terça-feira, 30 de março de 2010

« CONTRA TOURADA em MADRID... ! »

Manifestantes na Capital madrilena
Foto de Daniel Ochoa de Olza/Ap


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Mais cultura em cima de mim?




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PROTESTO:

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- Milhares de opositores das touradas desfilaram este fim-de-semana em Madrid gritando « A tortura não é cultura ».
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Esta manifestação visava protestar contra a intenção da Região de Madrid de inscrever a tauromaquia como seu património cultural.
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O Rei Juan Carlos é um dos maiores adeptos da tourada em Espanha.
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Várias foram as Associações de protecção Animal que se juntaram à palavra de ordem - A tortura não é cultura - e, em conjunto com milhares de cidadãos madrilenos, protestaram contra a declaração aprovada pelos Governos de Valencia e Murcia.
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[Dá vontade de pensar que..., Sua Majestade... não será Rei de todos os 'Súbditos'!]

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Em Portugal, a Ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, criou uma secção especializada em Tauromaquia no Conselho Nacional da Cultura (CNC).

Parece ser uma mulher aficionada; mas, mal tomou posse, teve logo tanta vontade de "criar" uma coisa destas?
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Ainda por cima a papel químico, ou "copy paste" de 'nuestros hermanos'!?

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São conhecidas as posições tomadas em Barcelona contra as touradas, e, já não é caso isolado esta recente manifestação anti -tourada em terras castelhanas, como foi o caso de Madrid.
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Também no México, como aqui se escreveu e ilustrou há dias, há tomadas de posição humanitárias quanto a este tipo de massacre.
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" HONNI SOIT QUI MAL Y PENSE "




Legenda:
Textos e imagens colhidos na indignação
dos Direitos dos Animais.



segunda-feira, 29 de março de 2010

SÍNDROME de CEGUEIRA POLÍTICA

Os que não querem ver, serão os piores cegos
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Consulta oftalmológica
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Novo envelope para endereçar
cartas para
"Garcia"
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Para benfiquistas, sportinguistas e portistas, o seu clube de coração é, inquestionavelmente, sempre o maior, sejam quais forem os resultados desportivos ou o comportamento dos seus jogadores.
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Os benfiquistas perdoam e aplaudem a rispidez de algumas entradas de David Luís. Os sportinguistas perdoam e aplaudem as agressivas intervenções de João Pereira. Os portistas perdoam e aplaudem as agressões de Hulk...
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Nada os retrai, desmotiva ou desanima. O que conta é a paixão, o amor incondicional ao Emblema. Como se fosse uma religião, uma jihad de Fé Clubística.
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Foi sempre assim e nada nos leva a pensar que, no mundo do futebol, alguma vez a razão se sobreponha à paixão.
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Do que, convenhamos, pouco mal virá para o outro mundo, o real, aquele em que pulsa a vida de toda uma Sociedade.
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Já é de maior preocupação esta moda alienante que vem emergindo de forma assustadora, por força da retórica gratuita e da demagogia sem vergonha, que faz dos cidadãos indefectíveis "adeptos" de partidos políticos em nome de uma Fé em que tudo se perdoa aos seus "jogadores", mesmo actos e as medidas que os lesem enquanto destinatários de uma apregoada democracia adulta!
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Os dois fenómenos têm diferenças abissais, nos seus valores e nos campos onde se desenvolvem, mas é já notório que a paixão cega, a defesa a qualquer preço dos grupos partidários a que cada um aderiu, relaxa ou destrói o espírito crítico, em benefício de uma parte política, mas em prejuízo da democracia e de toda a Nação.
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Nesta, é perigoso apoiar e apludir tudo, em nome de uma fé cega. Não estamos num jogo de amor à camisola desportiva.
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Quando a paixão partidária desce ao patamar da clubística, é da liberdade de cada um de nós que estamos a abdicar e, pior, é comprometermos, de forma leviana e irreflectida, um rumo para o país, que pugne pela verdade, pela justiça e pelo progresso que almejamos para todos.
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As amarras emotivas e incondicionais a partidos não podem, em nome da paixão, perdoar "rispidez", "agressões", mentiras e outros desmandos sem carácter de qualquer político, seja qual for a sua camisola partidária, para que se possa manter o respeito pelo Estado e por cada um de nós.
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Para que nos sintamos pessoas livres e não autómatos de pensamento encarcerado!...
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Nunca tive donos políticos, nem de qualquer outro rótulo! Há muito que sei lutar contra a "Voz do Dono"! Nunca fui inconstante nem serei volúvel, mas se houver quem mude as regras do jogo na última hora, aplicando a teoria de que o que hoje é verdade amanhã será mentira, então tudo farei para acordar os que me rodeiam, e mobilizá-los-ei para não se deixarem embalar em cantos de Sereia!
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Texto in: Blog Munho do Alfobre
Imagens: Net, e Software da Sony Ericsson

