!

Os alertas, quanto aos excessos, estão narrados em cima. As belezas doces e arquitectónicas, estão em baixo:

BOM  APETITE.... E   BOA   VIAGEM.






quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

« JORGE VI DISCURSOU ASSIM ao POVO... EM 1939 »

 JORGE VI da GRÃ-BRETANHA
e
IRLANDA do NORTE
(1895 - 1952)




O Rei Jorge VI da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte sucumbe ao cancro. Segundo filho de Jorge V, Jorge VI subiu ao trono em 1936, quando o seu irmão mais velho, Eduardo VIII, abdicou voluntariamente para se casar com uma norte-americana divorciada, Wallis Simpson.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Jorge VI dedicou-se a elevar a moral britânica, visitando zonas destruídas pelos bombardeamentos e áreas afectadas pela guerra. 

Ele e sua mulher, Elizabeth, foram elogiados por permanecer durante a guerra no Palácio de Buckingham, apesar dos estragos causados pelas bombas, e apesar de um lugar escondido no campo lhes tivesse proporcionado muito mais segurança.

 Jorge VI realizou uma série muito importante de discursos na rádio para manter a moral elevada, para o que teve de superar um problema de dicção.

 A saúde do rei deteriorou-se em 1949, mas continuou com as suas obrigações de Estado até à morte, em 1952.

Herdou o trono a sua primeira filha, coroada como rainha Isabel II, a 2 de Junho de 1953.






Jorge VI e o Discurso




O Rei de Inglaterra que tinha medo do microfone

10.02.2011 - Sérgio C. Andrade


Chega hoje aos cinemas "O Discurso do Rei", o principal favorito aos Óscares. Conta um episódio pouco conhecido na história de Jorge VI, o rei gago que recorreu a um terapeuta da fala para se transformar na voz de que a Inglaterra precisava em tempo de guerra. Em Portugal há ainda alguma reserva em associar a política à terapia da voz e ao medo de falar em público. Saber o que dizer é importante, mas saber dizê-lo também.

Há uma cena n "O Discurso do Rei" em que Jorge VI assiste com a filha, Isabel, no Palácio de Buckingham, a um filme de actualidades com um discurso inflamado de Hitler, e ela lhe pergunta: "O que é que ele está a dizer?" O pai responde: "Não sei. Mas a verdade é que o diz muito bem!" Jorge VI (1895-1952), que chegara ao trono de Inglaterra em 1936, mal conseguia disfarçar a admiração pela capacidade que o ditador alemão tinha de falar e de entusiasmar a população através de uma bem encenada utilização da rádio e do cinema.
O filme de Tom Hooper - que hoje chega às salas portuguesas e, com 12 nomeações, se apresenta como o principal favorito na corrida aos Óscares de Hollywood - começa com a recriação de uma situação, em 1925, no encerramento da Exposição do Império Britânico em Wembley, em que o então ainda príncipe Albertoe duque de Windsor fora chamado a discursar. Nessa época, a radiodifusão começava a afirmar-se como um instrumento fundamental para o discurso político e a comunicação de massas. Mas Alberto era gago. E o microfone colocado à sua frente na tribuna de Wembley assume dimensões desconformes e funciona mais como barreira do que como mediador da sua comunicação com a multidão. Era um instrumento que lhe causava pavor.
A acção do filme de Tom Hooper vai desse momento até ao dia 3 de Setembro de 1939, quando Alberto, reinando já como Jorge VI, proferiu a partir do Palácio de Buckingham um pausado mas fluente discurso aos povos da Commonwealth a anunciar a entrada da Inglaterra na guerra contra a Alemanha nazi: "Nesta hora grave, talvez a mais difícil na História, dirijo esta mensagem a todos os meus povos, tanto em Inglaterra como além-mar (...), como se estivesse a entrar em casa de cada um e a falar-vos pessoalmente. Pela segunda vez nas vidas da maioria de nós, estamos em guerra (...)."
O que é que se passou entre o discurso falhado de 1925 e esta comunicação radiofónica pausada, grave mas convincente no ano de início da Segunda Guerra Mundial? O príncipe e segundo filho de Jorge V que, contra todas as expectativas (incluindo as suas próprias), viria a ser Rei, tornara-se a voz da nação e o porta-voz de cada um dos seus súbditos. Em grande parte, esta mudança ficou a dever-se a Lionel Logue, um obscuro actor e terapeuta autodidacta australiano radicado em Londres.
É sobre a relação entre estes dois homens (interpretados por Colin Firth e Geoffrey Rush, ambos candidatos ao Óscar) que incide O Discurso do Rei, numa história que não esquece também o papel de figuras como Lady Isabel Bowes-Lyon (Helena Bonham Carter), mulher de Alberto, futura rainha consorte e mãe de Isabel II; o irmão mais velho deste, Eduardo VIII (que, com menos de um ano de reinado, em 1936, haveria de se tornar no Rei mais breve, e talvez o menos querido, da história de Inglaterra); e o futuro primeiro-ministro e grande herói da vitória sobre a Alemanha, Winston Churchill.

