sábado, 30 de outubro de 2010

« PORTUGAL VISTO PELO "PRAVDA" »

Antiga máquina de escrever portátil
com caracteres cirílicos
do
Jornal PRAVDA
(Verdade em russo)



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« PRAVDA »




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Amostra de um exemplar do Pravda



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.Artigo traduzido do Jornal russo Pravda [ Verdade ] sobre Portugal, da autoria do jornalista
Timothy Bancrof-Hinchey




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« Foram tomadas medidas draconianas em Portugal pelo Governo
liberal de José Sócrates, um caso de um outro governo de centro-direita
pedindo ao povo Português para fazer sacrifícios, um apelo repetido vezes
sem fim a esta nação trabalhadora, sofredora, historicamente deslizando cada
vez mais no atoleiro da miséria.

E não é por eles serem portugueses.

Vá ao Luxemburgo, que lidera todos os indicadores socio-económicos, e você
vai descobrir que doze por cento da população é portuguesa, o povo que
construiu um império que se estendia por quatro continentes e que controlava
o litoral desde Ceuta, na costa atlântica, tornando a costa africana até ao
Cabo da Boa Esperança, a costa oriental da África, no Oceano Índico, o Mar
Arábico, o Golfo da Pérsia, a costa ocidental da Índia e Sri Lanka. E foi o
primeiro povo europeu a chegar ao Japão….e Austrália.

O Primeiro Ministro José Sócrates lançou uma nova onda dos
seus pacotes de austeridade, corte de salários e aumento do IVA, mais
medidas cosméticas tomadas num clima de política de laboratório por
académicos arrogantes e altivos desprovidos de qualquer contacto com o mundo
real, um esteio na classe política elitista portuguesa no Partido social
democrata e Partido socialista, gangorras [armadilhas] de má gestão política
que têm assolado o país desde os anos 80.

O objectivo? Para reduzir o défice. Por quê?

Porque a União Europeia assim o diz. Mas é só a UE?

Não, não é. O maravilhoso sistema em que a União Europeia deixou-se ser
sugada, é aquele em que a agências de Ratings, Fitch, Moody's e Standard and
Poor's, baseadas nos Estados Unidos da América (onde havia de ser?) virtual
e fisicamente controlam as políticas fiscais, económicas e sociais dos
Estados-Membros da União Europeia através da atribuição das notações de
crédito.

Com amigos como estes organismos, e Bruxelas, quem precisa de inimigos?

Sejamos honestos. A União Europeia é o resultado de um pacto forjado por
uma França tremente e com medo, apavorada com a Alemanha depois que suas
tropas invadiram seu território três vezes em setenta anos, tomando Paris
com facilidade, não só uma vez mas duas vezes, e por uma astuta Alemanha
ansiosa para se reinventar após os anos de pesadelo de Hitler. França tem a
agricultura, a Alemanha ficou com os mercados para sua indústria.

E Portugal? Olhem para as marcas de automóveis novos conduzidos por
motoristas particulares para transportar exércitos de "assessores" (estes
parecem ser imunes a cortes de gastos) e adivinhem de qual país eles vêem ?
.
Não, eles não são Peugeot e Citroen ou Renault. Eles são Mercedes e BMWs.
Topo-de-gama, é claro.

Os sucessivos governos formados pelos dois principais partidos, PSD
(Partido Social Democrata, direita) e PS (Socialista, de centro), têm
sistematicamente jogado os interesses de Portugal e dos portugueses pelo
esgoto abaixo, destruindo sua agricultura (agricultores portugueses são
pagos para não produzir) e sua indústria (desapareceu) e sua pesca
(arrastões espanhóis em águas lusas), a troco de quê?

O quê é que as contra-partidas renderam, a não ser a aniquilação total de
qualquer possibilidade de criar emprego e riqueza sem uma base sustentável?

Aníbal Cavaco Silva, agora Presidente, mas primeiro-ministro durante uma
década, entre 1985 e 1995, anos em que estavam despejando bilhões através
das suas mãos a partir dos fundos estruturais e do desenvolvimento da UE, é
um excelente exemplo de um dos "melhores" políticos de Portugal. Eleito
fundamentalmente porque ele é considerado "sério" e "honesto" (em terra de
cegos, quem tem olho é rei), como se isso fosse um motivo para eleger um líder
(que só em Portugal, é) e como se a maioria dos restantes políticos (PSD/PS)
fossem um bando de sanguessugas e parasitas inúteis (que são), ele é o pai
do défice público em Portugal e o campeão de gastos públicos.

A sua “política de betão” foi bem concebida, mas como sempre, mal planeada,
o resultado de uma inepta, descoordenada e, às vezes inexistente localização
no modelo governativo do departamento do Ordenamento do Território, vergado,
como habitualmente, a interesses investidos que sugam o país e seu povo.

Uma grande parte dos fundos da UE foi canalizada para a construção de
pontes e auto-estradas para abrir o país a Lisboa, facilitando o transporte
interno e fomentando a construção de parques industriais nas cidades do
interior para atrair a grande parte da população que assentava no litoral.