sábado, 27 de março de 2010

« CONTRA as TOURADAS... no MÉXICO! »

" No a las Corridas de Toros "
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O México é um dos oito países onde as touradas ainda são legalizadas. Autoridades estaduais e municipais, desviam dinheiro público para promover a abertura de museus de touradas e "Escolas" onde se ensinam às crianças a tortura e a morte dos animais (...)
[vidé post "Tauromania" de 2009/Junho/19 - s/ o toureiro mexicano de 11 anos, Michelito Lagravére, in Blog http://alfobre.blogspot.com edição do mesmo autor deste blog ]
Além disso, a tourada é financiada com dinheiros públicos! Poderá haver um avanço na protecção dos direitos dos animais no México, visto que foi apresentado em dezembro um Projecto-Lei pelo deputado Christian Vargas, para proibir as touradas na Cidade do México.
Organizações de defesa dos direitos dos animais solicitam uma consulta pública, onde foi afirmado que a maior parte da população é contra as touradas!
A manifestação [foto acima publicada], promovida pela organização espanhola em defesa dos animais "Anima Naturalis", teve uma recepção da Imprensa muito boa e pessoas que passaram pelo local, aplaudiram e apoiaram a iniciativa de enfatizar que a tortura não é Arte, ou Cultura!
Não se trata de uma guerra aberta entre os cartéis de droga, um flagelo também da Cidade do México (...)
A foto diz respeito a um protesto contra as corridas de touros, levado a efeito por um grupo de activistas pelos direitos dos animais, que pedem a proibição das touradas, de morte, no país.
Dizem que o espectáculo público da tourada tem toques incontornáveis de barbaridade que, de uma vez por todas, se deve evitar, seja onde for.
Infelizmente em Portugal e recentemente, uma recém empossada Ministra da Cultura - Gabriela Canavilhas, ou "Bandarilhas" -, achou por bem enquadrar este tipo de actividade num «projecto cultural» como se, para além da tristeza da tauromaquia como espectáculo primitivo, não estivesse o povo português já fartinho, quanto baste, de pagar... entre outras, agora mais esta ilustre faena em 'traje' de 'luces' ...!!!
Tenham maneiras! Peguem-nos de caras;
de cernelha é que não!
'Entonces',... las 'cortesias'??
Vai de "arraste"...?
Olhem... que Não!!
Campino de barrete,... mas só nas lezírias!
«Olé! »

terça-feira, 16 de março de 2010

«OUTRA DEPLORÁVEL " TOURADA"...!»