Boa imagem pública

No filme, a gaguez do Rei é apresentada como o principal motivo da sua falta de confiança e do seu desinteresse relativamente ao trono. Todavia, Vasco Pulido Valente desvaloriza a importância desta deficiência no seu desempenho histórico. "Jorge VI foi muito popular desde o início, mas sobretudo a partir do começo da guerra", diz o historiador ao P2, referindo-se ao facto de tanto Jorge VI como a rainha terem recusado "fugir" para o Canadá, tendo feito questão de permanecer no seu palácio em Londres, sob os bombardeamentos da aviação alemã em 1940-41. Pulido Valente recorda a afirmação de Isabel, aquando do primeiro ataque dirigido a Buckingham: "Estou feliz por termos sido bombardeados - agora podemos olhar de frente os habitantes do East End."
A boa imagem pública que o casal real conquistou pela forma como decidiu enfrentar e partilhar com os londrinos as agruras da guerra contrastava com a má impressão deixada por Eduardo VIII. No filme de Tom Hooper,a sua abdicação do trono é justificada pelo romance com a plebeia norte-americana e divorciada Wallis Simpson, deixando em segundo plano a sua reconhecida simpatia pelo regime alemão que, aliás, "teve também expressão em vários quadrantes da aristocracia e do poder político britânicos, e que justificou a política de apaziguamento defendida praticamente até ao início da guerra", explica ao P2 o historiador Manuel Loff. 
 
Curiosamente, e também ao contrário da versão veiculada n"O Discurso do Rei, Winston Churchill, acrescenta este professor da Faculdade de Letras do Porto, foi um dos principais defensores da manutenção de Eduardo VIII no poder, "num momento da história britânica ainda pouco estudado".
A História com letra maiúscula é, pois, apenas o pano de fundo do enredo d"O Discurso do Rei, que põe a tónica na relação pouco convencional de Jorge VI com o seu terapeuta da fala, que durante anos foi tratada quase como um "segredo de Estado". À época, na sociedade britânica, a gaguez era vista como uma falha de carácter, mais grave ainda se afectava um membro da realeza. 
 
(Curiosamente, pela mesma altura, o Presidente norte-americano, Franklin D. Roosevelt, que padecia de poliomielite, usufruía da sua boa prestação aos microfones da rádio, mas "a sua deficiência era ocultada dos olhares do país", lembra o politólogo António Costa Pinto. Nesta altura a televisão não tinha ainda chegado à arena da política.)
O episódio dos tratamentos vocais de Jorge VI só agora chega ao grande público pelo cinema depois de cumprida uma exigência da rainha Isabel (1900-2002), que pediu ao escritor David Seidler - ele próprio também afectado pela gaguez na sua infância - que não escrevesse sobre o caso do marido antes da morte dela. "As memórias desses tempos são ainda muito dolorosas", respondeu a rainha-mãe, quando, no início da década de 80, foi contactada pelo argumentista anglo-americano.

A voz em política

Hoje, em Portugal, o recurso de políticos e outras figuras públicas a terapeutas da fala ou a professores de dicção é uma prática reconhecida, mas há ainda alguma reserva em falar disso. Não é o caso, por exemplo, de Maria João Seixas, actual directora da Cinemateca Portuguesa e reconhecida pela naturalidade com que lida com a sua gaguez. 
   
