domingo, 10 de junho de 2012

« TELEMÓVEIS... UM FASCÍNIO CONGÉNITO? »




Gostava de saber o fascínio que um bebé, uma criança pequena tem, por um "simples" telemóvel, ou ainda, por um "simples" comando de televisão. Há brinquedos coloridos, amarelos, verdes, encarnados, azulão, laranja, com cheiros, com música, tudo pensado para os pequenos petizes e... nada parece ter o fascínio de um comando de televisão, um telemóvel, um teclado! Serão os botões? Será o facto de não querermos que eles mexam neles, invocando a velha máxima do "fruto proibido ser o mais apetecido"?

Quando lemos livros sobre desenvolvimento infantil, em Psicologia, de facto não se vê qualquer abordagem a este fascínio, mas é um facto consumado que ele existe.

Existe e, sinceramente, não é agradável. Com tanta coisa interessante , tão didática para explorar, porque é que um objeto de graça discutível, cinzento, ganha pontos com tanta facilidade e sorrisos absolutamente irresistíveis?

Observa-se, dão-se voltas à cabeça para utilizar estratégias e maroscas, e nada ocorre como esclarecimento... 

Assusta, a tecnologia. Assusta, que este fascínio nasça "com o nascimento" e cresça com "o crescimento".

Dá que pensar a quantidade de sms que esta criançada  vai enviar na adolescência, no tempo que querem e vão querer passar... Assusta que meçam amizades conforme o número de sms enviadas, e que, quando estão juntos, não saibam conversar. Assusta que não se perceba o silêncio. Que não se saiba "estar" ao pé de, sem pretensões e sem barulhos.

Esconder todos os comandos e telemóveis lá de casa é uma ideia, mas em mero devaneio imaginário, pois  não é de todo exequível. Depois, há sempre a questão de não querermos as crianças numa redoma, de querermos que se apercebam do mundo tal como ele é e que saibam ser equilibradas. Tudo com bom senso, claro. Mas onde está ele? Por onde andará o bom senso nestes tempos que são os nossos, cheios de tvs, consolas, telemóveis, comandos e afins? Os chamados gadgets?

Por vezes apetece gritar, mas que se faça só por dentro... É que o bom senso ainda tem que ter lugar no nosso cérebro, e não convém deixar fazer transparecer aquilo que não é construtivo...

Será a única terapia a da substituição assertiva? Por tempo demais "qualidade", talvez: refeições, brincadeiras, serões, passeios e conversas com os pais, avós e a família alargada, com amigos bem escolhidos... Enfim, isso e o que formos descobrindo e partilhando.

Mas há que descobrir alguma coisa melhor que estas teledependências e virtualidades, 

não acham?