A indignação de um gato








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O texto que a seguir se reproduz está publicado no Blog Póvoa, numa página 'cultural' intitulada "Matança do Porco". Não conseguimos contacto para cumprir c/ a ética de pedir permissão para republicação, mas não seríamos bem recebidos pois, o nosso propósito é combater este tipo de barbarismos, a coberto da Tradição, chocando os leitores com a falta de condições higiénicas e humanas !
(...)
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« Um dia falou-se, acidentalmente, da matança do porco e logo surgiu quem sentenciasse:
- "Ah! Hoje já não se matam porcos como antigamente...".
Protestei:
- "Calma aí! Algum dos senhores, por acaso, já foi à Póvoa, na altura da Páscoa? É que se fossem, veriam como a tradição ainda é o que era!".
Ninguém pareceu levar-me muito a sério e o melhor que obtive foi um "político":
- "Pois, está bem... mas nunca é a mesma coisa".
Chegou, então, o momento de responder ao desafio. Na Póvoa ainda se matam porcos segundo os ensinamentos transmitidos de geração em geração.
Por razões óbvias e que se prendem com a normal evolução da sociedade portuguesa, hoje, felizmente, não é possível recriar o espírito de dependência e de necessidade que sempre envolvia a morte do porco.
Todavia, é importante que este mesmo espírito seja explicado aos mais novos, pois ele, acima de tudo, representa muito do quotidiano serrano.
Mas, importa não perder o outro lado da vida de antigamente e que facilmente podemos recordar "encaixando-o" na matança do porco: o espírito de colaboração e de divisão de tarefas.
As dificuldades e as agruras da vida obrigavam a que todos se ajudassem mutuamente; e embora hoje não seja socialmente muito correcto, a verdade é que existem tarefas que dizem respeito às mulheres e outras que especificamente são desempenhadas pelos homens.
Às primeiras, cabe tratar cozer a broa, fazer as filhós, talaças, pão-de-ló, arroz doce (mas, do branco), etc... e cuidar, no dia do almoço da matança, do sangue, do picado, dos torresmos, etc... É claro que tudo é feito na aldeia, com produtos locais e segundo os ensinamentos transmitidos de geração em geração.
Aos segundos, está destinado ir às torgas e à carqueja, uns dias antes da matança; e no dia acordado, ir ao curral e trazer os dois porcos para a traseira da Casa da Comissão de Melhoramentos, a caminho da Fonte Velha, onde já estão as coisas preparadas e a tábua devidamente posta.
Os animais são trazidos com uma corda atada a uma das patas traseiras e, seguro por três ou quatro homens, é deitado na tábua.
A pessoa encarregue de "espetar a faca", espera que o homem que traz o alguidar para recolher o sangue se acomode e tenta acertar no "sítio certo", isto é sem fazer um grande buraco.
É de referir que o recipiente onde é recolhido o sangue, tem uma cruz direita desenhada no sal que é posto com abundância no fundo.
Declara a morte do animal, toca de acender a carqueja e com ela esfregar bem o corpo do porco, enquanto uns vão repetindo esta operação; outros, com um pedaço de telha de canudo na mão, tratam de raspar a pele e outro vai lavando a pele suja do bicho, com água corrente tirada da fonte.
Pega-se, então, no porco e pendura-se na escadaria que leva ao andar superior da Casa da Comissão e toca de desmanchá-lo.
Como parece evidente, a matança do porco é algo que, querendo, compromete toda uma aldeia, homens e mulheres, novos e velhos, residentes ou vindos de fora.
O que é preciso é que se queiram fazer as coisas como deve ser e não arranjar desculpas mais ou menos esfarrapadas.
Assinado,
César Oliveira »
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- Imagens seleccionadas na Internet, entre a miríade
de fotos s/o deplorável tema.
- O autor do texto é meu homónimo
[ César ] porém, em nada subscrevo o que
acima está reproduzido.
A par das touradas e outros ambientes de tortura animal, luto também para que terminem estes espectáculos de morte,
tristemente festivos!