SEIXAS, que ainda não viu este "Discurso do Rei", admite que, durante muito tempo, e à imagem de Jorge VI, sentiu "algum mal-estar perante os microfones e o telefone". Já o mesmo não acontecia com as câmaras da televisão. Mas, para além da terapia que também fez, diz que o principal apoio para superar a gaguez que surgiu ainda na infânciafoi a forma como os pais a ajudaram a lidar com a situação. "Eles convenceram-me de que a gaguez me dava uma graça que as outras crianças não tinham", recorda.
A actriz Glória de Matos tem uma longa experiência de acompanhamento de políticos e de outras pessoas como professora de dicção. Os mais conhecidos são o actual Presidente da República, Cavaco Silva, e o fundador do PPD-PSD, Francisco Sá Carneiro. "Só falo dos dois, porque são situações que já vieram a público", diz ao P2 a actriz, que lamenta que entre nós não se consiga ainda abordar o assunto "com naturalidade". "Um dos problemas mais frequentes é o medo de enfrentar o público. E isso acontece tanto com os políticos, como com os actores e outros artistas", acrescenta, lembrando o caso de Amália Rodrigues, "que tremia sempre que tinha de subir ao palco, mesmo sabendo que iria ser recebida com uma grande ovação".
Com Cavaco Silva, a actriz trabalhou em dois períodos em meados dos anos 80, aquando da sua chegada à liderança do PSD e depois a primeiro-ministro. "O professor Cavaco Silva impressionou-me imenso pela sua capacidade de trabalho. Ele entrava na sala e tudo o resto deixava de existir, só lhe interessava o trabalho da voz e da dicção."
Ao anterior primeiro-ministro social-democrata Sá Carneiro, logo a seguir ao 25 de Abril de 1974, Glória de Matos ajudou principalmente a libertar-se da tensão e dos problemas na voz resultantes do grave acidente de viação que tinha sofrido. "Foram apenas duas semanas, mas muito intensivas. Pu-lo a fazer exercícios de relaxamento, e ele também levava o trabalho muito a sério."
A voz é o instrumento primordial do político - um verdadeiro instrumento de poder - e o seu domínio é indispensável à transmissão eficaz da mensagem. Manuel Alegre admite que as características da sua voz, trabalhada nos anos em que integrou o Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra (TEUC) com "o grande professor Paulo Quintela", o ajudaram na actividade política, iniciada nas assembleias gerais de estudantes. "Mas uma pessoa é um todo, e a oratória é um dom que está tanto ligado à voz como à língua", acrescenta o ex-candidato à Presidência da República, que cita o poeta irlandês William Butler Yeats ao dizer "um discurso prepara-se como um poema".
Já Adelino Gomes, jornalista com carreira na rádio, televisão e jornais, realça que, para além da voz e do domínio da técnica que é indispensável a qualquer comunicador - político, actor ou locutor -, o mais importante de tudo é "ter alguma coisa para dizer". E lembra o caso histórico de Vitorino Nemésio com o seu sempre muito apreciado programa de televisão. "Ele não tinha presença física, nem voz, nem performance a ajudar. Mas ultrapassava tudo isso pela riqueza e inteligência do que tinha para comunicar."
No caso do rei Jorge VI, não se tratava apenas daquilo que ele tinha para comunicar, mas de o poder fazer, com toda a carga simbólica que a voz do Rei assumia em Inglaterra, principalmente na era da rádio e em tempo de guerra. O jornalista do Telegraph Nigel Farndale recorda uma cena do filme autobiográfico de John Boorman, Esperança e Glória (1987), cuja acção decorre em Londres sob os bombardeamentos da Luftwaffe, em que uma família ouve, com atenção tensa, a mensagem de Natal do Rei. No final, alguém comenta que, se ele estava a recuperar da sua gaguez, também o povo inglês conseguiria vencer a guerra.

O Discurso do Rei chega hoje a 35 salas do país. Continuará a ser o filme de que se vai falar até à cerimónia de Hollywood, a 27 de Fevereiro. Será que Colin Firth vai gaguejar no palco do Kodak Theatre de Los Angeles, quando, como se prevê, aí subir para receber o Óscar de Melhor Actor?


In: ípsilon – Cinecartaz – de Sérgio C. Andrade





Clip apresentando o discurso do Rei Jorge VI em 1939


quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A OLIVENÇA de TODOS... no PÓS-GUERRA de 1801





 AS  PORTAS  DE  OLIVENÇA








Qualquer jornada pelo Alentejo, ou só pelo Alto Alentejo, deve ter uma incursão por Olivença. Trata-se pois, duma vila alentejana, apesar de anexada por Espanha em 1801, durante a Guerra das Laranjas.

