domingo, 25 de julho de 2010

«...CLARICE LISPECTOR... CONSELHEIRA e CONFIDENTE...»

.UMA DEUSA das LETRAS


=+=
.




CLARICE LISPECTOR (Tchetchelnik Ucrânia 1925 - Rio de Janeiro 1977) passou a infância no Recife e, em 1937 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se formou em Direito.

.

Estreou na literatura ainda muito jovem com o romance Perto do Coração Selvagem (1943), que teve caloroso acolhimento da crítica e recebeu o Prémio Graça Aranha.

.

Em 1944, recém-casada com um diplomata, viajou para Nápoles, onde serviu num hospital durante os últimos meses da Segunda Guerra Mundial. Depois de uma longa estada na Suíça e Estados Unidos, voltou a morar no Rio de Janeiro.

.

Entre as suas obras mais importantes estão as reuniões de contos: A Legião Estrangeira (1964) e Laços de Família (1972) e os romances A Paixão Segundo G.H. (1964) e A Hora da Estrela (1977).

.

Clarice Lispector começou a colaborar na imprensa em 1942 e, ao longo de toda a vida, nunca se desvinculou totalmente do jornalismo.

.

Trabalhou na Agência Nacional e nos jornais A Noite e Diário da Noite. Foi colunista do Correio da Manhã e realizou diversas entrevistas para a revista Manchete. A autora também foi cronista do Jornal do Brasil.

.

Produzidos entre 1967 e 1973, esses textos estão reunidos no volume A Descoberta do Mundo.

.

Sobre Clarice, escreve a crítica francesa Hélène Cixous: "Se Kafka fosse mulher. Se Rilke fosse uma brasileira judia nascida na Ucrânia. Se Rimbaud tivesse sido mãe, se tivesse chegado aos cinquenta. (...)".

.

É nessa ambiência que Clarice Lispector escreve. Lá, onde respiram as obras mais exigentes, ela avança.

.

Lá, mais à frente, onde o filósofo perde fôlego, ela continua, mais longe ainda, mais longe do que todo o saber (...) sulcando os mares da eternidade como uma figura de proa de navio carregado da nossa saudade...


.

.



.
Clarice Lispector era uma mulher frágil, que muitas vezes rondou o desespero. Foi até ao fim uma escritora secreta, que se eclipsou durante doze anos para criar os filhos e acompanhar as viagens do marido, um diplomata pouco sensível à sua obra. E... no entanto, só a escrita parecia mantê-la viva.
.
Não lhe interessavam os indivíduos em si, mas a paixão que os domina, a inquietação que os conduz, a existência que os subjuga. E isso é talvez dizer o essencial de uma das mais perturbantes escritoras da língua portuguesa.
.
Um dia escreveu: "... depois de morta é para a realidade que eu vou. Por enquanto é sonho. Sonho fatídico. Mas depois - depois tudo é real. E a alma livre procura um canto para se acomodar. Mim é um Eu que anuncio. Não sei sobre o que estou falando. Estou falando do nada. Eu sou nada. Depois de morta engrandecerei e me espalharei, e alguém dirá com amor o meu nome..."
.
Já agora... deixo aqui uma confissão que nunca disse nem escrevi: considero Clarice Lispector minha irmã espiritual (...) a irmã carnal que desejei ter e não tive.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

« ARRANHADELAS FELINAS... de AMIZADE!! »

OLÁ...!
Eu... sou, a... JAMILA!

.
Festinhas de 'gato'
na
Micha
arisca


.



« Defensor da classe
e...

das lindas
donzelas »

.



« O GATO »



Que fazes por aqui, ó gato?

Que ambiguidade vens explorar?

Senhor de ti, avanças, cauto,

meio agastado e sempre a disfarçar

o que afinal não tens e eu te empresto,

ó gato, pesadelo lento e lesto,

fofo no pêlo, frio no olhar!

De que obscura força és a morada?

Qual o crime de que foste testemunha?

Que deus te deu a repentina unha

que rubrica esta mão, aquela cara?

Gato, cúmplice de um medo

ainda sem palavras, sem enredos,

quem somos nós, teus donos ou teus servos?






POEMA de:
Alexandre O' Neill