domingo, 14 de março de 2010

A SOPA DO SIDÓNIO - O PRESIDENTE REI





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A Sopa dos Pobres, não foi iniciativa de Sidónio Pais.
Durante a Monarquia, no Reinado de D. Carlos a Duquesa de Palmela e a Marquesa de Rio maior, tinham criado as Cozinhas Económicas, Sidónio Pais, como qualquer bom demagogo, apropriou-se da iniciativa.
Demagogo e manipulador. E segundo consta, Bon Vivan. Vestia as fardas "Arrmani", da época.
Exigia que tocassem o Hino, sempre que chegava, e pavoneava-se rodeado de uma corte de admiradoras.Um Casanova fardado pelos Estilistas desse tempo, que distribuia sorrisos e promessas.
Promessas que óbviamente, não cumpriu!O Povo acreditava que a sua vida iria melhorar.Mas a verdade é que o Povo estava tão farto da corrupção, das lutas internas, do tiroteio pelas ruas, da repressão da 1ª República, da miséria, da fome e da guerra, que acreditaria em tudo o que um Pavão sorridente lhes dissesse.
E como todo o político que se preza, negociou com o Vaticano. E ao permitir que a Igreja Católica criasse serviços de Assistência em Portugal, aumentou óbviamente a popularidade.
Mas não consta que a Maçonaria tivesse assassinado Sidónio Pais. Nem isso faria sentido.Tudo corria sob rodas para a Maçonaria mercantilista, sob a ditadura Sidonista, com os preços dos bens essenciais a aumentarem entre 30% a 90%.
Ninguém mata a galinha dos Ovos de Ouro, muito menos se a galinha lhe pertencer.
Sidónio Pais foi morto pelo Mediador do conflito que opunha uns esfomeados alentejanos, que se tinham apropriado de Terras e Celeiros, na sequência da repressão da Greve Geral de Novembro de 1918, organizada por alguns sectores Anarquistas, e o impotente governo de Sidónio.
José Julio da Costa, o Mediador, era um agrário de Garvão e empenhara a sua palavra, na garantia de que não haveria represálias para os sublevados.
Mas Sidónio Pais, que resolvia os problemas de Portugal com sorrisos, fardas Arrmani e Deportações, e não honrava compromissos, despachou os ditos esfomeados, de barco para Angola.
Para José Júlio da Costa, foi uma questão de Honra!
Sidónio Pais foi mais um Tirano, como Lenine, Trotsky e Hitler.
Portugal nada lhe deve!
Foi ele quem morreu em dívida, para com Portugal.
[Este texto é baseado numa opinião de fonte monárquica.]
As imagens foram seleccionadas na Internet.
À MEMÓRIA DO PRESIDENTE REI
Poema
de Fernando Pessoa
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(…)
Se Deus o havia de levar,
Para que foi que no-lo trouxe
- Cavaleiro leal, do olhar Altivo e doce?
Soldado-rei que oculta sorte
Como em braços da Pátria ergueu,
E passou como o vento norte Sob o ermo céu.
Mas a alma acesa não aceita
Essa morte absoluta, o nada
De quem foi Pátria, e fé eleita,
E ungida espada.
Se o amor crê que a Morte mente
Quando a quem quer leva de novo
Quão mais crê o Rei ainda existente
O amor de um povo!
Quem ele foi sabe-o a Sorte,
Sabe-o o Mistério e a sua lei.
A Vida fê-lo herói, e a Morte O sagrou Rei!
(…)
Mas a ânsia nossa que encarnara,
A alma de nós de que foi braço,
Tornará, nova forma clara,
Ao tempo e ao espaço.
Tornará feito qualquer outro,
Qualquer cousa de nós com ele;
Porque o nome do herói morto
Inda compele;
(…)
E qualquer gládio adormecido,
Servo do oculto impulso, acorde,
E um novo herói se sinta erguido
Porque o recorde!
Governa o servo e o jogral.
O que íamos a ser morreu.
Não teve aurora matinal 'Strela do céu.
Vivemos só de recordar.
Na nossa alma entristecida
Há um som de reza a invocar
A morta vida;
E um místico vislumbre chama
O que, no plaino trespassado,
Vive ainda em nós, longínqua chama - O DESEJADO.
Sim, só há a esp'rança, como aquela
- E quem sabe se a mesma? - quando
Se foi de Aviz a última estrela
No campo infando.
Novo Alcacer-Kibir na noite!
Novo castigo e mal do Fado!
Por que pecado novo o açoite
Assim é dado?
Só resta a fé, que a sua memória
Nos nossos corações gravou,
Que Deus não dá paga ilusória
A quem amou.
Flor alta do paul da grei,
Antemanhã da Redenção,
Nele uma hora encarnou o el-rei
Dom Sebastião.
(…)
E um novo verbo ocidental
Encarnado em heroísmo e glória,
Traga por seu broquel real
Tua memória!
Precursor do que não sabemos,
Passado de um futuro abrir
No assombro de portais extremos
Por descobrir,
Sê estrada, gládio, fé, fanal,
Pendão de glória em glória erguido!
Tornas possível Portugal Por teres sido!
Não era extinta a antiga chama
Se tu e o amor puderam ser.
Entre clarins te a glória aclama,
Morto a vencer!
E, porque foste, confiando
Em QUEM SERÁ porque tu foste,
Ergamos a alma, e com o infando
Sorrindo arroste,
Até que Deus o laço solte
Que prende à terra a asa que somos,
E a curva novamente volte
Ao que já fomos,
E no ar de bruma que estremece
(Clarim longínquo matinal!)
O DESEJADO
enfim regresse
A Portugal!
(Fernando Pessoa, poema integral)




