sábado, 4 de junho de 2011

« ASTÉRIX ... CONTRA A TROIKA 'ROMANA' DO FMI »



E... sem qualquer poção mágica, num claro desrespeito pelo Astérix do nosso imaginário, eis-nos à mercê da nossa pouca sorte, indefesos contra  as tiranias que temos pela frente.

Recordando o herói, visualize-se uma aldeia gaulesa, situada algures na Bretanha, durante a ocupação romana no ano 50 antes de Cristo. Cercada pelos acantonamentos  romanos de Petitbonum, Laudanun, Babaorum e Aquarium, é uma aldeia fiel à História, com uma pequena alteração: é a única a resistir tenazmente ao invasor com os seus cobradores de impostos injustos e o aniquilamento da soberania nacional, o que enfurecia o imperador Júlio César.

 O Chefe, Abraracourcix, e alguns habitantes da célebre aldeia gaulesa

É por esse facto que "As Aventuras de Astérix" acabam por seduzir. Pela inverosimilhança. Contudo, para os seus autores - o então já prolixo argumentista René Goscinny e o desenhador francês de origem italiana, Albert Uderzo - a intenção tinha sido somente concretizar algo de mítico.

Decididos a encontrar um herói com que de alguma maneira o leitor se pudesse identificar, Uderzo e Goscinny decidem recuar até à época de Vercingétorix, para aí estabelecerem algo que se ligasse  às raízes patrióticas do povo francês.



René Goscinny
Argumentista





Albert Uderzo
Desenhador

Nos anos 50, Astérix mostrava sinais do seu tempo, para deixar adivinhar toda uma época de banda desenhada infantil em plena expansão criativa, de que também faz parte. Era o prazer da descoberta dos locais e das diferentes geografias possibilitadas por um conjunto de heróis atípicos.



O druida Panoramix preparando a poção mágica



Obélix - que tinha efeitos permanentes da poção mágica - inseparável de Astérix




Em ambiências de caminho sempre aberto ao humor e à descoberta, as aventuras dos dois gauleses invencíveis - Astérix reforçado pela perspicácia e inteligência - desenrolam-se numa alegre pândega contra os opressores e exploradores, como se o pequeno e atarracado Astérix e o seu inseparável e obeso companheiro, Obélix, mais não fossem senão parodiantes ambulantes, fazendo a vida negra aos altivos exércitos romanos.

Numa série onde as atribulações destes acontecem a cada momento, outros elementos viriam, para possibilitar ainda mais o sucesso. A começar na galeria de personagens: o peixeiro Ordralfabétix, o chefe Abraracourcix ou o druida Panomarix, que colhe o visco para preparar a poção mágica no grande caldeirão - eram tudo elementos para que o sucesso não tardasse. E, de facto, choveram celebrações críticas por parte da imprensa e do público. Segundo o próprio Uderzo, referindo-se aos argumentos de Goscinny, a série "tem um humor muito particular, que sabe extrair o essencial dos costumes, que mistura elementos da cultura de determinado povo com outros da nossa civilização atual".
Com a morte, em 1997, do argumentista René Goscinny, muitos previram o fim da série, mas Uderzo deu um passo significativo na sua carreira ao mostrar-se um autor completo. Era um repto, e possibilitou novamente o sucesso comercial a um dos mais bem-sucedidos universos ficcionais das últimas décadas.







Já nessa altura, Uderzo acreditou manter-se fiel à "pureza" inicial. No entanto, por razões de lógica de mercado ou de algum cansaço, a série passou a ser apenas mais um herói no panorama editorial. Mas, talvez nem os próprios leitores já se importassem. Como se Astérix e Obélix estivessem condenados a percorrer os mesmo passos algures na aldeia gaulesa, enquanto comem javalis e arrasam hostes romanas; ou a impedir que o bardo Assurancetourix cante no final, como sempre!


Já correram pelo mundo antigo espalhando o bem, defendendo os fracos, desprotegidos e oprimidos. Era interessante que, fizessem uma viagem no tempo e dessem uma perninha até cá,  pelo burgo.




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