domingo, 26 de dezembro de 2010

« OS TRÊS REIS MAGOS VÊM A CAMINHO... »

Belchior, Baltasar e Gaspar



OLAVO  BILAC

[nasceu em 16 de Dezembro de 1865  e  morreu em 28 de Dezembro de 1918]


Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac, foi Jornalista e Poeta brasileiro, além de membro fundador 
da 
Academia Brasileira de Letras

>o<




 Poema de Olavo Bilac


    
Os Reis Magos






Diz a Sagrada Escritura
Que, quando Jesus nasceu,
No céu, fulgurante e pura,
Uma estrela apareceu.
Estrela nova ... Brilhava
Mais do que as outras; porém
Caminhava, caminhava
Para os lados de Belém.
Avistando-a, os três Reis Magos
Disseram: “Nasceu Jesus!”
Olharam-na com afagos,
Seguiram a sua luz.
E foram andando, andando,
Dia e noite a caminhar;
Viam a estrela brilhando,
sempre o caminho a indicar.
Ora, dos três caminhantes,
Dois eram brancos: o sol
Não lhes tisnara os semblantes
Tão claros como o arrebol
Era o terceiro somente
Escuro de fazer dó ...
Os outros iam na frente;
Ele ia afastado e só.
Nascera assim negro, e tinha
A cor da noite na tez :
Por isso tão triste vinha ...
Era o mais feio dos três !
Andaram. E, um belo dia,
Da jornada o fim chegou;
E, sobre uma estrebaria,
A estrela errante parou.
E os Magos viram que, ao fundo
Do presépio, vendo-os vir,
O Salvador deste mundo
Estava, lindo, a sorrir
Ajoelharam-se, rezaram
Humildes, postos no chão;
E ao Deus-Menino beijaram
A alva e pequenina mão.
E Jesus os contemplava
A todos com o mesmo amor,
Porque, olhando-os, não olhava
A diferença da cor ...


Fotos in: Net

domingo, 19 de dezembro de 2010

« NATAL EM PESSOA... COM POESIA DE CHUVA »



CHOVE. É DIA DE NATAL.

Por falar em Natal, e em Poesia....
Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.
E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.
Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.
Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.

(Fernando Pessoa)








Análise do poema "Chove. É Dia De Natal"



Poema datado de 25/12/1930, por isso poema tardio, o poema "Chove" é um poema ortónimo de Fernando Pessoa, ou seja, escrito em seu próprio nome e não usando o nome de um dos heterónimos.

No final do ano de 1920, Fernando Pessoa atravessa uma crise mental pronunciada. Em Novembro quebra a sua relação com Ophélia Queiroz, justificando-se por carta e dizendo que o seu destino pertence a "outra Lei", "subordinado (...) à obediência a Mestres que não permitem nem perdoam".

O poema "Chove" é um pequeno poema, que mistura a simplicidade da sua estrutura (4 estrofes cada uma com 4 versos), com uma subtil ironia e humor negro que são marcas indeléveis da obra ortónima do poeta.

De facto este poema não é sobre a chuva, como se poderia pensar pelo título. Quanto a mim o poema é sobre o Natal, ou melhor, sobre a celebração do Natal. Lembra instantaneamente Álvaro de Campos, no poema "Aniversário", onde Campos se lamenta de estar sozinho - quando era menino todos se juntavam para a comemoração, mas agora quando ele é adulto ninguém está ao pé dele, ele está sozinho "como um fósforo frio".

Por viver sozinho durante quase toda a sua vida, Fernando Pessoa sente como poucos o sofrimento da separação, pois aliada a esta vida de solitário vinha a sua extrema sensibilidade de poeta e o seu pensamento claro e racional de homem inteligente.

Mas analisemos o poema estrofe a estrofe.


“Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que é ainda pior.”

- conseguimos imaginar Pessoa à sua janela a ver a chuva cair, no frio de Dezembro. Mas há um frio ainda maior no seu coração. Veja-se que ele fala de como no Norte é melhor do que onde ele está, porque há "neve que faz mal / e o frio é ainda pior". Parece paradoxal dizer isto, mas vai perceber-se na estrofe seguinte porque Fernando Pessoa faz esta comparação.