NOTA: O Poeta Fernando Pessoa, contemporâneo
do Dr. Sidónio Pais - Presidente da República Portuguesa -
foi seu admirador. A sua abalizada opinião, inserida
no contexto do tempo, transmitiu-nos em Poesia o que
a inteligência lhe ditou!




sábado, 13 de março de 2010

OS MUNHOS... são MOINHOS




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.Os Munhos são Moinhos.
.“Quem um fole de milho carrega para o munho, tem que trazer de volta outro de farinha” .
.(Ditado popular).

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.Muitos de nós quando se fala de moinhos, imaginam um edifício redondo, branco, terminado em bico, com uma grande vela, movendo-se circularmente ao sabor do vento.
Não, não são esses os moinhos da Beira.
Dispersos pelas encostas, erguem-se em redor das aldeias, sempre junto a cursos de água. Os moinhos serranos são construções robustas e austeras, em pedra, e exteriormente muito parecidas com o lagar.
Mais pequenas, mas com a mesma forma grosseira de trapézio, são erigidas utilizando os mesmos materiais: pedra, telha de canudo, e grossas lajes de xisto.
Embora com as mesmas raízes ancestrais do lagar, como ele muito beneficiaram dos aperfeiçoamentos técnicos introduzidos pelos árabes, mas nunca atingiram o mesmo destaque na vida social das povoações.
Sendo ambas as construções muito antigas, que se confundem com a origem das aldeias, tal a sua importância no quotidiano das pessoas, divergem essencialmente nos conhecimentos necessários ao seu funcionamento e na quantidade de vezes que eram utilizados ao longo do ano. E ainda na importância relativa do produto que “fabricavam”.
O azeite é, desde há centenas de anos, um produto importante e necessário tal a forma como está enraizado na dieta alimentar dos serranos, mas ainda assim longe de ser um alimento vital como a farinha.
O centeio, o trigo, a castanha, e mais tarde, o milho eram a base alimentar das populações serranas. O desenvolvimento, dito natural, da nossa sociedade de consumo alterou um pouco estes hábitos. Hoje, comemos produtos derivados do milho, mais como um petisco do que fazendo parte dos nossos costumes alimentares. Mas, se recuarmos no tempo (e não são precisas muitas décadas), apercebemo-nos, facilmente, da importância destes cereais e do resultado da moagem da farinha, no quotidiano dos serranos.
A broa era o alimento que se comia todos os dias e, em tempos de crise, era muitas vezes o único. Os carolos (moagem mais grossa), além de fazerem parte dos pratos tradicionais, eram o único alimento para as crianças de colo. Naquele tempo não havia papas nem iogurtes e, depois de acabar o leite materno, restavam os carolos, que podiam ser misturados com mel ou leite de cabra. Mas isto era um luxo de que só algumas famílias podiam beneficiar. Mesmo nas festas, nos momentos de alegria e de comemoração, a farinha era imprescindível, dela se faz o bolo mais tradicional e apetecido da nossa terra: o pão-de-ló.
Abençoadas as mãos que ainda o sabem “amassar” e cozer na perfeição.
Esta necessidade evidente da farinha fazia com que os moinhos trabalhassem sempre, que tal era preciso. Por esta razão, não podia haver só um moinho e que funcionasse unicamente em determinada época do ano.Enquanto para a construção do lagar foi preciso juntar as famílias mais abastadas, para custear a sua construção, no caso dos moinhos, cada família com posses edificava o seu. Hoje, fruto de partilhas de várias gerações (o que em parte serve para confirmar a antiguidade destas construções), o lagar é comunitário, tal o número de pessoas que lá têm parte, enquanto os moinhos pertencem às várias famílias que os mandaram construir.
Segundo o levantamento que fizemos, existem ou existiram na Póvoa sete moinhos: Vale de Madeiros, Boiça Pereira, Forninhos, Vale-Servos, Coiceiros, e Amieiro, todos plurifamíliares, e o da Horta, talvez por ser o mais recente, pertencente a uma única família, os Serras.
Como dissemos no início, todos os moinhos se localizavam junto a cursos de água, pequenas ribeiras, fruto das inúmeras nascentes que salpicam os montes da Beira-Serra. Esta localização significa que os moinhos necessitam de água para trabalhar.
Ora, como acontece na maioria dos anos, muitas destas ribeiras ficam secas ou com caudal muito reduzido no Verão; nestes casos, era uma situação comum a todos eles, o milho tinha que ser moído na Ribeira de Praçais, no “munho” do Ti-Manel Barrocas, ou então em moinhos de maquia, como o da Mó. A farinha é que não podia faltar.
