domingo, 31 de outubro de 2010

« ESTÁ na HORA LEGAL de ACERTAR os RELÓGIOS »

.Nesta madrugada, os relógios vão recuar 60 minutos quando forem duas da manhã em Portugal continental e Madeira e uma da manhã nos Açores. Este recuo nos ponteiros dos relógios acontece sobretudo por razões civis, uma vez que, do ponto de vista astronómico, apenas faria sentido uma correcção de 37 minutos, porque a hora do meridiano de Greenwich está desfasada 37 minutos em relação à hora solar.


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JÚLIO VERNE
autor da maravilhosa obra
"A Volta ao Mundo em 80 Dias"


.Este autor, através do belo romance A volta ao Mundo em 80 Dias, explica-nos a importância de respeitar a hora legal, através da aventura da sua personagem, Phileas Fogg, que num clube de Londres apostou que daria a volta ao mundo em 80 dias. O resultado foi que Fogg ganhou a aposta ao regressar ao clube, embora estivesse certo de ter demorado um dia a mais. Fogg avançou, de Londres em direcção leste. Cada vez que passava um meridiano horário, adiantava o seu relógio. Mas esqueceu-se de actualizar a data no dia em que atravessou a linha de mudança de data.
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Havia ganho o total das 24 horas que deviam ser adiantadas no relógio, ao dar a volta no sentido oeste-leste. Se, nessa direcção, cruza-se a linha de mudança de data a 8 de Maio, às 22 horas do fuso anterior, e o relógio devia ser posto nas 23 horas do dia 7.
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Phileas Fogg tinha «perdido» uma hora, mas havia «ganho» um dia. E ganhou o dia, na medida em que venceu a aposta, quando calculava que a tinha perdido!

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Capa de uma Edição
do livro
«A Volta ao Mundo em 80 Dias»

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Um dos muitos modelos artísticos de relógios de sol


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Relíquia arqueológica de relógio de sol
datado de 600 A.C.



.Há vários séculos que o Homem se esforça por encontrar instrumentos que o ajudem a medir o tempo. Fá-lo porque precisa de organizar-se e dividir o tempo, mas essa nem sempre foi uma tarefa fácil. Se bem que actualmente saber as horas, os minutos e até os milésimos de segundo é algo que está ao alcance de qualquer pessoa, a verdade é que nem sempre foi assim.
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O relógio de sol foi o primeiro instrumento inventado com o objectivo de medir o tempo. Não há dados concretos quanto à data desta invenção, mas sabe-se que foi entre 5000 e 3500 A.C.. A invenção passava por colocar um mastro no solo, num local onde o sol incidisse. Era desenhado um círculo à volta e a movimentação do sol reflectia-se projetando a sombra do mastro no chão, fazendo desta forma a divisão do dia. Como é natural, esta primeira invenção mostrou-se insuficiente para os propósitos do Homem, especialmente porque só permitia contabilizar o tempo durante o dia solar. Por isso, a busca por uma opção que permitisse medir e dividir o tempo, mesmo durante a noite, manteve-se.
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Mais tarde surgiu então o relógio de água, que consistia em colocar dois recipientes marcados com escalas uniformes de tempo, permitindo que a água escoasse através de gotas de um para o outro. Quase em simultâneo surgiu a ampulheta, o relógio de areia.

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Abstração de uma ampulheta
que todos sabem
conter areia no interior



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.Calcula-se que a ampulheta tenha sido inventada por um monge durante o século VIII, embora só existam referências ao relógio de areia em documentos do século XIV. A peça era constituída por duas âmbulas (pequenos vasos de gargalo estreito), bojo largo e fundo redondo, que permitiam que a areia passasse de uma para a outra através de um pequeno orifício. E se inicialmente estes reservatórios eram de cerâmica, durante os séculos seguintes, mais concretamente até ao século XVIII, as âmbulas eram fabricadas separadamente, pelo que era necessário colocar uma peça metálica entre os gargalos de ambas. Esta peça possuía um orifício calibrado que permitia a passagem da areia. Posteriormente, as ampulhetas passaram a ser uma só peça e em vez de cerâmica o material usado passou a ser o vidro, sendo o formato que se mantém actualmente.

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.Outra "expressão artística" da ampulheta



.O bom funcionamento da ampulheta dependia de vários factores. No caso do orifício de passagem da areia, se bem que sendo calibrado garantia algum rigor, era sabido que este se ia desgastando com a passagem da areia.
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Por outro lado, as alterações de temperatura podiam influenciar a passagem da areia, pelo que a ampulheta era colocada em locais menos propensos a mudanças de temperatura.
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Porém havia outros factores que influenciavam a medição do tempo com o relógio de areia. Na realidade, os esquecimentos e os adiantamentos eram frequentes. Era comum que as pessoas encarregues de manusear a ampulheta se antecipassem, virando o relógio de areia antes desta estar toda do mesmo lado, ou que se esquecessem de o fazer.
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O autor do blogue, não sendo uma personagem 'pré-histórica' ou Matusalém, na época da sua vida académica 'enfrentou' estes aparelhos de medida do tempo em muitas provas orais de exames. Numa delas, já a areia estava toda há que tempos no fundo, e o Professor examinador entusiasmado, não parava de puxar por matérias que se encadeavam como cerejas! Tivesse falhado... no excesso de tempo, e as cerejas transformar-se-iam num "chumbo"... que nem 'ginjas'!