"E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar."

- Toda a gente é contente, eis porque Pessoa inveja as celebrações a Norte, celebrações longe, de aldeia, onde todos se reúnem no dia feliz, no dia de Natal. Ficam felizes "porque é dia de o ficar" - a ironia de Pessoa é amarga, porque se por um lado ele identifica a felicidade algo falsa, porque só celebrada no Natal, ele inveja não a ter para si mesmo.


"Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não."


- O frio não lhe traz o Natal, o tal Natal de convenção, o Natal que se imagina sempre, com a neve e o frio. O seu corpo arrefece, mas não lhe traz o Natal. A imagem é forte e impressiona. Ele sente o frio do Inverno, sente o frio da chuva, mas dentro dele não é Natal - falta-lhe a felicidade desse dia, a companhia de alguém ou razão para o celebrar.

"Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés."

- a conclusão, rápida e cheia de humor, disfarça o mau estar do poeta perante este tema. Metaforicamente ele sente tanto o frio ao escrever - o frio em si mesmo - que tem de parar de fazer quadras, para não ficar "gelado dos pés". É este humor um humor negro típico de Pessoa - uma ironia tão própria e que nos é indicada como característica dele pelos seus amigos próximos. Talvez ainda influência de um humor britânico que ele apanhou nos seus tempos em Durban.

Seja como for, entre ironia e humor negro, o tema do poema não nos pode deixar indiferente. "Chove" é irmão mais simples de "Aniversário" de Campos e como este último poema, o primeiro fala de solidão e de frio, mas frio interior, intempérie da alma e não da Natureza. É Pessoa ao frio, deslocado, sozinho, em sofrimento."

Ps: pode ler uma análise estilística deste poema no seguinte link:

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

« HOMENAGEM A CARLOS PINTO COELHO »

 O B I T U Á R I O

Carlos Pinto Coelho
(1944 - 2010)
JORNALISTA


 

 Homenageado pelo Estado francês em 19-03-2010
"Oficial da Ordem das Artes e das Letras"




O jornalista Carlos Pinto Coelho morreu, ontem, aos 66 anos, em Lisboa, na sequência de uma intervenção cirúrgica à aorta no Hospital Santa Marta para onde foi transferido depois de ter sido internado de urgência no Hospital de São José, segundo a agência Lusa.

Gostava que lhe chamassem “o senhor Acontece”, considerava ser essa “uma forma gentilíssima” de lembrar os nove anos, em que diariamente, acabava o magazine cultural que teve na RTP2, de 1994 a 2003, com a célebre frase: “E assim, Acontece”. O programa foi cancelado pela direcção de José Rodrigues dos Santos.

Carlos Pinto Coelho ficou conhecido pela intervenção na área do jornalismo cultural, mas teve uma carreira abrangente. Começou a sua carreira jornalística no “Diário de Notícias”, como estagiário, em 1968, depois de ter abandonado o curso de Direito no último ano e de ter chumbado na oral de Direito das sucessões.

Além de repórter deste jornal, Carlos Pinto Coelho foi um dos fundadores do diário “Jornal Novo”, foi redactor da Agência de Notícias portuguesa ANI, director executivo da revista “Mais”.


Na rádio foi locutor das estações TSF, Rádio Comercial, Antena1 e Teledifusão de Macau. Na televisão foi chefe de redacção do Informação/2, da RTP2, director de Cooperação e Relações Internacionais, director-adjunto de Informação e director de programas da RTP durante quatro anos.

Na opinião de Joaquim Vieira, que com ele trabalhou, o que mais o distinguiu foi a projecção que deu à cultura. “Era a menina dos olhos dele. E sempre acreditou que viesse alguém que o chamasse a fazer de novo o “Acontece”. É curioso, há hoje na RTP2 uma tentativa de fazer um “Acontece”, o “Câmara Clara”, sem ser um “Acontece”. É o reconhecimento de que o programa fazia sentido e havia necessidade dele. É uma homenagem indirecta a ele”, acrescenta o jornalista Joaquim Vieira.