A Olivença não se vai a Espanha. Refira-se que Espanha já não é, para um português, propriamente estrangeiro. Muito menos na Extremadura. Caíram as fronteiras, aproximaram-se os povos e reparou-se o quanto têm em comum.

As casas caiadas, o brasão de Portugal, as casas fidalgas com escudos de famílias portuguesas. O estilo manuelino, os azulejos e a talha das igrejas... o mármore de Estremoz e a calçada portuguesa. A ver também a ponte de Ajuda, em ruínas, do lado português e restaurada da parte espanhola.

Com mais de 200 anos de ocupação, há já nas ruas intromissões típicas do outro lado da fronteira, como os gradeamentos das janelas ou as persianas. Todavia, o tipicamente espanhol aroma a cigarros de marca "Ducados" por ali não se sente.

A língua portuguesa ainda se fala, mas por uma geração acima dos sessenta e cinco anos, embora nas escolas já se esteja a ensinar. Saudosismos nacionalistas à parte, a vila só por si é motivo de visita. É uma terra pequena, em que à pressa se vê num par de horas. Mas merece mais atenção e visita mais calma.

Às mesas, Portugal está bem presente. Os ensopados, as açordas, a confeção do porco, o borrego. Até a sobremesa que mais orgulha os oliventinos se faz de ovos, açúcar e amêndoa. Exótico só o nome: técula-mécula.





 Portugal e a defesa da neutralidade



Em princípios de 1801 Portugal considerava-se um país neutral, situação reconhecida internacionalmente desde 1782, quando D. Maria I assinou um tratado com a Rússia de Catarina a Grande, a fim de integrar a Liga Armada dos países neutrais do Norte da Europa, no decurso da Guerra da Independência Americana. Quando a França revolucionária declarou guerra à Grã-Bretanha e à Espanha, Portugal foi arrastado para o conflito por motivo do tratado de 1778 assinado com a Espanha, que obrigava as partes a ajudar a outra em caso de ataque por uma terceira potência. 

O governo espanhol solicitou em 29 de Janeiro de 1793 essa ajuda de Portugal - e obteve-a. A partir de então a França deixou de reconhecer o estatuto de neutralidade, afirmando que Portugal ao combater contra a República se tornara uma potência beligerante, e por isso em guerra.



 Dona Filipa de Vilhena armando seus filhos Cavaleiros



A posição de Portugal agravou-se com a assinatura da paz de 1795 entre a Espanha e a França, pelo Tratado de Basileia, e com a constituição da aliança ofensiva e defensiva entre essas duas potências, pelo Tratado de Santo Ildefonso de 18 de Agosto de 1796, e a declaração de guerra da Espanha ao Reino Unido, em Outubro seguinte. 

A aliança com a Espanha mantinha-se, mas Portugal assinara agora um tratado de aliança com a Grã-Bretanha. Mesmo sabendo-se que a aliança franco-espanhola era dirigida contra a Grã-Bretanha, Portugal encontrava-se, necessariamente, no meio da luta entre a Espanha e o Reino Unido. O país confrontava-se com um triplo problema: a França considerava-se inimiga, fazendo guerra de corso nos mares; aceitava discutir a paz sob mediação espanhola, mas continuava a exigir o fecho dos Portos portugueses aos britânicos, como condição prévia à assinatura de qualquer tratado, para além de querer a liberdade de navegação no rio Amazonas. Nesta situação, Portugal fora convertido em parte integrante dos planos de ataque franceses e espanhóis contra a Grã-Bretanha, ao contrário do que as duas potências sustentavam. 

Este era o problema a que a diplomacia portuguesa tinha de dar resposta. Era-lhe essencial manter a relação preferencial com a Grã-Bretanha, a fim de manter as rotas comerciais marítimas livres de perigo, e assegurar o mercado britânico para o vinho do Porto, o mais importante e valioso produto de exportação português, e que não tinha nenhum outro mercado importador de substituição. Estes constrangimentos impediam o país de ter uma política externa totalmente independente, e tornavam-no, aos olhos dos governos continentais, e sobretudo da França, uma potência submetida aos interesses estratégicos e comerciais britânicos. 