Moinhos de maquia eram aqueles, em que o moleiro antes de começar a moer o milho, retirava a sua parte, “a maquia”, normalmente uma medida correspondente a uma pequena caixa de madeira, com a forma de alqueire e equivalente a 2 celamins.
A moagem dos cereais, especialmente do milho, era um acto muito vulgar, por isso considerado menor. Envolvendo poucos riscos, bastava pôr a cale que transportava a água na direcção do moinho e acertar “o grau” da moagem. Era uma operação muito demorada e, talvez devido a isso, quase sempre entregue aos mais novos, aos rapazes e raparigas que, no campo, ainda não produziam como os “homens”.
Todos os ciclos importantes à vida quotidiana das populações têm um ponto alto, um dia de culto que os aldeões veneram e cumprem como um ritual, reminiscências óbvias de outros tempos, bem anteriores ao Cristianismo em que se veneram vários ídolos, supostamente com influência positiva nas colheitas e na vida simples das pessoas. O milho, por tão importante, também tinha o seu ritual: “a escapela” e “a debulha”.Estas animadas noites de trabalho colectivo eram ponto de encontro obrigatório a toda juventude da aldeia. Durante estas sessões, cantava-se ao desafio, contavam-se as velhas histórias das mouras encantadas e das almas atormentadas que penavam pelos arredores das aldeias, nas noites de maior escuridão. Quando acabavam cedo, muitas vezes estas cantorias transformavam-se em bailes muito concorridos e animados pelos instrumentos tradicionais, como a concertina, a guitarra ou a harmónica (gaita). Para a “malta” mais nova, era o princípio de uma noite de brincadeira e divertimento, que muitas vezes durava até de madrugada.
Nessas noites, muitos galos “voavam” das capoeiras e até os carros de bois, por vezes mudavam de lugar… No fundo a escapela, a debulha, como outras festas de cunho religioso ou profano, como a matança do porco, a festa anual em honra da Padroeira, a passagem do Entrudo, o Natal e a Páscoa, vinha alegrar e aligeirar o calendário da vida do serrano, tão dura e sacrificada durante o ano.
Os munhos foram edificados junto de pequenas ribeiras. As águas utilizadas para a rega dos lameiros eram, quando necessários, desviadas para o interior do munho. Começava, assim, o processo da moagem do cereal.
Esta operação do desvio da água fazia-se tapando o curso normal do riacho, obrigando este a tomar a direcção da cale (tubo aberto em madeira), para assim cair dentro do moinho, mesmo por cima do rodízio. O rodízio, situado na parte inferior e peça fulcral de todo o engenho, é uma roda de madeira que, com a força da água, roda e ao fazê-lo faz movimentar o fuso, também de madeira, que nele está encaixado. O fuso, no seu movimento giratório, fazia, então, mover as pedras (as mós) fixadas na sua parte superior e estas, por força do movimento imprimido, esmagavam os pequenos grãos que iam caindo muito lentamente da moega. A moega, um aparelho de madeira em forma de funil cortado transversalmente, era onde se colocava o cereal e tinha na sua parte mais próxima das pedras, e adelgaçada, a quelha onde caía o cereal. Estava suspensa da moega e dela saía a taramela que tinha na ponta uma roda de cortiça, a qual, rodando sobre a mó, agitava o cereal, fazendo-o cair.
O moinho fazia-se parar, impedindo a entrada de água para cima do rodízio, colocando no seu caminho outra peça de madeira: o pejadouro ou pejadoiro.
O cereal posto na moega, quase sempre carregado pelos mais novos, era transportado em foles contendo, por norma, entre um a dois alqueires.
Os foles eram sacas em pele de carneiro ou de cabra de grande impermeabilidade e resistência, que eram adquiridos aos “matadores” destes animais, quando atravessavam as aldeias, normalmente nas ocasiões mais festivas.
Não estando directamente associados a qualquer festividade, os munhos, são todavia, parte integrante e essencial da nossa história. A farinha, que produziam, era o néctar açucarado dos melhores petiscos, que alguma vez tivemos o prazer de provar.
A finalizar, deixamos no ar uma pergunta, na esperança de servir de reflexão a muitos dos, que ainda, sabem produzir a verdadeira comida serrana: porquê a broa, os carolos, e nabos de farinha, são cada vez mais raros nas mesas da nossa terra?
Restam felizmente, as filhós e o pão-de-ló.


