sábado, 13 de novembro de 2010

« CÁRMEN de BIZET - "C'est toi! ... C'est moi! " »

Georges Bizet
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(1838-1875)

Georges BIZET, notável compositor francês, autor de: O Pescador de pérolas; A Linda Jovem de Perth; Cármen; Arlesiana.
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As sua obras, sobretudo as duas últimas, caracterizam-se pela técnica perfeita e são notabilíssimas pelo colorido, pela verdade dramática e pela inspiração.







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Os episódios que rodearam a estreia de "Cármen", a mais famosa ópera de Bizet - e uma das partituras operáticas mais admiráveis de todos os tempos - também constitui um dos acontecimentos mais trágicos e repulsivos de toda a História da Música.
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Poder-se-á sem dúvida encarar como uma página vergonhosa na história de uma certa crítica musical e na irresponsabilidade com que determinadas pessoas escrevem o que lhes vem à cabeça acerca de grandes artistas, ou porque embirram pessoalmente com eles, ou por pura estupidez, insensibilidade artística e, sobretudo, inveja...

A figura de "Cármen", a cigana que trabalhava numa fábrica de tabaco em Sevilha e vivia no meio de marginais, contrabandistas e diversos tipos de arruaceiros, ocupou durante largos anos o pensamento do jovem compositor francês Georges Bizet, nascido em 1838 e morto, muito provavelmente por suicídio, em 1875, pouco depois da estreia desta sua ópera em Paris.
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Houve personalidades femininas cujo carácter e comportamento terão influenciado desde longa data o compositor. E ainda que o libretto da "Cármen" fosse extraído a uma novela de Prosper Mérimée e escrito em conjunto por Henri Meillac e Ludovic Halévy, a verdade é que Bizet cedo se apaixonou por essa figura ou por esse tipo de figuras, relacionando-as, por exemplo, com uma tal Celeste Mogador, escritora, dançarina e aventureira com larga crónica no seu tempo, com quem tentou estabelecer, embora sem ser correspondido, uma relação de carácter mais íntimo...
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Na realidade, Celeste Mogador mostrou que era uma mulher sensível e responsável, ao sentir que poderia ter uma acção nociva no psiquismo do seu jovem apaixonado, um rapazinho ingénuo e naturalmente bem-comportado, que se perdera de amores por ela, nomeadamente ao ouvi-la cantarolar num qualquer Café-concerto uma cançoneta chamada "Ay Chiquita"...
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Este terá sido o primeiro contacto de Bizet com a música espanhola. E, por curiosidade, foi mais tarde encontrada em casa do músico uma colectânea de canções de um tal Sébastien Yradier, uma das quais serviu em absoluto de modelo à famosa Habanera da "Cármen" e dizia assim: - "Chinita mia, ven por aqui, que tu ya sabes que muero por ti"...
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Há frases num livro de memórias de Celeste Mogador que poderiam perfeitamente encaixar-se na figura da cigana Cármen, tais como: "Nenhuma mulher teve tanto prazer em dizer sim como eu em dizer não"; ou ainda: "Eu amo com paixão e detesto com raiva, pois não está no meu carácter sujeitar-me a meias-medidas"...
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Quando conheceu Celeste Mogador, tudo indica que Bizet nunca tivesse tomado ainda contacto com a novela de Mérimée, mas a figura da Cármen, um símbolo de erotismo, já se tinha desde há muito instaurado no seu espírito.
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Esse erotismo é uma das características mais intensas da música da "Cármen", ópera em que a figura masculina de Dom José também tem, por sua vez, muito da ingenuidade natural do próprio Bizet.
A "Cármen" é uma obra-prima que foi rapidamente saudada como tal, por figuras como Nietzsche, Saint. Saens, Tschaikowsky, Mahler, Brahms ou o próprio Wagner, mas a sua estreia, meses antes, em Paris, levou uma crítica de jornal diário - assinada por nomes perfeitamente ignotos e para sempre esquecidos - a arrasar de tal forma a obra, que o compositor entrou num estado de profunda depressão e, segundo alguns dados que se possuem, muito indica que terá acabado por se suicidar.
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Pouquíssimo tempo depois, o mundo inteiro saudava Bizet - já desaparecido - como um Génio!
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Até quando... se permitirá... que tais injustiças 'criminosas' se repitam,
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e passem impunes ...


= o =

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CÁRMEN, Ópera de 4 Actos, trata-se de uma composição cheia de vida, de cor e da mais intensa comoção dramática.
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O libretto foi extraído da novela Cármen, de Prosper Merimée, por H. Meilhar e L. Halévy.
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Dom José, Brigadeiro de Dragões, por amor à cigana Cármen, deserta e fez-se contrabandista.
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Cármen abandonou-o, por um toureiro e...
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Dom José... acaba por matar a mulher que amava...!

3 comentários:

Luisa disse...

Que bom gosto, César.

Deu-me vontade de ouvir “Carmen”, vou procurar o CD.

Gostei, da dissertação sobre Bizet. É sempre bom saber algo sobre um compositor, quando escutamos as suas músicas.

Regra geral, os grandes artistas só serão reconhecidos depois da morte.

Beijinho

Luísa

César Ramos disse...

Luísa,

Não será novidade o que vou acrescentar, mas o YouTube tem a ópera toda, por fases.

Pretendi ilustrar a última parte do post com o 4º Acto, que é o que tenho no título: C'est toi!... C'est moi!
Porém... como a cena é violenta,
"aquilo resolveu" não sair!...

É um pouco feio, mostrar Dom José a esfaquear Cármen...matando-a!

Beijinhos

César

momo disse...

Que hermosa entrada amigo...y que gusto da aprender de unos y otros...yo tambi´ne extraño mis puentes cuando por distintas razones me alejo de ellos.
Pero es lindo haberlos creado.
escucha esa voz ..
un abrazo

http://www.youtube.com/watch?v=SqGOnXp0aT4&feature=fvw