domingo, 17 de outubro de 2010

« MALEFÍCIOS do TABACO, de TCHEKHOV... E NÃO SÓ! »

PULMÃO SADIO v/s PULMÃO de FUMADOR




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«O tabaco é uma autêntica arma de fogo»



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«"MUNIÇÕES" GASTAS»



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“Os Malefícios do Tabaco” («O vrede Taboka») é uma peça de Anton Tchekhov, que retrata a vida de um homem amargo e de aparência gasta que é obrigado pela sua esposa, com quem partilha um casamento há mais de 30 anos, a fazer uma conferência para fins beneficentes acerca dos malefícios do uso e abuso do tabaco.

Todavia a sua vida privada acaba por ser o tema principal da conferência que está a apresentar. Foca os maus-tratos vindos da sua mulher, o desprezo vindo das suas filhas e o trabalho de escravidão a que é obrigado. Trata-se de um monólogo do qual a nossa atenção não consegue fugir.

Nesta breve “cena”, tal como o autor a designa, revela-se o trágico humor de Tchekhov, que já então se notabilizara como novelista mas que ainda não lograra impor-se como dramaturgo.

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Uma reivindicação para cumprir
O
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No que toca ao cancro do pulmão, não há dúvida: o tabaco é o principal suspeito e com toda a razão. É que 85% destes tumores têm o fumo na sua origem. Talvez por isso “devia ter deixado de fumar” seja um desabafo comum a quem recebe um diagnóstico tão grave. Só que muitas vezes já é tarde demais...

Avança silenciosamente esta a que poderemos chamar a doença dos fumadores. Por ter no tabaco a sua principal causa, os seus sinais podem confundir-se com os de outros associados às demais patologias do tabagismo, como a bronquite crónica do fumador. A primeira denúncia de que algo vai mal nos pulmões é uma tosse persistente, aquilo a que chamamos catarro. Mas os fumadores habituam-se a conviver com este incómodo, fumando cigarro atrás de cigarro e ignorando os primeiros gritos do seu corpo já potencialmente minado.

Quando se começam a assustar é quase sempre quando a tosse é acompanhada de expectoração e, um dia, nela descobrem laivos de sangue. Aí sim, preocupam-se. E o mais provável é nessa altura já exibirem outros sintomas: o mais provável é já terem dificuldade em respirar, é sentirem-se cansados com facilidade, perderem o apetite e, com eles, demasiados quilos, e queixarem-se de dores inesperadas mas persistentes no tórax.

Nessa altura já existe um compromiso claro das funções pulmonares. Nessa altura já pode ser tarde demais e, normalmente, é-o. O diagnóstico precoce do cancro do pulmão é muito difícil, quer porque, como já se disse, os sintomas se assemelham aos de outras doenças do fumador, quer porque o próprio doente raramente procura o médico aos primeiros sinais de alarme. Além do mais, a doença pode já estar presente sem que se manifestem sintomas. Ela avança silenciosamente, podendo levar vários anos a desenvolver-se.

Numa radiografia ao tórax, uma simples sombra, sem contornos definidos, pode ser o primeiro indício. Porém, a verdade é que para que um tumor seja visível num raio-X é preciso que tenha mais de um centímetro de diâmetro. Ora isso significa que a célula original que degenerou já se multiplicou 36 vezes, o mesmo é dizer que a doença se encontra já numa fase adiantada.

A radiografia é, regra geral, o primeiro dos meios de diagnóstico, mas não fornece provas seguras da existência de cancro, pelo que deve ser complementada com outros exames. Os passos seguintes consistem numa citologia da expectoração (análise microscópica de uma amostra) e numa broncoscopia (através de um tubo de fibra óptica é possível visualizar internamente a árvore traqueo-brônquica). Uma biópsia (exame de uma amostra de tecido) permitirá confirmar o diagnóstico e identificar o tipo de cancro de acordo com as características das suas células. Finalmente, uma TAC (tomografia axial computorizada) possibilita a avaliação da dimensão do tumor e da eventual extensão a áreas adjacentes aos pulmões.

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Para muitos doentes, o diagnóstico chega tarde demais. De tal forma que só em 10% dos casos é possível a cura, o mesmo é dizer que apenas um em cada dez doentes estará vivo ao fim de cinco anos. Para esta baixa taxa de sucesso em muito contribuem as recidivas: é que há muitos indivíduos que continuam a fumar mesmo após a intervenção terapêutica.

E que terapêutica? Num em cada cinco doentes, a cirurgia é possível, desde que o cancro não se tenha propagado para além do pulmão, se estiver muito próximo da traqueia ou se o doente sofrer de outra doença grave, como insuficiência cardíaca. Antes da decisão, o médico avalia a função respiratória do doente, de modo a determinar se o pulmão remanescente tem ou não capacidade suficiente para assegurar a autonomia do sistema. Porém, nem sempre é necessário extirpar a totalidade do pulmão, podendo remover-se apenas uma parte, isto é, um lobo pulmonar.

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Aos doentes que não podem ser operados é possível aplicar tratamentos de radioterapia, tendo como objectivo retardar a evolução do tumor. A cura já não é a meta, além de que esta terapia pode ter como efeitos secundários uma inflamação do pulmão. Tosse, dificuldades respiratórias e febre são os sinais de alerta.

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Quanto à quimioterapia, é uma opção terapêutica geralmente aplicada no chamado cancro de células pequenas – de evolução muita rápida e propagação fácil a outras partes do corpo (metástases). Por vezes combinada com radioterapia, tem o mérito de prolongar a vida a uma percentagem considerável de doentes.

