domingo, 31 de outubro de 2010

« ESTÁ na HORA LEGAL de ACERTAR os RELÓGIOS »

.Nesta madrugada, os relógios vão recuar 60 minutos quando forem duas da manhã em Portugal continental e Madeira e uma da manhã nos Açores. Este recuo nos ponteiros dos relógios acontece sobretudo por razões civis, uma vez que, do ponto de vista astronómico, apenas faria sentido uma correcção de 37 minutos, porque a hora do meridiano de Greenwich está desfasada 37 minutos em relação à hora solar.


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JÚLIO VERNE
autor da maravilhosa obra
"A Volta ao Mundo em 80 Dias"


.Este autor, através do belo romance A volta ao Mundo em 80 Dias, explica-nos a importância de respeitar a hora legal, através da aventura da sua personagem, Phileas Fogg, que num clube de Londres apostou que daria a volta ao mundo em 80 dias. O resultado foi que Fogg ganhou a aposta ao regressar ao clube, embora estivesse certo de ter demorado um dia a mais. Fogg avançou, de Londres em direcção leste. Cada vez que passava um meridiano horário, adiantava o seu relógio. Mas esqueceu-se de actualizar a data no dia em que atravessou a linha de mudança de data.
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Havia ganho o total das 24 horas que deviam ser adiantadas no relógio, ao dar a volta no sentido oeste-leste. Se, nessa direcção, cruza-se a linha de mudança de data a 8 de Maio, às 22 horas do fuso anterior, e o relógio devia ser posto nas 23 horas do dia 7.
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Phileas Fogg tinha «perdido» uma hora, mas havia «ganho» um dia. E ganhou o dia, na medida em que venceu a aposta, quando calculava que a tinha perdido!

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Capa de uma Edição
do livro
«A Volta ao Mundo em 80 Dias»

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Um dos muitos modelos artísticos de relógios de sol


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Relíquia arqueológica de relógio de sol
datado de 600 A.C.



.Há vários séculos que o Homem se esforça por encontrar instrumentos que o ajudem a medir o tempo. Fá-lo porque precisa de organizar-se e dividir o tempo, mas essa nem sempre foi uma tarefa fácil. Se bem que actualmente saber as horas, os minutos e até os milésimos de segundo é algo que está ao alcance de qualquer pessoa, a verdade é que nem sempre foi assim.
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O relógio de sol foi o primeiro instrumento inventado com o objectivo de medir o tempo. Não há dados concretos quanto à data desta invenção, mas sabe-se que foi entre 5000 e 3500 A.C.. A invenção passava por colocar um mastro no solo, num local onde o sol incidisse. Era desenhado um círculo à volta e a movimentação do sol reflectia-se projetando a sombra do mastro no chão, fazendo desta forma a divisão do dia. Como é natural, esta primeira invenção mostrou-se insuficiente para os propósitos do Homem, especialmente porque só permitia contabilizar o tempo durante o dia solar. Por isso, a busca por uma opção que permitisse medir e dividir o tempo, mesmo durante a noite, manteve-se.
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Mais tarde surgiu então o relógio de água, que consistia em colocar dois recipientes marcados com escalas uniformes de tempo, permitindo que a água escoasse através de gotas de um para o outro. Quase em simultâneo surgiu a ampulheta, o relógio de areia.

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Abstração de uma ampulheta
que todos sabem
conter areia no interior



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.Calcula-se que a ampulheta tenha sido inventada por um monge durante o século VIII, embora só existam referências ao relógio de areia em documentos do século XIV. A peça era constituída por duas âmbulas (pequenos vasos de gargalo estreito), bojo largo e fundo redondo, que permitiam que a areia passasse de uma para a outra através de um pequeno orifício. E se inicialmente estes reservatórios eram de cerâmica, durante os séculos seguintes, mais concretamente até ao século XVIII, as âmbulas eram fabricadas separadamente, pelo que era necessário colocar uma peça metálica entre os gargalos de ambas. Esta peça possuía um orifício calibrado que permitia a passagem da areia. Posteriormente, as ampulhetas passaram a ser uma só peça e em vez de cerâmica o material usado passou a ser o vidro, sendo o formato que se mantém actualmente.