[In “História da Comissão de Melhoramentos da Póvoa”;
adaptado de : Dr. António Ramos de Almeida]

quarta-feira, 10 de março de 2010

«POEMA que TRITURA SONHOS»




.AO
MOINHO QUE TRITURA
OS MEUS
E
OS SEUS SONHOS




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Moinho que tritura os meus e os seus sonhos
Moinho que alimenta emoções e afina canções
Moinho novo e antigo guardados em meu peito
Moinho de papel e de pedra, meus velhos amigos
Basta um homem que conheça a força da água
Basta no máximo um rasgo no encostado da serra
Basta que seja terra baixa, terra encharcada
Basta ser terra e que tope cultivar o amor
Tem que ter homens trabalhando sempre
Com chuva, com sol, com lua e com frio
São pastos de vacas leiteiras no dia de ontem
Hoje nada, nem o bezerro, pró homem com fome
Corta o capim, tritura a cana e mistura o feijão
Carrega o burro, separa o boi e prepara o doce
Recria a rapadura, feita pelo homem mole da terra
Que matando a abelha faz a divisa do coração
É preciso exportar a gravata e amar a pata pr'a se amar
É preciso ser peão p'ra aprender a rodar e encontrar o caminho
É preciso ser ninho onde se aprende a não ser sozinho
É preciso ser a terra que bem longe da guerra ama o vizinho
Moinho que moendo o milho faz o fubá e cria a família
Moinho que do trigo faz o pão e alimenta o povo faminto
Moinho que tritura a uva e faz o alimento sagrado
Moinho que dá o emprego e a paz pro universo unido
Moinhos de fubá de Maria e muitos “nãos” antes dos “sins”
Moinhos de fazendas onde as rendas não são rendas, são roupas
Moinhos de povos pobres onde os nobres são miseráveis
Moinhos de reis holandeses tocados por ventos de todo universo
Velho moinho de milho e de energia e do progresso possível
Velho moinho feito por meu pai, meu avó e fazendeiros amigos
Velho moinho a moer as razões e os milhos de todas as paixões
Velho moinho feito com fé, baptizado na pia e crismado.




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Imagem: seleccionada na Internet
Poema: Sem outra referência p/além da autoria de
- José M. Veríssimo [ano 2009]


Nota: Encontrou-se alguma curiosidade neste trabalho, devido à coincidência de se ter criado o MUNHO!... também com a designação oficial de Moinho de Fial.

terça-feira, 9 de março de 2010

OS MOINHOS de ÁGUA


Moinhos de água


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Moinhos de Água e Moinhos de Rodízio