Qualquer das posições francesas e espanholas referidas era inaceitável para Lisboa. Não se considerava em guerra com a França, e defendia intransigentemente o estatuto de neutral, ao afirmar que participara na campanha do Rossilhão como potência auxiliar da Espanha, o que de acordo com as regras diplomáticas da época, não o tornava uma potência beligerante. Também não queria aceitar a mediação espanhola pois essa opção colocaria o país em situação de potência secundária, equivalente às monarquias italianas, por exemplo, sendo que desde D. João V, com a outorga pelo papa do título de Rei Fidelíssimo, Portugal tinha ganho o direito a um estatuto de igualdade com as principais potências europeias. Finalmente, o fecho dos Portos poderia ser considerado pela Grã-Bretanha como uma quebra da aliança, um acto pouco amistoso ou mesmo uma declaração de guerra, sendo qualquer das situações inaceitáveis para os interesses portugueses. De facto, o governo de D. João queria manter-se equidistante nas guerras europeias, mas sobretudo entre as duas potências que lhe estavam mais próximas. Era um caminho difícil de seguir, necessitando, como necessitou, de avanços e recuos, mudanças rápidas de estratégia, tudo em defesa das posições que eram vistas como essenciais ao interesse nacional. 

Até 1801, a situação diplomática com a França nunca foi resolvida, já que o tratado assinado em 1797, em Paris, por António Araújo de Azevedo, finalizando as conversações entre Portugal e França, com o conhecimento da Grã-Bretanha, sem o consentimento da qual não se podia ratificar nenhum tratado de paz, de acordo com o Tratado de Aliança de 1793, não foi ratificado pela Coroa portuguesa. Assim, manteve-se a situação de guerra não declarada, continuando Portugal sob o espectro de uma declaração formal de guerra por parte da Espanha e da França. 

Portugal aguardara uma invasão do seu território em 1796 e depois em 1797, tendo então concentrado uma parte do exército na Azambuja, preparando-o para a guerra. Contudo, a derrota da frota espanhola em Fevereiro em frente ao Cabo de São Vicente, a chegada de um corpo de tropas britânico a Lisboa, e a assinatura do Tratado de Paris, levou a Espanha a adiar a decisão de atacar o vizinho, como lhe exigia a França republicana. Em 1798, Portugal preparou-se novamente para a guerra pensando que a frota francesa concentrada em Toulon se pudesse dirigir para a Europa. A expedição de Bonaparte dirigiu-se, afinal, para o Egipto, e a destruição da frota por Nelson na baía de Aboukir, afastou o perigo. Por isso, quando em 1799 e 1800, as potências europeias unidas pela segunda coligação expulsaram os exércitos franceses da Alemanha e de Itália e obrigaram-nos a recuar quase até às fronteiras de 1789, Portugal teve a esperança de uma solução rápida da guerra, que evitasse a sua participação efectiva. 

Nada de mais enganador. No princípio do Outono de 1799, os exércitos franceses conseguiram deter o avanço dos aliados, e nalguns teatros de operações conseguiram mesmo contra-atacar. Com a tomada do poder pelo general Bonaparte, por meio do golpe de Estado de Brumário, em Novembro de 1799, o governo francês passou a ter uma capacidade de actuação muito maior, e uma estratégia única e clara para repor o domínio da França sobre o Continente europeu. 

Parecendo não perceber os planos do novo governo de França, Portugal desmobilizou, no princípio de 1800, uma parte significativa do Exército, em armas desde 1796, tentando diminuir os custos financeiros da mobilização, mas também resolver a falta de mão-de-obra na agricultura, causada pelo recrutamento excessivo para o Exército e para a Marinha de Guerra, ao longo da última década do século XVIII. Este erro de análise, que parece mostrar uma certa dificuldade do governo português da altura em fazer prospectiva, baseado possivelmente na falta de capacidade de alguns dos seus embaixadores em informarem convenientemente o governo das modificações políticas acontecidas nos países onde residiam, pode ter tido consequências graves para o futuro da participação britânica numa campanha na Península, já que parece ter mostrado ao governo de Londres uma certa facilidade do governo do príncipe regente em desistir de preparativos para uma possível guerra, quando existia uma importante força expedicionária britânica em Portugal. 