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.Outra "expressão artística" da ampulheta



.O bom funcionamento da ampulheta dependia de vários factores. No caso do orifício de passagem da areia, se bem que sendo calibrado garantia algum rigor, era sabido que este se ia desgastando com a passagem da areia.
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Por outro lado, as alterações de temperatura podiam influenciar a passagem da areia, pelo que a ampulheta era colocada em locais menos propensos a mudanças de temperatura.
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Porém havia outros factores que influenciavam a medição do tempo com o relógio de areia. Na realidade, os esquecimentos e os adiantamentos eram frequentes. Era comum que as pessoas encarregues de manusear a ampulheta se antecipassem, virando o relógio de areia antes desta estar toda do mesmo lado, ou que se esquecessem de o fazer.
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O autor do blogue, não sendo uma personagem 'pré-histórica' ou Matusalém, na época da sua vida académica 'enfrentou' estes aparelhos de medida do tempo em muitas provas orais de exames. Numa delas, já a areia estava toda há que tempos no fundo, e o Professor examinador entusiasmado, não parava de puxar por matérias que se encadeavam como cerejas! Tivesse falhado... no excesso de tempo, e as cerejas transformar-se-iam num "chumbo"... que nem 'ginjas'!


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Um belo relógio de bordo
da
Marinha




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Uma das razões que pressionou o Homem a continuar a procurar novas formas de medir o tempo, mesmo depois de inventar o relógio de sol, foi a necessidade de um objecto que contabilizasse o tempo com maior precisão e que pudesse ser transportado. O relógio de sol permitia a divisão do dia, mas à noite não funcionava.
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Quando inventaram a ampulheta, os marinheiros foram os mais beneficiados. Aliás, durante o século XIV foram os grandes impulsionadores desta forma de medir o tempo, utilizando-a mesmo para ajudar a calcular a latitude e a longitude. O principal obstáculo do relógio de areia nos barcos era a dificuldade que existia em manter o instrumento imóvel. Os balanços eram muitos e isso nem sempre era fácil.
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No século XVI os marinheiros não abdicavam do uso da ampulheta, apesar desta não ser cem por cento fiável. Era no seu funcionamento que baseavam as tarefas e para isso recorriam a um sino. Desta forma, o marinheiro encarregue de controlar a ampulheta tocava o sino para indicar, com precisão, as horas à restante tripulação.
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Poderíamos dizer que era a ampulheta, o relógio de areia, a dar horas!

sábado, 30 de outubro de 2010

« PORTUGAL VISTO PELO "PRAVDA" »

Antiga máquina de escrever portátil
com caracteres cirílicos
do
Jornal PRAVDA
(Verdade em russo)



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« PRAVDA »




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Amostra de um exemplar do Pravda



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.Artigo traduzido do Jornal russo Pravda [ Verdade ] sobre Portugal, da autoria do jornalista
Timothy Bancrof-Hinchey




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« Foram tomadas medidas draconianas em Portugal pelo Governo
liberal de José Sócrates, um caso de um outro governo de centro-direita
pedindo ao povo Português para fazer sacrifícios, um apelo repetido vezes
sem fim a esta nação trabalhadora, sofredora, historicamente deslizando cada
vez mais no atoleiro da miséria.

E não é por eles serem portugueses.

Vá ao Luxemburgo, que lidera todos os indicadores socio-económicos, e você
vai descobrir que doze por cento da população é portuguesa, o povo que
construiu um império que se estendia por quatro continentes e que controlava
o litoral desde Ceuta, na costa atlântica, tornando a costa africana até ao
Cabo da Boa Esperança, a costa oriental da África, no Oceano Índico, o Mar
Arábico, o Golfo da Pérsia, a costa ocidental da Índia e Sri Lanka. E foi o
primeiro povo europeu a chegar ao Japão….e Austrália.

O Primeiro Ministro José Sócrates lançou uma nova onda dos
seus pacotes de austeridade, corte de salários e aumento do IVA, mais
medidas cosméticas tomadas num clima de política de laboratório por
académicos arrogantes e altivos desprovidos de qualquer contacto com o mundo
real, um esteio na classe política elitista portuguesa no Partido social
democrata e Partido socialista, gangorras [armadilhas] de má gestão política
que têm assolado o país desde os anos 80.

O objectivo? Para reduzir o défice. Por quê?

Porque a União Europeia assim o diz. Mas é só a UE?

Não, não é. O maravilhoso sistema em que a União Europeia deixou-se ser
sugada, é aquele em que a agências de Ratings, Fitch, Moody's e Standard and
Poor's, baseadas nos Estados Unidos da América (onde havia de ser?) virtual
e fisicamente controlam as políticas fiscais, económicas e sociais dos
Estados-Membros da União Europeia através da atribuição das notações de
crédito.

Com amigos como estes organismos, e Bruxelas, quem precisa de inimigos?

Sejamos honestos. A União Europeia é o resultado de um pacto forjado por
uma França tremente e com medo, apavorada com a Alemanha depois que suas
tropas invadiram seu território três vezes em setenta anos, tomando Paris
com facilidade, não só uma vez mas duas vezes, e por uma astuta Alemanha
ansiosa para se reinventar após os anos de pesadelo de Hitler. França tem a
agricultura, a Alemanha ficou com os mercados para sua indústria.