O resultado concreto, foi que as pessoas agora tinham os meios para fugirem
do interior e chegar ao litoral ainda mais rápido. Os parques industriais
nunca ficaram repletos e as indústrias que foram criadas, em muitos casos já
fecharam.

Uma grande percentagem do dinheiro dos contribuintes da UE vaporizou em
empresas e esquemas fantasmas. Foram comprados Ferraris. Foram encomendados
Lamborghini. Maserati. Foram organizadas caçadas de javali em Espanha. Foram
remodeladas casas particulares. O Governo e Aníbal Silva ficou a observar,
no seu primeiro mandato, enquanto o dinheiro foi desperdiçado. No seu
segundo mandato, Aníbal Silva ficou a observar os membros do seu governo a
perderem o controlo e a participarem.

Então, ele tentou desesperadamente distanciar-se do seu próprio partido
político. E ele é um dos melhores.

Depois de Aníbal Silva veio o bem-intencionado e humanitário, António
Guterres (PS), um excelente Alto Comissário para os Refugiados e um
candidato perfeito para Secretário-Geral da ONU, mas um buraco negro em
termos de (má) gestão financeira. Ele foi seguido pelo diplomata excelente,
mas abominável primeiro-ministro José Barroso (PSD)
(agora Presidente da Comissão da EU, “Eu vou ser primeiro-ministro,
só que não sei quando”) que criou mais problemas com seu discurso
que ele resolveu,
passou a batata quente para Pedro Lopes (PSD),
que não tinha
qualquer hipótese ou capacidade para governar e não
viu a armadilha, resultando em
dois mandatos de José Sócrates:
um Ministro do Ambiente competente,
que até formou um bom governo
de maioria e tentou corajosamente corrigir erros
anteriores. Mas foi
rapidamente asfixiado por interesses instalados.


Agora, as medidas de austeridade apresentadas por este primeiro-ministro,
são o resultado da sua própria inépcia para enfrentar esses interesses, no
período que antecedeu a última crise mundial do capitalismo (aquela em que
os líderes financeiros do mundo foram buscar três triliões de dólares de um
dia para o outro para salvar uma mão cheia de banqueiros irresponsáveis,
enquanto nada foi produzido para pagar pensões dignas, programas de saúde ou
projectos de educação).

E, assim como seus antecessores, José Sócrates, agora com minoria,
demonstra falta de inteligência emocional, permitindo que os seus ministros
pratiquem e implementem políticas de laboratório, que obviamente serão
contraproducentes.
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Pravda.Ru entrevistou 100 funcionários, cujos salários
vão ser reduzidos. Aqui estão os resultados:

Eles vão cortar o meu salário em 5%, por isso vou trabalhar menos (94%) .

Eles vão cortar o meu salário em 5%, por isso vou fazer o meu melhor para me
aposentar cedo, mudar de emprego ou abandonar o país (5%)

Concordo com o sacrifício (1%). Um por cento!!

Quanto ao aumento dos impostos, a reacção imediata será que a economia
encolhe ainda mais enquanto as pessoas começam a fazer reduções simbólicas,
que multiplicado pela população de Portugal, 10 milhões, afectará a criação
de postos de trabalho, implicando a obrigatoriedade do Estado a intervir e
evidentemente enviará a economia para uma segunda (e no caso de Portugal,
contínua) recessão.

Não é preciso ser cientista de física quântica para perceber isso. O idiota
e avançado mental que sonhou com esses esquemas, tem resultados num pedaço
de papel, onde eles vão ficar. É verdade, as medidas são um sinal claro para
as agências de ratings que o Governo de Portugal está disposto a tomar
medidas fortes, mas à custa, como sempre, do povo português.

Quanto ao futuro, as pesquisas de opinião providenciam uma previsão de um
retorno para o PSD, enquanto os partidos de esquerda (Bloco de Esquerda e
Partido Comunista Português) não conseguem convencer o eleitorado de suas
ideias e propostas.

Só em Portugal, a classe elitista dos políticos PSD/PS seria capaz de punir
o povo por se atrever a ser independente. Essa classe, enviou os interesses
de Portugal no ralo [esgoto], pediu sacrifícios ao longo de décadas, não produziu
nada e continuou a massacrar o povo com mais castigos.
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Esses traidores estão levando cada vez mais portugueses a
questionarem se deveriam ter sido
assimilados há séculos, pela Espanha!

Que convidativo, o ditado português “Quem não está bem, que se mude”. Certo,
bem longe de Portugal, como todos os que possam, estão fazendo.
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Bons estudantes a jorrarem pelas fronteiras fora. Que comentário lamentável para
um país maravilhoso, um povo fantástico, e uma classe política abominável.»

Timothy Bancroft-Hinchey

Pravda.Ru




Imagens: Net
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1 comentário:

Swt disse...

Há um misto de sentimentos que sentimos ao ler este artigo.É o nosso retrato! Talvez que escrito por um estrangeiro tenha mais impacto e se compreenda que ao comum dos portugueses não restam muitas saídas.Como diz o meu irmão isto é tal qual um Tsunami que leva muitos de nós nesta onda.