Mas, nesse ano de 1800, Portugal mantinha a única política possível para uma potência europeia menor: esperava para ver. Sabia que uma solução da guerra no centro da Europa favorável à França possibilitaria o envio de tropas para o extremo ocidental do Continente. Mas não tinha nenhuma possibilidade real de mudar o curso dos acontecimentos. A única coisa que o governo português podia fazer era tentar manter o interesse da Grã-Bretanha na defesa de Portugal, e tentar fazer perceber ao governo espanhol, que uma guerra na península Ibérica, com apoio de forças francesas, não era do interesse espanhol, porque não traria qualquer entendimento entre a Espanha e a Grã-Bretanha. 

Infelizmente, Portugal não conseguiu manter a colaboração da Grã-Bretanha. Devido à posição de D. João de Bragança, duque de Lafões, e do "partido aristocrático" que o rodeava, afastou as forças britânicas estacionadas em Lisboa desde 1797. Os regimentos britânicos, que só podiam servir na Europa, que tinham participado em campanhas no Mediterrâneo e em Cádis, mas regressado em Outubro de 1800 sob o comando de sir Charles Murray Pulteney, não puderam desembarcar tendo saído de Lisboa em Dezembro de 1800, mantendo-se somente os regimentos de emigrados franceses. A política do duque de Lafões de recusar um comando britânico das forças conjuntas, que o subalternizariam; a sua oposição à guarnição de praças costeiras por tropas britânicas, as de Lisboa mas também as do Algarve; a sua resistência à mobilização e preparação do exército para a guerra, impediu uma preparação conjunta para o conflito. Actuação de que o gabinete de Londres era informado regularmente pelo general Charles Stuart, comandante britânico em Portugal até meados de 1800,  e depois pelo seu agente diplomático. 

A situação é bem resumida pela frase atribuída ao marechal general, escrita por Pinheiro Chagas na sua História de Portugal, quando numa suposta carta ao general marquês de Solana, comandante da Divisão de Vanguarda do Exército espanhol que invadiu o Alentejo em 1801, escreveu: "porque nos havemos de bater? Portugal e Espanha são duas bestas de carga. A Inglaterra nos excita a nós, e a França vos aguilhoa a vós. Agitemos e toquemos pois as nossas sinetas; mas, por amor de Deus, não nos façamos mal algum. Muito se ririam em tal caso à nossa custa." 

A saída das tropas britânicas de Portugal foi considerada importante para manter a neutralidade portuguesa, esperando-se que afastasse o espectro da guerra imediata, mas foi uma vitória de Pirro do duque de Lafões. Ascendeu à direcção do ministério em Janeiro de 1801, e nomeado ministro-adjunto ao despacho, mordomo-mor da Casa Real e secretário de Estado da Guerra, acabou por afastar desta repartição o seu principal inimigo político, Luís Pinto de Sousa, o mais claro representante da tradição pombalina no governo português desde 1788. A Espanha e a França notaram a quebra de solidariedade entre as duas potências marítimas e aproveitaram-na para tentar separar de vez Portugal da Grã-Bretanha, obrigando Portugal a aceitar o fecho dos Portos aos ingleses e a paridade entre as várias marinhas de guerra europeias, e visando mesmo uma guerra terrestre. 

A ameaça de invasão agravou-se em princípios de 1801, com a saída dos embaixadores espanhol e francês de Lisboa em 19 de Fevereiro, e culminou com a declaração de guerra em 28 de Fevereiro. Devido à demora entre a declaração de guerra e o ataque a Portugal, só acontecido em finais de Maio, o duque de Lafões pensou que a Espanha não estava interessada nesta guerra. Nada de mais enganoso, desta vez! Ao demorar o ataque, a Espanha pretendia obter mais concessões francesas e tentava abrir negociações directas com o novo governo britânico de Addington, que acabava de subir ao poder em Março. Quando obteve as concessões de Paris que pretendia, e viu recusadas as negociações directas com Londres, atacou. Nesse dia fatídico, 20 de Maio de 1801, a posição política do duque, baseada na possibilidade de se conseguir manter a paz, entrou em rápido declínio. 

Mas o desfecho da participação de Portugal nas guerras da revolução francesa, que precederam as guerras do império, deu-se de uma forma menos negativa que em muitos outros países. Como dirá Rodrigo de Sousa Coutinho mais tarde, Portugal foi o país que tendo perdido menos na Europa, exceptuando a Grã-Bretanha, conseguiu realizar os seus objectivos no Brasil, conquistando vastos territórios a sul e a ocidente.