E Portugal? Olhem para as marcas de automóveis novos conduzidos por
motoristas particulares para transportar exércitos de "assessores" (estes
parecem ser imunes a cortes de gastos) e adivinhem de qual país eles vêem ?
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Não, eles não são Peugeot e Citroen ou Renault. Eles são Mercedes e BMWs.
Topo-de-gama, é claro.

Os sucessivos governos formados pelos dois principais partidos, PSD
(Partido Social Democrata, direita) e PS (Socialista, de centro), têm
sistematicamente jogado os interesses de Portugal e dos portugueses pelo
esgoto abaixo, destruindo sua agricultura (agricultores portugueses são
pagos para não produzir) e sua indústria (desapareceu) e sua pesca
(arrastões espanhóis em águas lusas), a troco de quê?

O quê é que as contra-partidas renderam, a não ser a aniquilação total de
qualquer possibilidade de criar emprego e riqueza sem uma base sustentável?

Aníbal Cavaco Silva, agora Presidente, mas primeiro-ministro durante uma
década, entre 1985 e 1995, anos em que estavam despejando bilhões através
das suas mãos a partir dos fundos estruturais e do desenvolvimento da UE, é
um excelente exemplo de um dos "melhores" políticos de Portugal. Eleito
fundamentalmente porque ele é considerado "sério" e "honesto" (em terra de
cegos, quem tem olho é rei), como se isso fosse um motivo para eleger um líder
(que só em Portugal, é) e como se a maioria dos restantes políticos (PSD/PS)
fossem um bando de sanguessugas e parasitas inúteis (que são), ele é o pai
do défice público em Portugal e o campeão de gastos públicos.

A sua “política de betão” foi bem concebida, mas como sempre, mal planeada,
o resultado de uma inepta, descoordenada e, às vezes inexistente localização
no modelo governativo do departamento do Ordenamento do Território, vergado,
como habitualmente, a interesses investidos que sugam o país e seu povo.

Uma grande parte dos fundos da UE foi canalizada para a construção de
pontes e auto-estradas para abrir o país a Lisboa, facilitando o transporte
interno e fomentando a construção de parques industriais nas cidades do
interior para atrair a grande parte da população que assentava no litoral.

O resultado concreto, foi que as pessoas agora tinham os meios para fugirem
do interior e chegar ao litoral ainda mais rápido. Os parques industriais
nunca ficaram repletos e as indústrias que foram criadas, em muitos casos já
fecharam.

Uma grande percentagem do dinheiro dos contribuintes da UE vaporizou em
empresas e esquemas fantasmas. Foram comprados Ferraris. Foram encomendados
Lamborghini. Maserati. Foram organizadas caçadas de javali em Espanha. Foram
remodeladas casas particulares. O Governo e Aníbal Silva ficou a observar,
no seu primeiro mandato, enquanto o dinheiro foi desperdiçado. No seu
segundo mandato, Aníbal Silva ficou a observar os membros do seu governo a
perderem o controlo e a participarem.

Então, ele tentou desesperadamente distanciar-se do seu próprio partido
político. E ele é um dos melhores.

Depois de Aníbal Silva veio o bem-intencionado e humanitário, António
Guterres (PS), um excelente Alto Comissário para os Refugiados e um
candidato perfeito para Secretário-Geral da ONU, mas um buraco negro em
termos de (má) gestão financeira. Ele foi seguido pelo diplomata excelente,
mas abominável primeiro-ministro José Barroso (PSD)
(agora Presidente da Comissão da EU, “Eu vou ser primeiro-ministro,
só que não sei quando”) que criou mais problemas com seu discurso
que ele resolveu,
passou a batata quente para Pedro Lopes (PSD),
que não tinha
qualquer hipótese ou capacidade para governar e não
viu a armadilha, resultando em
dois mandatos de José Sócrates:
um Ministro do Ambiente competente,
que até formou um bom governo
de maioria e tentou corajosamente corrigir erros
anteriores. Mas foi
rapidamente asfixiado por interesses instalados.


Agora, as medidas de austeridade apresentadas por este primeiro-ministro,
são o resultado da sua própria inépcia para enfrentar esses interesses, no
período que antecedeu a última crise mundial do capitalismo (aquela em que
os líderes financeiros do mundo foram buscar três triliões de dólares de um
dia para o outro para salvar uma mão cheia de banqueiros irresponsáveis,
enquanto nada foi produzido para pagar pensões dignas, programas de saúde ou
projectos de educação).

