sexta-feira, 1 de abril de 2011

« LE PETIT PRINCE (...) de SAINT- EXUPÉRY »



Foto de  Saint-Exupéry  aos comandos do seu avião


Pulseira  do aviador  Saint-Exupéry 
recuperada anos após a sua morte no combate aéreo



 Antoine de Saint-Exupéry 

Antoine de Saint-Exupéry foi um famoso escritor francês que nasceu a 29 de Junho de 1900, em Lyon. Já em pequeno sentia uma grande vocação para a aventura. A sua maior ambição era ser oficial da marinha, mas como reprovou no exame de admissão, optou pela aviação e tornou-se piloto aos 27 anos.

Devido a problemas financeiros da companhia de aviação tornou-se jornalista e viajou por todo o mundo. Quando começou a 2ª Guerra Mundial, alistou-se no exército francês, mas teve que abandonar o seu país natal e refugiar-se nos EUA, onde se alistou como voluntário para a Força Aérea Americana. 

Foi aí que começou a sua carreira de escritor. Participou em várias missões sobre o território francês, mas, a 31 de Junho de 1944, o seu avião foi abatido sobre a Ilha de Córsega, por pilotos alemães, tendo falecido. 

As principais obras de Saint-Exupéry são: “ Carta a um Refém” (1943), “Correio do Sul” (1929), “Voo da Noite” (1931) “Terra dos Homens” (1939), “Piloto de Guerra” (1942) e “O Principezinho” (1943). Escreveu também artigos para várias revistas e jornais de França e outros países sobre a guerra civil espanhola e a ocupação alemã da França, entre muitos outros assuntos.


Vídeo-clip p/ acompanhar o texto ao som da música





O Principezinho 

Publicado em 1943, em plena segunda guerra mundial, O Principezinho de Antoine de Saint-Exupéry, fala-nos, através dos olhos de uma criança que não quer crescer, do mundo complicado em que vivem os adultos.

É um dos mais belos livros do mundo. Escrito com a forma de um conto infantil, é principalmente um livro para adultos que chama a atenção para coisas que parecem insignificantes, mas que são muito importantes.

Conta-nos a história de um menino que vivia num asteróide, um planeta pequenino, com os seus vulcões em miniatura e a sua linda rosa vermelha. Usava um longo cachecol a flutuar ao vento.

Um dia, resolveu fugir do seu pequeno planeta para se afastar de uma rosa, de quem gostava muito e por quem fazia tudo para manter viva, mas que, apesar disso, o tratava mal com os seus caprichos. Até chegar à Terra, onde encontrou um grande amigo que depois contou a história desse menino, passa por seis planetas, onde conhece algumas personagens que o ajudam a conhecer o verdadeiro significado e valor da amizade.

Neste livro, cheio de desenhos maravilhosos, o autor mostra-nos a importância da amizade e faz-nos pensar como precisamos uns dos outros. 

É um livro que aconselho a todos, jovens e adultos, até porque todos já foram crianças... mas alguns já se esqueceram!

{Excerto de uma das mais belas partes da obra}




Foi então que apareceu a raposa.

- Olá, bom dia! - disse a raposa.
- Olá, bom dia! - respondeu delicadamente o principezinho que se voltou mas não viu ninguém.
- Estou aqui - disse a voz - debaixo da macieira.
- Quem és tu? - perguntou o principezinho. - És bem bonita...
- Sou uma raposa - disse a raposa.

(...)

- Anda brincar comigo - pediu-lhe o principezinho. - Estou triste...
- Não posso ir brincar contigo - disse a raposa. - Não estou presa...

(...)

- O que é que "estar preso" quer dizer - disse o principezinho?
- É a única coisa que toda a gente se esqueceu - disse a raposa. - Quer dizer que se está ligado a alguém, que se criaram laços com alguém.
- Laços?
- Sim, laços - disse a raposa. - Ora vê: por enquanto, para mim, tu não és senão um rapazinho perfeitamente igual a outros cem mil rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Por enquanto, para ti, eu não sou senão uma raposa igual a outras cem mil raposas. Mas, se tu me prenderes a ti, passamos a precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E, para ti, eu também passo a ser única no mundo...