O registo mais antigo que se conhece e que alude ao moinho de água de roda horizontal, encontra-se num epigrama de Antipratos de Salónica, o qual se presume date de 85 a.C..
Contudo, existem outros registos, nomeadamente arqueológicos, os quais apontam para a existência deste sistema na Dinamarca no século I a.C., e mencionado num poema na China do ano 31 da nossa era. Já relativamente ao moinho de água de roda vertical, é pela primeira vez mencionado por Vitrúvio numa obra datada de 25 a.C..
A roda horizontal à qual se chama rodízio, é composta por um conjunto de palas dispostas radialmente, as quais recebem a impulsão do jacto de água que nelas bate.
A difusão deste tipo de engenhos hidráulicos foi muito rápida por toda a Europa, devido à profusão e características dos cursos de água aí existentes. Na época medieval a sua posse era essencialmente um privilégio dos senhores feudais, os quais cobravam pesados impostos a quem os utilizasse.
O aumento da cultura dos cereais por parte de pequenas comunidades rurais, levou à crescente expansão principalmente dos moinhos de roda horizontal ou rodízio.
Em Portugal, a introdução dos moinhos de água deve-se presumivelmente aos Romanos, sendo o moinho de rodízio aquele que mais se difundiu, principalmente nas regiões do norte do país.
A sua utilização subsistiu até aos nossos dias e segundo o autor Jorge Dias, existiriam em Portugal no ano de 1968, cerca de 10.000 moinhos ainda em actividade, dos quais aproximadamente 7.000 seriam de água e destes 5.000 seriam de rodízio.
Moinhos de Rodete Submerso

Outro tipo existente de moinhos hidráulicos de roda horizontal, são os moinhos de rodete submerso. Este sistema utilizava uma roda larga e forte a que se dá o nome de rodete, trabalhando esta submersa dentro de uma câmara cilíndrica (poço de pedra ou dorna), onde a água ao entrar a faz girar num sistema de turbina.
Este tipo de moinhos era especialmente utilizado nas regiões onde o caudal dos rios era mais forte e onde era comum a água atingir níveis elevados.
Se no caso de um moinho com rodízio, este ficaria submerso impedindo a sua laboração, no caso do rodete esta poderia continuar a laborar.
A sua implementação verificou-se especialmente no sul do país, como por exemplo no rio Guadiana.

segunda-feira, 8 de março de 2010

« MUNHO... é o MOINHO de FIAL

Um moinho de água

Pombos na mira do milho a moer
em farinha

A mó desfazendo as sementes dos cereais


O ex-libris da Freguesia de Espírito Santo d´ Arca
e a sua famosa
Anta, ou Pedra d' Arca

O moinho de água de Fial, foi minha propriedade durante anos, resultando da herança do meu avô paterno, e situava-se numa das margens do rio Águeda.

Era o prédio urbano sito em Fial-Paranho, inscrito na matriz predial urbana da Freguesia de Arca, Concelho de Oliveira de Frades, com o rendimento colectável de quatro escudos e o valor matricial de sessenta escudos, sob o Artigo: 140; 43º. - tudo situado na maravilhosa Serra do Caramulo onde não nasci, mas estão cravadas fundo as minhas raízes, sacramentadas com o meu baptismo na Igreja de Paranho de Arca.

A anta que a fotografia mostra é de uma imponência invulgar e uma das mais belas e melhor conservadas que se conhece. Fui dono de um monumento pré-histórico durante mais de uma década. O Estado português sempre se alheou de fazer benefícios por aquelas paragens serranas. Porém, talvez receando que transportasse aquele Calhau gigante para algum paraíso fiscal, expropriou-me o bem a troco de nada, como aliás aconteceu com o moinho de Fial que também "ardeu" noutra expropriação, apesar de estar coberto de água por uma barragem que por lá construíram.

A Barragem tem nome, mas desprezo o assunto, como quase todo o resto, devido à forma pacóvia como os proprietários foram [mal] tratados pelas autoridades nacionais dos poderes concentrados na ministeriável Lisboa [uma sacanice PPD].

Desde que construí o blogue chamado Alfobre, que tinha este nome - MUNHO - em carteira, como segundo blog a dar-lhe a operacionalidade de escriba.

Acontece experimentar dar-lhe vida agora, para ver se a voz ruidosa do moinho a que os meus familiares chamavam, comendo letras para ser mais depressa, o munho, poderá substituir o Alfobre que, até prova em contrário alguém, intencionalmente ou não, o fez secar.

Se deixarem o MUNHO falar, talvez venha a fazer mais barulho que a pacatez de um campo de sementeira, berçário que foi de tantas plantas (...)

Perdidas nos tempos, ecoando pela serra do Caramulo, ainda oiço as vozes das minhas tias berrando para a minha avó Prudência Augusta:

- Ó minha mãe... vamos ao munho?

- Pois cantés! - respondia ela com esta expressão que quase ainda ninguém ouviu.

Ela era Celta.