E, assim como seus antecessores, José Sócrates, agora com minoria,
demonstra falta de inteligência emocional, permitindo que os seus ministros
pratiquem e implementem políticas de laboratório, que obviamente serão
contraproducentes.
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Pravda.Ru entrevistou 100 funcionários, cujos salários
vão ser reduzidos. Aqui estão os resultados:

Eles vão cortar o meu salário em 5%, por isso vou trabalhar menos (94%) .

Eles vão cortar o meu salário em 5%, por isso vou fazer o meu melhor para me
aposentar cedo, mudar de emprego ou abandonar o país (5%)

Concordo com o sacrifício (1%). Um por cento!!

Quanto ao aumento dos impostos, a reacção imediata será que a economia
encolhe ainda mais enquanto as pessoas começam a fazer reduções simbólicas,
que multiplicado pela população de Portugal, 10 milhões, afectará a criação
de postos de trabalho, implicando a obrigatoriedade do Estado a intervir e
evidentemente enviará a economia para uma segunda (e no caso de Portugal,
contínua) recessão.

Não é preciso ser cientista de física quântica para perceber isso. O idiota
e avançado mental que sonhou com esses esquemas, tem resultados num pedaço
de papel, onde eles vão ficar. É verdade, as medidas são um sinal claro para
as agências de ratings que o Governo de Portugal está disposto a tomar
medidas fortes, mas à custa, como sempre, do povo português.

Quanto ao futuro, as pesquisas de opinião providenciam uma previsão de um
retorno para o PSD, enquanto os partidos de esquerda (Bloco de Esquerda e
Partido Comunista Português) não conseguem convencer o eleitorado de suas
ideias e propostas.

Só em Portugal, a classe elitista dos políticos PSD/PS seria capaz de punir
o povo por se atrever a ser independente. Essa classe, enviou os interesses
de Portugal no ralo [esgoto], pediu sacrifícios ao longo de décadas, não produziu
nada e continuou a massacrar o povo com mais castigos.
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Esses traidores estão levando cada vez mais portugueses a
questionarem se deveriam ter sido
assimilados há séculos, pela Espanha!

Que convidativo, o ditado português “Quem não está bem, que se mude”. Certo,
bem longe de Portugal, como todos os que possam, estão fazendo.
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Bons estudantes a jorrarem pelas fronteiras fora. Que comentário lamentável para
um país maravilhoso, um povo fantástico, e uma classe política abominável.»

Timothy Bancroft-Hinchey

Pravda.Ru




Imagens: Net
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domingo, 17 de outubro de 2010

« MALEFÍCIOS do TABACO, de TCHEKHOV... E NÃO SÓ! »

PULMÃO SADIO v/s PULMÃO de FUMADOR




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«O tabaco é uma autêntica arma de fogo»



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«"MUNIÇÕES" GASTAS»



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“Os Malefícios do Tabaco” («O vrede Taboka») é uma peça de Anton Tchekhov, que retrata a vida de um homem amargo e de aparência gasta que é obrigado pela sua esposa, com quem partilha um casamento há mais de 30 anos, a fazer uma conferência para fins beneficentes acerca dos malefícios do uso e abuso do tabaco.

Todavia a sua vida privada acaba por ser o tema principal da conferência que está a apresentar. Foca os maus-tratos vindos da sua mulher, o desprezo vindo das suas filhas e o trabalho de escravidão a que é obrigado. Trata-se de um monólogo do qual a nossa atenção não consegue fugir.

Nesta breve “cena”, tal como o autor a designa, revela-se o trágico humor de Tchekhov, que já então se notabilizara como novelista mas que ainda não lograra impor-se como dramaturgo.

(...)



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Uma reivindicação para cumprir
O
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No que toca ao cancro do pulmão, não há dúvida: o tabaco é o principal suspeito e com toda a razão. É que 85% destes tumores têm o fumo na sua origem. Talvez por isso “devia ter deixado de fumar” seja um desabafo comum a quem recebe um diagnóstico tão grave. Só que muitas vezes já é tarde demais...

Avança silenciosamente esta a que poderemos chamar a doença dos fumadores. Por ter no tabaco a sua principal causa, os seus sinais podem confundir-se com os de outros associados às demais patologias do tabagismo, como a bronquite crónica do fumador. A primeira denúncia de que algo vai mal nos pulmões é uma tosse persistente, aquilo a que chamamos catarro. Mas os fumadores habituam-se a conviver com este incómodo, fumando cigarro atrás de cigarro e ignorando os primeiros gritos do seu corpo já potencialmente minado.

Quando se começam a assustar é quase sempre quando a tosse é acompanhada de expectoração e, um dia, nela descobrem laivos de sangue. Aí sim, preocupam-se. E o mais provável é nessa altura já exibirem outros sintomas: o mais provável é já terem dificuldade em respirar, é sentirem-se cansados com facilidade, perderem o apetite e, com eles, demasiados quilos, e queixarem-se de dores inesperadas mas persistentes no tórax.