Pelo programa “Acontece” – que chegou a ser o mais antigo jornal cultural da Europa e acabou depois de uma polémica com o ministro Morais Sarmento que afirmou que seria mais compensador oferecer uma volta ao Mundo a cada espectador - recebeu o Prémio Bordalo e o Prémio do Clube de Jornalismo.
 
Foi condecorado com o Grau da comenda da Ordem do Infante D. Henrique por Jorge Sampaio, em 2000, e era oficial da Ordem das Artes e das Letras de França (2009).

Carlos Pinto Coelho nasceu em Lisboa mas viveu em Lourenço Marques (agora Maputo, Moçambique) até aos 19 anos, altura em que regressou a Portugal. Daí vinha certamente o seu grande interesse pela África lusófona (teve um programa que se chamava “Em Português nos Entendemos”).
Outra das suas paixões era a fotografia. Começou a expor em 1992 e ao longo da vida lançou vários livros de fotografia “A Meu Ver” (editora Pegasus, 1992), foi co-autor “Do Tamanho do Mundo” (Ataegina/1998), publicou “De tanto Olhar, fotografias e textos seus e com um prefácio de Lídia Jorge na editora Campo das Letras.
E “Assim Acontece - 30 Entrevistas Sobre Tudo... E o Resto”, livro publicado em 2007.
                                                                                                                                                                       


segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

« HOMENAGEM A UM CAMARADA DO AR »

Antigo avião T - 6 [Harvard] da F.A.P.
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(O meu segundo avião de Escola)

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Brevet militar
da
Força Aérea Portuguesa


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Cores de fuselagem escolhidas para celebrar o cinquentenário da F.A.P.
(a mesma cor do avião de GARY MILLER - o malogrado Piloto Aviador - abaixo na foto)


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PILOTO AVIADOR GARY MILLER
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Falecido em acidente aéreo a 9/7/2009
no Colorado
a
bordo de um T-6
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[Pormenores... no texto em baixo]


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.Aqui e em baixo, imagens do desatre

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«Witnesses told the Elbert County Sheriff's Office that the plane was performing acrobatics when it began to spiral down and was unable to recover. Witnesses say it plunged directly into the ground and immediately burst into flames, said Elbert County Investigator Mark Wilson.

"The plane's attitude on the ground is flat, something the NTSB will be looking at as they conduct their investigation into the cause of this accident" said 7NEWS aviation analyst Steve Cowell.

"The plane, a North American T6, was used to train pilots primarily for World War II aerial combat.

More than 17,000, in all their variants, were built during the war years and shortly afterwards. It was an advanced trainer for pilots who were perfecting their aerial combat maneuvering skills."

Cowell, who knew Miller, said the pilot had performed in air shows for the last two years and flown at the Reno Air Races each year for the last several years.

Miller was head of an organization for enthusiasts of classic and World War II planes called AirPower West.

That particular plane was originally brought to Colorado in 1999 after being utilized by the South African Air Force. Miller was its second local owner.

Miller was a former developer who turned to flying for a local company to earn a living.

Investigators with the National Transportation Safety Board and Federal Aviation Administration are investigating. »

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Foto do avião acidentado


.O Vídeo YouTube abaixo apresentado, mostra os desenvolvimentos acrobáticos do piloto aviador americano GARY MILLER, um dos mais extraordinários pilotos do mundo.
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Pereceu, em acidente aéreo, durante os treinos, no dia 9 de Julho de 2009, perto de sua casa, no Colorado.
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A excelente versatibilidade do aparelho - pese embora a sua idade -, permite realizar manobras acrobáticas quase inconcebíveis!
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O característico 'roncar' do motor, é um som único que aquece a alma de qualquer pessoa apaixonada pela aeronáutica.

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VÍDEO YOUTUBE, COM ACROBACIA AÉREA EM AVIÃO T-6, EXECUTADA PELO PILOTO GARY MILLER
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