segunda-feira, 7 de junho de 2010

« NETANYAHU dá TIROS... nos PÉS ? »

Benjamim Netanyahu - Primeiro Ministro Israelita

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Daniel Cohen Bendit, dos Verdes, actualmente
no
Parlamento Europeu

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Daniel Cohen numa intervenção no Maio de 68



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Daniel Cohen Bendit, o Daniel Vermelho da revolta estudantil de Maio de 68, em Paris, agora Daniel deputado Verde na União Europeia, fez uma comparação pertinente – o ódio entre israelitas e palestinianos é o equivalente ao que existia entre alemães e franceses e, hoje, disso ninguém mais se lembra.

Daniel Cohen deu ênfase num discurso no Parlamento Europeu, no lançamento, em Maio, da campanha por uma paz durável entre israelitas e palestinianos, num abaixo-assinado que circula entre judeus principalmente na Europa.

O abaixo-assinado, chamado de Apelo à Razão, já tem quase 7 mil assinaturas e viu confirmados seus temores, no episódio da frotilha comandada pelo navio Mavi Marmara, do qual sai reforçado o apelo de tantos intelectuais judeus para que Israel mude a sua política e evite o actual isolamento, numa espécie de suicídio diplomático e político de Netanyahu e do governo israelita.

O apelo condena a política de implantação de novas colónias na Cisjordânia e na parte árabe de Jerusalém, por constituir uma falta moral e política e por constituir uma deslegitimação de Israel como Estado.

O documento deplora também a manutenção do bloqueio de Gaza, com o objectivo de obter a libertação do soldado Guilat Shalid, que produz como resultado o reforço do movimento Hamas e do fundamentalismo islâmico.

Bernard-Henry Levy, filósofo francês judeu, assinou o manifesto e lamenta a política actual de Netanyahu que, pelos vistos, « está pouco ligando para o que pensa o mundo ».

É verdade que são assinaturas de judeus de esquerda e Daniel Cohen Bendit afirma não ter feito sua bar mitzva e que sete mil assinaturas é muito pouco num país onde vive uma enorme comunidade judaica, de um milhão de pessoas, mas serve para mostrar que entre os intelectuais judeus da diáspora européia existe um clima de oposição à política de Netanyahu, qualificada de perigosa para a própria existência de Israel.

Como as relações entre Israel e os palestinianos puderam deteriorar-se de tal maneira, desde o promissor 13 de Setembro de 1993, em Washington, quando Bill Clinton saudava o aperto de mão entre Yitzhak Rabin e Yasser Arafat ?

Como aquele « processo de paz » talhou e virou processo de guerra, se naquele dia Arafat reconhecia a existência de Israel, e Israel reconhecia a OLP e cedia uma parcela do território ocupado ?

Era justamente o inverso do que ocorre hoje. Com esse acordo, Israel saía do isolamento em que se encontrava, o mesmo isolamento ao qual retorna.

Mas esse acordo tinha sérios opositores – a direita israelita do Likud, o lobby americano do Aipac, que não queriam negociar nenhuma parcela do território.

Eram igualmente contra esse acordo os islamitas palestinianos do Hamas, que se ia fortalecendo e opondo-se ao Fatha de Arafat, contrário a qualquer negociação com Israel, e o Irão, por questões geopolíticas.

Por mais absurdo que possa parecer, esses inimigos do processo de paz agiram com o mesmo objectivo para torpedeá-lo. Assim, logo a seguir, o Irão qualificou Arafat de traidor e pediu a destruição de Israel.

Dizem especialistas que o Irão temia ficar de lado com o surgimento de uma potência israelo-palestiniana. Mas foi a direita israelita que agiu rapidamente assassinando Rabin, e provocando o sepultamento do acordo de paz israelo-palestiniano.

Seguem-se os atentados em Israel que provocam a vitória de Netanyahou em 96. Ao contrário de Rabin e Peres, em lugar de acusar os iranianos ele acusa os palestinianos e os árabes em geral, é o começo do fim do processo de paz. O seu retorno ao poder é o retorno ao mesmo processo.

Obama quer forçar Israel a suspender a implantação de colónias, mas não consegue convencer Netanyahu, que evita ir a Washington, no dia seguinte, ao ataque israelita à frotilha comandada pelo Mavi Marmara.

Alguns europeus vêem na maneira como Israel quis impedir o avanço da frotilha, uma punição à Turquia por ter agido junto com o Brasil no sentido de se encontrar uma solução para o impasse nuclear do Irão.

Entretanto, o cálculo teria sido mal feito, pois a reacção da Turquia pode significar o fim de numerosos acordos com Israel, isolando-o ainda mais, pois a Turquia é o único país muçulmano que tem acordos, inclusive militares, com Israel.

Paradoxalmente, se a própria criação de Israel tem suas raízes no navio Exodus, impedido de aportar, é um outro navio, impedido de acostar, que isola, destrói a imagem e coloca em questão a própria existência de Israel.

Com sua intransigência, implantando novas colónias, desafiando até um antigo e importante aliado, Netanyahu não se estará transformando no mais perigoso "kamikase" do Médio Oriente ?





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Imagens seleccionadas na Net
Adaptação de: Rui Martins- Página Um
in: Fábrica dos blogs


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