(...)

- Mas a raposa voltou a insistir na sua ideia:- Tenho uma vida terrivelmente monótona. Eu, caço galinhas e os homens, caçam-me a mim. As galinhas são todas iguais umas às outras e os homens são todos iguais uns aos outros. Por isso, às vezes, aborreço-me um bocado. Mas, se tu me prenderes a ti, a minha vida fica cheia de sol. Fico a conhecer uns passos diferentes de todos os outros passos. Os outros passos fazem-me fugir para debaixo da terra. Os teus hão-de chamar-me para fora da toca, como uma música. E depois, olha! Estás a ver, ali adiante, aqueles campos de trigo? Eu não como pão e, por isso, o trigo não me serve de nada. Os campos de trigo não me fazem lembrar de nada. E é uma triste coisa! Mas os teus cabelos são da cor do ouro. Então, quando eu estiver presa a ti, vai ser maravilhoso! Como o trigo é dourado, há-de fazer-me lembrar de ti. E hei-de gostar do barulho do vento a bater no trigo...A raposa calou-se e ficou a olhar durante muito tempo para o principezinho.

- Por favor...Prende-me a ti! - acabou finalmente por dizer.

(...)

- E o que é que é preciso fazer? - perguntou o principezinho.
- É preciso ter muita paciência. Primeiro, sentas-te um bocadinho afastado de mim, assim, em cima da relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não me dizes nada. A linguagem é uma fonte de mal entendidos. Mas todos os dias te podes sentar um bocadinho mais perto...O principezinho voltou no dia seguinte.

(...)

Foi assim que o principezinho prendeu a raposa. E quando chegou a hora da despedida:
- Ai! - exclamou a raposa - ai que me vou pôr a chorar...
- A culpa é tua - disse o principezinho.
- Eu bem não queria que te acontecesse mal nenhum, mas tu quiseste que eu te prendesse a mim...
- Pois quis - disse a raposa.
- Mas agora vais-te pôr a chorar! - disse o principezinho.
- Pois vou - disse a raposa.
- Então não ganhaste nada com isso!
- Ai isso é que ganhei! - disse a raposa.
- Por causa da cor do trigo...

(...)

E então voltou para o pé da raposa e disse:
- Adeus...
- Adeus - disse a raposa.
- Vou-te contar o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos...
- O essencial é invisível para os olhos - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Os homens já se esqueceram desta verdade - disse a raposa. - Mas tu não te deves esquecer dela. Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que cativaste. Tu és responsável pela tua rosa...






(O Principezinho - Antoine de Saint-Exupéry)

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4 comentários:

Swt disse...

É uma obra imortal, pequeno e Grande livro!
O sucesso penso estar no bom gosto com que os sentimentos que o comum das pessoas demonstram perante algumas situações e nalgumas etapas da vida. É como se olhar-se ao espelho!
E as imagens são perfeitas!
Precisamente, não fugindo à regra, a parte que mais gosto é precisamente a "minha rosa".

Luisa disse...

E....este livro cativou-me... assim como a ternura deste post. Há pessoas que não se querem prender, pobres delas!

Beijinho

lusibero disse...

César: sobre "O Principezinho", fizeste um trabalho notável! Dei-o aos meus alunos, quando tive que escolher uma obra de leitura obrigatória,para os 9ºs anos!
Acabei de ler"Memórias da Rosa", de CONSUELO DE SAINT-EXUPÉRY, mulher da vida de ANTOINE de SAINT EXUPÉRY, que conta a vida e o amor deles, com-pelo meio- "carradas" de casos que ele teve e que ela fez de conta que desconhecia.
Se puderes, lê, que é interessante.
Beijo amigo
lisa

momo disse...

Que lindo suena en portugués...
un beijo y feliz lo que queda de domingo.........