Nessa altura já existe um compromiso claro das funções pulmonares. Nessa altura já pode ser tarde demais e, normalmente, é-o. O diagnóstico precoce do cancro do pulmão é muito difícil, quer porque, como já se disse, os sintomas se assemelham aos de outras doenças do fumador, quer porque o próprio doente raramente procura o médico aos primeiros sinais de alarme. Além do mais, a doença pode já estar presente sem que se manifestem sintomas. Ela avança silenciosamente, podendo levar vários anos a desenvolver-se.

Numa radiografia ao tórax, uma simples sombra, sem contornos definidos, pode ser o primeiro indício. Porém, a verdade é que para que um tumor seja visível num raio-X é preciso que tenha mais de um centímetro de diâmetro. Ora isso significa que a célula original que degenerou já se multiplicou 36 vezes, o mesmo é dizer que a doença se encontra já numa fase adiantada.

A radiografia é, regra geral, o primeiro dos meios de diagnóstico, mas não fornece provas seguras da existência de cancro, pelo que deve ser complementada com outros exames. Os passos seguintes consistem numa citologia da expectoração (análise microscópica de uma amostra) e numa broncoscopia (através de um tubo de fibra óptica é possível visualizar internamente a árvore traqueo-brônquica). Uma biópsia (exame de uma amostra de tecido) permitirá confirmar o diagnóstico e identificar o tipo de cancro de acordo com as características das suas células. Finalmente, uma TAC (tomografia axial computorizada) possibilita a avaliação da dimensão do tumor e da eventual extensão a áreas adjacentes aos pulmões.

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Para muitos doentes, o diagnóstico chega tarde demais. De tal forma que só em 10% dos casos é possível a cura, o mesmo é dizer que apenas um em cada dez doentes estará vivo ao fim de cinco anos. Para esta baixa taxa de sucesso em muito contribuem as recidivas: é que há muitos indivíduos que continuam a fumar mesmo após a intervenção terapêutica.

E que terapêutica? Num em cada cinco doentes, a cirurgia é possível, desde que o cancro não se tenha propagado para além do pulmão, se estiver muito próximo da traqueia ou se o doente sofrer de outra doença grave, como insuficiência cardíaca. Antes da decisão, o médico avalia a função respiratória do doente, de modo a determinar se o pulmão remanescente tem ou não capacidade suficiente para assegurar a autonomia do sistema. Porém, nem sempre é necessário extirpar a totalidade do pulmão, podendo remover-se apenas uma parte, isto é, um lobo pulmonar.

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Aos doentes que não podem ser operados é possível aplicar tratamentos de radioterapia, tendo como objectivo retardar a evolução do tumor. A cura já não é a meta, além de que esta terapia pode ter como efeitos secundários uma inflamação do pulmão. Tosse, dificuldades respiratórias e febre são os sinais de alerta.

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Quanto à quimioterapia, é uma opção terapêutica geralmente aplicada no chamado cancro de células pequenas – de evolução muita rápida e propagação fácil a outras partes do corpo (metástases). Por vezes combinada com radioterapia, tem o mérito de prolongar a vida a uma percentagem considerável de doentes.

- Fumadores passivos também em risco

Em
matéria de cancro do pulmão, uma coisa é certa: o tabaco é a sua principal causa. A Ciência e a Medicina provam-no e os próprios fumadores identificam correctamente as consequências do seu vício. E por via do tabaco os homens são, quantitativamente falando, as principais vítimas. Porque fumam mais e há mais tempo. Mas as mulheres têm vindo a encurtar a distância. Basta olhar para a História recente, com as mulheres a adoptarem o cigarro em nome da igualdade, para se perceber que assim seja. Actualmente, parece mesmo haver uma ligeira diminuição do tabagismo masculino, contra uma crescente generalização entre o sexo feminino.

Oito em cada dez casos de cancro do pulmão devem-se ao tabaco. E o risco é tanto maior quanto mais se fuma. Aliás, basta fazer contas e aplicar uma fórmula simples: número de anos de fumador vezes o número de maços por dia. Contas não poderão fazer os não fumadores, mas eles também são vítimas desta doença: basta que inalem o fumo de outros, o que torna os espaços públicos, entre eles os locais de trabalho, verdadeiras armadilhas para os chamados fumadores passivos.

.Aliás, uma em cada oito pessoas afectadas pelo cancro do pulmão nunca fumou. São vítimas inocentes. Tal como as pessoas expostas, em consequência da sua actividade profissional, a elementos cancerígenos como o amianto, arsénico, crómio, níquel e radão. São, contudo, casos residuais.