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Um belo relógio de bordo
da
Marinha




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Uma das razões que pressionou o Homem a continuar a procurar novas formas de medir o tempo, mesmo depois de inventar o relógio de sol, foi a necessidade de um objecto que contabilizasse o tempo com maior precisão e que pudesse ser transportado. O relógio de sol permitia a divisão do dia, mas à noite não funcionava.
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Quando inventaram a ampulheta, os marinheiros foram os mais beneficiados. Aliás, durante o século XIV foram os grandes impulsionadores desta forma de medir o tempo, utilizando-a mesmo para ajudar a calcular a latitude e a longitude. O principal obstáculo do relógio de areia nos barcos era a dificuldade que existia em manter o instrumento imóvel. Os balanços eram muitos e isso nem sempre era fácil.
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No século XVI os marinheiros não abdicavam do uso da ampulheta, apesar desta não ser cem por cento fiável. Era no seu funcionamento que baseavam as tarefas e para isso recorriam a um sino. Desta forma, o marinheiro encarregue de controlar a ampulheta tocava o sino para indicar, com precisão, as horas à restante tripulação.
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Poderíamos dizer que era a ampulheta, o relógio de areia, a dar horas!

7 comentários:

Swt disse...

Bem! Quem tem tempo para ler um post tão longo????
Tufas!
A parte que gostei mais foi a ampulheta usada nos seus exames. É destas revelações que eu gosto. E no geral o povo é assim... gosta de ver as pessoas atrapalhadas! rsss rsss
Apesar de todos os meus considerandos, aviso já que vou "levar" alguma ideias daqui...

César Ramos disse...

Swt,

Obrigado pela crítica. Compreendo que pouca gente disponha de tempo para ler a "Guerra e Paz" de Tolstoi, ou "Os Miseráveis" de Victor Hugo. Só não entendo, como pode haver tempo e paciência, para devorar as extensas patranhas de David Brown!
Tufas!...
Já agora, uma adenda como dica para acrescentar:

Para além de areia, as ampulhetas podiam utilizar cascas de ovo moídas, pó de mármore, pó de prata e pó de estanho calcinado com um pouco de chumbo.
A areia proveniente de Veneza para usar nas ampulhetas era considerada a melhor para o efeito.

Cumpts.
C.R.

César Ramos disse...

«CORRIGENDA»

No texto do comentário anterior, onde se lê "David Brown", deve ler-se DAN BROWN!

As m/s desculpas ao autor, pelo lapsus
linguae...

C.R.

Swt disse...

Voltei aqui, para ver se já havia mais algum acrescento na caixa de diálogos e ver se serviam alguma coisa, um whisky, um long drink ou um shot, vá!
E fiquei muito agradecida pelo esclarecimento sobre o nome do autor, já que, efectivamente, não tinha percebido e até julgava que era um código.
Peço desculpa por vir aqui amiúde, mas, sendo noite de Hallowe'en, e das bruxas,achei que podiam dar pela minha falta... eheheheheh
It kills me!

Luisa disse...

César,

Tens-me ensinado e relembrado, muita matéria interessante.

Antigamente os exames eram feitos assim, com ampulheta. Coisa irritante, para quem estava a ser questionado. O teu professor esqueceu-se da dita, por ter ficado deslumbrado com a tua prestação brilhante.

Dan Brown, Paulo Coelho, José Rodrigues dos Santos e outros.... Tudo a mesma coisa! Como é que no lançamento do último livro de JRS, estiveram mais de 500 pessoas, e no de Lobo Antunes duvido que, estivessem cem leitores. É o que temos.

Beijinho

Luísa

César Ramos disse...

Luísa,

Dispor de meios de propaganda à borla - aparecer a toda a hora - como o JRS na 'sua' TV, é ouro sobre azul para vender e conseguir «fans», porque sim!... porque parece mal não gostar de JRS!

Não consigo misturar Lobo Antunes nestas conversas, porque é demasiado grande para competições de trazer por casa!

É que há quem escreva livros a sério, e quem cozinhe estórias com muito fermento!

Bjos
César

relogio.de.corda disse...

Calma lá que um relogio tem sempre uma palavrinha a dizer sobre esta matéria.
É com muito gosto que aprendo sempre, coisas novas sobre os meus antepassados.
Esta história da mudança da hora é uma chatice. É rara a vez que eu não cometa uma "gaffe" por causa de uma hora a menos. Um ano, acordei num sobressalto medonho porque me esqueci de alterar a hora do despertador. Quando vou a olhar,já eram 9h00 (pela hora de Verão) e num instante de segundo, vem-nos à mente a alteração da hora. :))