domingo, 9 de maio de 2010

« A FAMÍLIA (...) É O NOSSO CASTELO...! »






.
A família é por natureza um bastião, um castelo, um lugar seguro, um ninho de intimidade e cumplicidade.Os filhos são o nosso maior tesouro. Antes de os deixarmos sair, queremos saber com quem vão e o que vão fazer: gostamos de saber que livros andam a ler ou que filmes vão ver e, muitas vezes, impedimos que vejam um certo filme ou leiam determinado livro.
.
Ou que andem com um certo género de companhias. Fazemos bem. Defendemos os nossos. E sabemos perfeitamente, pelo que vamos observando, que há descuidos que saem caros.
.
Em casa, fechamos as portas e perguntamos quem é antes de abrirmos. Preservamos a nossa intimidade. Parece-nos que a nossa família tem uma identidade própria, que há nela qualquer coisa que não se deve sujar com o lixo que anda por aí.
E anda por aí muito lixo.
.
Erguemos paredes não apenas para que o vento não entre em nossa casa. Por que é que, então, deixamos entrar no nosso lar, no castelo, através da pequena janela da televisão, pessoas a quem não abriríamos a porta se nos tocassem à campainha; e ambientes, ou lugares, aonde nunca nos deslocaríamos, muito menos na companhia dos nossos filhos?
.
Abrimos a torneira quando precisamos de água e ligamos o aquecedor quando temos frio, mas a televisão lá em casa está sempre a funcionar. Coisa que nos resolve imensos problemas, dizemos.
É extremamente cómodo: os filhos sentam-se ali durante horas seguidas e não nos incomodam.

.
A verdade é que depois acabam também por não ter lá muito boas notas na escola, ou por apresentar dificuldades no convívio com outras pessoas. Mesmo assim, continuamos com o esquema, pois permite que nos dediquemos sossegadamente às nossas tarefas...
.
Mas quem foi que nos disse que a principal das nossas tarefas - aquela que devemos fazer com maior sossego - não consiste em estarmos com os nossos filhos? Os problemas que, mais cedo ou mais tarde, teremos de enfrentar em consequência dessa atitude comodista são, sem dúvida, maiores e mais profundos do que aqueles que a televisão nos resolve no imediato.

.
Sentar crianças e jovens diante da televisão não é forma de os preparar para a vida. E se não tivermos preparado os nossos filhos para a vida, teremos fracassado.
.
Pouco importa que tenhamos obtido êxito noutras áreas, porque somos pais e é isso que dá sentido à nossa existência.
.
Porque é que, de uma vez por todas, não nos decidimos a tomar uma atitude enérgica perante este assunto?
.
Temos duas soluções.
.
Uma delas é passarmos a utilizar a televisão com o mesmo critério que usamos para utilizar os outros instrumentos da casa: quando precisamos deles.
.

Assim, ligaremos a televisão apenas para ver este ou aquele programa determinado, após verificarmos a sua conveniência. Depois desligamo-la.
.
A outra solução, mais radical, consiste em deixarmos de ter televisão em casa. É uma boa hipótese para aqueles que não gostam de fazer as coisas a meias, ou que têm dificuldade em seguir com rigor os critérios restritivos que resolveram seguir.
.
É a única maneira conhecida de deixar de fumar! Juntam-se dois exemplos, para acabar com dois grandes hábitos perniciosos!
.
Controlar a televisão, ou acabar com ela, seria talvez duro, ao princípio!
.
Mas... depois... começariam a acontecer coisas deliciosas, tais como conseguir fazer coisas úteis que julgava nunca ter tempo para elas!
.
Ler... por exemplo!

.
E..., se puser esta acção em
prática,... rapidamente irá descobrir
uma vida nova (...)
.
.Façam a experiência!

2 comentários:

Luisa disse...

Olá César

Cá em casa sempre assim foi, pouca televisão e muita leitura, o resultado não podia ser mais desastroso. Não lê, e consome televisão e internet de forma desgarrada, parece até que viveu noutra galáxia. Não há receitas milagrosas, contudo devemos estar sempre atentos e ter uma boa biblioteca.

Concordo que só televisão embrutece, que é um factor desviante das conversas em família, não confundir com as de Marcelo Caetano. [Risos]
Já não há serões, não se brinca com os filhos, não se lê uma página sequer aos garotos, antes de dormir. Sinais dos tempos.

Abraços
Luisa

Cris disse...

De volta do sítio e vindo matar a saudade dos meus amigos!
Concordo com seu texto. Educar filhos pela televisão, na frente de um programa é patético. Educação exige bem mais que isso.
Fiquei esses dias no sítio quase sem TV e foi muito bom...ler, pensar, meditar, conversar...

Nada melhor que voltar um pouco no tempo. No tempo que tínhamos tempo.

Um beijo grande