.Perante uma doença que quase sempre é detectada demasiado tarde, perante taxas de sobrevida pouco elevadas, perante uma doença que tem como causa praticamente exclusiva o tabaco, que prevenção? A resposta é só uma: deixar de fumar. E reflectir no facto de o cancro do pulmão ser a principal causa de morte por cancro entre os homens desde 1955 e entre as mulheres desde 1985.

Boas Razões

A luta anti-tabágica é uma das missões do Instituto Nacional de Cardiologia Preventiva. Na sua página na Internet estão elencadas boas razões para deixar de fumar, que aqui reproduzimos:

- O fumo do cigarro contém cerca de 4.000 químicos. Os mais venenosos são: amoníaco, arsénico, butano, hidrogénio cianide, metano, cádmio, monóxido de carbono, e por último mas de modo algum o menos venenoso, a nicotina.
- A nicotina aumenta a sua pressão arterial e o seu ritmo cardíaco. Quando inala, o alcatrão do fumo do cigarro transporta a nicotina para o seu pulmão. A nicotina é libertada no fluxo sanguíneo, no entanto o alcatrão permanece nas zonas mais delicadas dos seus pulmões.
- As doenças relacionadas com o tabaco incluem enfísema pulmonar, cancro do pulmão e outros, doenças cardiovasculares, doença vascular periférica.
- O tabaco pode provocar redução da fertilidade na mulher e impotência sexual no homem. O risco de doença cardíaca em mulheres que tomam pílula contraceptiva aumenta cerca de dez vezes.
- As mulheres grávidas que fumam têm maiores probabilidades dos seus filhos nascerem prematuros e com peso reduzido, que chorem mais e durmam menos.
- Quando crianças, os filhos de pais fumadores têm uma maior probabilidade de desenvolver bronquites, pneumonias e asma dos que os de não fumadores. O fumo passivo é especialmente perigoso para as crianças. Mas é-o também responsável pela morte e doenças de adultos não fumadores.

Não existe, contudo, uma fórmula infalível para deixar de fumar, nem sequer uma forma fácil. Todos nós sabemos que para abandonar o hábito é preciso lutar. Aquilo a que chamamos força de vontade, muita força de vontade. É uma batalha longa e dura, mas que só o fumador consegue vencer... ou perder.




DÊ UM PONTO FINAL

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

« FERNANDO PESSOA... ESOTÉRICO e ROSACRUZ »

Símbolo da Ordem Rosa Cruz

..A CRUZ, a ROSA e a ROSA CRUZ




(Poema datado de 6/2/1934 de Fernando Pessoa)

Porque choras de que existe

A terra e o que a terra tem?

Tudo nosso – mal ou bem –

É fictício e só persiste

Porque a alma aqui é ninguém.

Não chores! Tudo é o nada

Onde os astros luzes são.

Tudo é lei e confusão.

Toma este mundo por strada

E vai como os santos vão.

Levantado de onde lavra

O inferno em que somos réus

Sob o silêncio dos céus,

Encontrarás a Palavra,

O Nome interno de Deus.

E, além da dupla unidade

Do que em dois sexos mistura

A ventura e a desventura,

O sonho e a realidade,

Serás quem já não procura.

Porque, limpo do Universo,

Em Christo nosso Senhor,

Por sua verdade e amor,

Reunirás o disperso

E a Cruz abrirá em Flor.





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Este é um poema que nos aparece dividido em três partes – como uma trilogia de sonetos –

inspirado numa descrição do Túmulo de Christian Rosencreutz constante da “Fama Fraternitatis”, primeiro manifesto público

da ou sobre a Fraternidade Rosacruz.




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As ordens ou fraternidades Rosa Cruz (Rosa-cruz ou Rosacruz) são organizações místicas e esotéricas que se pretendem herdeiras de tradições alquimistas e cabalísticas antigas e que usam certos rituais iniciáticos.

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De acordo com a lenda, a Ordem Rosa Cruz foi fundada por Christian Rosenkreuz (1378-1484), cavaleiro alemão que estudara artes ocultas com mestres de Damasco, do Egipto e de Marrocos. A fundação da Ordem terá acontecido na Alemanha em 1407. A existência de Christian Rosenkreuz é, no entanto, posta em causa por vários rosacrucianos, que vêem o nome como um pseudónimo de algumas personagens históricas, como, por exemplo, o filósofo, estadista e ensaísta inglês Francis Bacon (1561-1626).