- Fumadores passivos também em risco

Em
matéria de cancro do pulmão, uma coisa é certa: o tabaco é a sua principal causa. A Ciência e a Medicina provam-no e os próprios fumadores identificam correctamente as consequências do seu vício. E por via do tabaco os homens são, quantitativamente falando, as principais vítimas. Porque fumam mais e há mais tempo. Mas as mulheres têm vindo a encurtar a distância. Basta olhar para a História recente, com as mulheres a adoptarem o cigarro em nome da igualdade, para se perceber que assim seja. Actualmente, parece mesmo haver uma ligeira diminuição do tabagismo masculino, contra uma crescente generalização entre o sexo feminino.

Oito em cada dez casos de cancro do pulmão devem-se ao tabaco. E o risco é tanto maior quanto mais se fuma. Aliás, basta fazer contas e aplicar uma fórmula simples: número de anos de fumador vezes o número de maços por dia. Contas não poderão fazer os não fumadores, mas eles também são vítimas desta doença: basta que inalem o fumo de outros, o que torna os espaços públicos, entre eles os locais de trabalho, verdadeiras armadilhas para os chamados fumadores passivos.

.Aliás, uma em cada oito pessoas afectadas pelo cancro do pulmão nunca fumou. São vítimas inocentes. Tal como as pessoas expostas, em consequência da sua actividade profissional, a elementos cancerígenos como o amianto, arsénico, crómio, níquel e radão. São, contudo, casos residuais.

.Perante uma doença que quase sempre é detectada demasiado tarde, perante taxas de sobrevida pouco elevadas, perante uma doença que tem como causa praticamente exclusiva o tabaco, que prevenção? A resposta é só uma: deixar de fumar. E reflectir no facto de o cancro do pulmão ser a principal causa de morte por cancro entre os homens desde 1955 e entre as mulheres desde 1985.

Boas Razões

A luta anti-tabágica é uma das missões do Instituto Nacional de Cardiologia Preventiva. Na sua página na Internet estão elencadas boas razões para deixar de fumar, que aqui reproduzimos:

- O fumo do cigarro contém cerca de 4.000 químicos. Os mais venenosos são: amoníaco, arsénico, butano, hidrogénio cianide, metano, cádmio, monóxido de carbono, e por último mas de modo algum o menos venenoso, a nicotina.
- A nicotina aumenta a sua pressão arterial e o seu ritmo cardíaco. Quando inala, o alcatrão do fumo do cigarro transporta a nicotina para o seu pulmão. A nicotina é libertada no fluxo sanguíneo, no entanto o alcatrão permanece nas zonas mais delicadas dos seus pulmões.
- As doenças relacionadas com o tabaco incluem enfísema pulmonar, cancro do pulmão e outros, doenças cardiovasculares, doença vascular periférica.
- O tabaco pode provocar redução da fertilidade na mulher e impotência sexual no homem. O risco de doença cardíaca em mulheres que tomam pílula contraceptiva aumenta cerca de dez vezes.
- As mulheres grávidas que fumam têm maiores probabilidades dos seus filhos nascerem prematuros e com peso reduzido, que chorem mais e durmam menos.
- Quando crianças, os filhos de pais fumadores têm uma maior probabilidade de desenvolver bronquites, pneumonias e asma dos que os de não fumadores. O fumo passivo é especialmente perigoso para as crianças. Mas é-o também responsável pela morte e doenças de adultos não fumadores.

Não existe, contudo, uma fórmula infalível para deixar de fumar, nem sequer uma forma fácil. Todos nós sabemos que para abandonar o hábito é preciso lutar. Aquilo a que chamamos força de vontade, muita força de vontade. É uma batalha longa e dura, mas que só o fumador consegue vencer... ou perder.




DÊ UM PONTO FINAL

6 comentários:

Swt disse...

Tá bem... Vou pensar no seu caso com muito carinho e não era pressa.
Monstro das bolachas, bruxo mau da lagoa!

ssebastiao disse...

Desculpa César! Na verdade, pela qualidade e pela camaradagem revelada na Camila e na Louletania, há muito merecias um link no "sebastião"... Espero que a tardança não tenha causado moça! Sabes, nem tudo são "vozes" e acontece, muita vez, as vozes repetidas não o merecerem. Claro que a tua voz merece ser escutada e a tua bela escrita lida! É isso que os leitores do blog irão agora descobrir...
Obrigado!

As Vozes dos outros disse...

O respeitoso blog Sebastião chegou agora à conclusão de que falar neste momento da vergonhosa posição do PCP em relação ao Prémio Nobel é desprestigiante para os simpatizantes do Partido Socialista. Penso que o que é desprestigiante para qualquer simpatizante de qualquer força política é inventar casos ou dizer mentiras. E isso não aconteceu ali. É com mágoa que nós "As Vozes" nos referimos aqui a este assunto mas o comentário enviado para aquele blog por um nosso desiludido amigo não foi publicado. Paciência . Continuaremos a transpor para o nosso Blog as Vozes de outros blogs que achamos ser oportuno e que pensamos não se tratar de mentiras. As nossas desculpas pela interferência. As vozes dos outros......

Luisa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
María Eugenia Mendoza disse...

Es terrible que los jóvenes, que conocen todos los riesgos, que cuentan con información y orientación decidan fumar, quizá pensando que a ellos no les va a suceder.
Ojalá se comprometieran un poco más con ellos y con quienes viven cerca.
Saludos desde México.

Meias de Seda (Suzy) disse...

Oi, Cesar.
Primeiramente, gostaria de lhe agradecer por ter assinado nosso feed.
Parei de fumar há quase 13 anos, quando engravidei. Foi difícil vencer a batalha contra o vício, mas valeu a pena.
Um abraço ;)