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A nível histórico, o início da Ordem tem como data 1614, com a publicação do documento intitulado "The Fama Fraternitas of the Meritorious Order of the Rosy Cross". Marcam, também, a fundação da Ordem Rosa Cruz, em 1615, "The Confession of the Rosicrucian Fraternity" e em 1616, "The Chemical Marriage of Christian Rosenkreuz". Estes textos de autor desconhecido, embora se avente a hipótese do teólogo Johann Valentin Andrea (1586-1654), são os grandes responsáveis dos movimentos e organizações de fraternidade que se formaram.

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Em algumas organizações da Maçonaria, existe o grau de Cavaleiro Rosa Cruz para aquele que atinge o último grau.

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As diversas ordens Rosa Cruzes defendem a fraternidade entre todos os homens. Para isso, é necessário que cada um altere os seus hábitos, atitudes e pensamentos e desenvolva as suas potencialidades para a verdadeira paz consigo próprio.

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A Ordem Rosa Cruz tem como símbolo uma ou mais rosas decorando uma cruz. As variações (uma cruz envolvida por uma coroa de rosas; uma cruz com uma rosa ao centro; junto ao símbolo um duplo triângulo ou uma estrela ou símbolos cabalísticos e alquímicos…) permitem distinguir as diversas fraternidades.

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De acordo com algumas teorias, a Cruz é o signo masculino e espiritual, que representa a divina energia criadora e fecundadora; a Rosa é o signo feminino, que contém o ovo cósmico.

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Fernando Pessoa (in A Procura da Verdade Oculta-Textos filosóficos e esotéricos) afirma sobre o significado da Cruz e da Rosa: "A dupla essência, masculina e feminina, de Deus - a Cruz. O mundo gerado, a Rosa, crucificada em Deus".

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E mais adiante: "Todo o homem, que tenha talhar para si um caminho para o Alto, encontrará obstáculos incompreensíveis e constantes. [...] Este processo de vitória, figuram-no os emblemadores no símbolo da crucificação da Rosa - ou seja no sacrifício da emoção do mundo (a Rosa, que é o círculo em flor) nas linhas cruzadas da vontade fundamental e da emoção fundamental, que formam o substracto do Mundo, não como Realidade (que isso é o círculo) mas como produto do Espírito (que isso é a cruz)."

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Há diversas organizações esotéricas que se dizem Rosa-cruzes e que são relativamente diferentes.

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Existe, entre outras, a Ordem Rosa Cruz - AMORC, Antiga e Mística Ordem Rosa Cruz; a Fraternidade Rosa Cruz; a Sociedade Rosa Cruz do Lectorium Rosicrucianum ou Escola Espiritual Gnóstica da Rosa Cruz Áurea; a Ordem dos Irmãos Primogénitos da Rosa Cruz.

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A Ordem Rosa Cruz - AMORC, Antiga e Mística Ordem Rosa Cruz estabelece uma distinção entre os rosacrucianos, que são os seus próprios aderentes, e os Rosa-cruz, que atingem os mais elevados graus da ordem.

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Define-se como "uma organização internacional de carácter místico-filosófico, que tem por missão despertar o potencial interior do ser humano, auxiliando-o em seu desenvolvimento, em espírito de fraternidade, respeitando a liberdade individual, dentro da Tradição e da Cultura Rosacruz".

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É nesta ordem que encontramos figuras proeminentes, como Comenius; Sir Francis Bacon; o rei da Prússia, Frederico Guilherme II; o poeta Wolfgang Goethe; Victor Hugo; René Descartes; Leibniz; Isaac Newton; Benjamin Franklin; e Fernando Pessoa.

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A Fraternidade Rosa Cruz tem na astrologia e no desenvolvimento de faculdades mediúnicas e curativas as bases da doutrina oficial.

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A Sociedade Rosa Cruz do Lectorium Rosicrucianum ou Escola Espiritual Gnóstica da Rosa Cruz Áurea defende que a alma viverá no corpo em cativeiro, só encontrando a paz pela libertação do corpo material, recuperando a plenitude da sua vida espiritual.

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A Ordem dos Irmãos Primogénitos da Rosa Cruz adopta o princípio que "tudo aquilo que pode ser dito não merece ser conhecido".





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[Ank - cruz ansata - Rosacruciana]

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

« A DITADURA do INFANTILISMO »


"Albardar o burro à vontade do dono"
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Vozes de 'burro' não chegam ao céu...



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«José e Maria estavam casados há 20 anos e eram muito felizes um com o outro. Tão felizes que um dia, na mesa, a filha mais velha reclamou:
- Vocês nunca brigam?
José e Maria se entreolharam. José respondeu:
- Não, minha filha. Sua mãe e eu não brigamos.
- Nunca brigaram? - quis saber Vítor, o filho do meio.
- Claro que já brigamos. Mas sempre fizemos as pazes.
- Na verdade, brigas, mesmo, nunca tivemos. Desentendimentos, como todo mundo. Mas sempre nos demos muito bem...
- Coisa mais chata - disse Venancinho, o menor.
Vera, a filha mais velha, tinha uma amiga, Nora, que a deixava fascinada com suas histórias de casa. Os pais de Nora viviam brigando. Era um drama. Nora contava tudo para Vera. Às vezes chorava. Vera consolava a amiga. Mas no fundo tinha uma certa inveja. Nora era infeliz. Devia ser bacana ser infeliz assim. O sonho de Vera era ter um problema em casa para poder ser revoltada como Nora. Ter olheiras como Nora.
Vítor, o filho do meio, freqüentava muito a casa de Sérgio, seu melhor amigo. Os pais de Sérgio estavam separados. O pai de Sérgio tinha um dia certo para sair com ele. Domingo. Iam ao parque de diversões, ao cinema, ao futebol. O pai de Sérgio namorava uma moça do teatro. E a mãe de Sérgio recebia visitas de um senhor muito camarada que sempre trazia presentes para Sérgio.
Venancinho, o filho menor, também tinha amigos com problemas em casa. A mãe do Haroldo, por exemplo, tinha se divorciado do pai do Haroldo e casado com um cara divorciado. O padrasto de Haroldo tinha uma filha de 11 anos que podia tocar o Danúbio azul espremendo uma das mãos na axila, o que deixava a mãe do Haroldo louca. A mãe do Haroldo gritava muito com o marido.
Bacana.
- Eu não agüento mais esta situação - disse Vera, na mesa.
- Que situação, minha filha?
- Essa felicidade de vocês!
- Vocês deviam ter o cuidado de não fazer isso na nossa frente - disse Vítor.
- Mas nós não fazemos nada!
- Exatamente.
Venancinho batia com o talher na mesa e reivindicava:
- Briga. Briga. Briga.
José e Maria concordavam que aquilo não podia continuar. Precisavam pensar nas crianças. Antes de mais nada, nas crianças. Manteriam uma fachada de desacordo, ódio e desconfiança na frente deles, para esconder a harmonia. Não seria fácil. Inventariam coisas. Trocariam acusações fictícias e insultos. Tudo para não traumatizar os filhos.
- Víbora, não! - gritou Maria, começando a erguer-se do seu lugar na mesa com a faca serrilhada na mão.
José também ergueu-se e empunhou a cadeira.
- Víbora, sim! Vem que eu te arrebento.
Maria avançou. Vera agarrou-se ao seu braço.
- Mamãe. Não!
Vítor segurou o pai. Venancinho, que estava de boca aberta e os olhos arregalados desde o começo da discussão - a pior até então -, achou melhor pular da cadeira e procurar um canto neutro da sala de jantar.
Depois daquela cena, nada mais havia a fazer. O casal teria que se separar. Os advogados cuidariam de tudo. Eles não podiam mais nem se enxergar.
Agora era Nora que consolava Vera. Os pais eram assim mesmo. Ela tinha experiência. A família era uma instituição podre. Sozinha, na frente do espelho, Vera imitava a boca de desdém de Nora.
- Podre. Tudo podre.
E esfregava os olhos, para que ficassem vermelhos. Ainda não tinha olheiras, mas elas viriam com o tempo. Ela seria amarga e agressiva. A pálida filha de um lar desfeito. Um pouco de pó-de-arroz talvez ajudasse. Vítor e Venancinho saíam aos domingos com o pai. Uma vez foram ao Maracanã junto com Sérgio, o pai do Sérgio e a namorada do pai do Sérgio, a moça do teatro. O pai do Sérgio perguntou se José não gostaria de conhecer uma amiga da sua namorada. Assim poderiam fazer mais programas juntos. José disse que achava que não. Precisava de tempo para se acostumar com sua nova situação. Sabe como é. Maria não tinha namorado. Mas no mínimo duas vezes por semana desaparecia de casa, depois voltava menos nervosa. Os filhos tinham certeza de que ela ia se encontrar com um homem.
- Eles desconfiam de alguma coisa? - perguntou José.
- Acho que não - respondeu Maria.
Estavam os dois no motel onde se encontravam, no mínimo duas vezes por semana, escondidos.
- Será que fizemos o certo?
- Acho que sim. As crianças agora não se sentem mais deslocadas no meio dos amigos. Fizemos o que tinha que ser feito.
- Será que algum dia vamos poder viver juntos outra vez?
- Quando as crianças saírem de casa. Aí então estaremos livres das convenções sociais. Não precisaremos mais manter as aparências.»

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Por:
Luis Fernando Veríssimo - Texto extraído do livro "As Mentiras Que os Homens Contam" - Editora Objetiva - 2000.

Imagens: Internet.
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