terça-feira, 16 de março de 2010

«OUTRA DEPLORÁVEL " TOURADA"...!»







A indignação de um gato








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O texto que a seguir se reproduz está publicado no Blog Póvoa, numa página 'cultural' intitulada "Matança do Porco". Não conseguimos contacto para cumprir c/ a ética de pedir permissão para republicação, mas não seríamos bem recebidos pois, o nosso propósito é combater este tipo de barbarismos, a coberto da Tradição, chocando os leitores com a falta de condições higiénicas e humanas !
(...)
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« Um dia falou-se, acidentalmente, da matança do porco e logo surgiu quem sentenciasse:
- "Ah! Hoje já não se matam porcos como antigamente...".
Protestei:
- "Calma aí! Algum dos senhores, por acaso, já foi à Póvoa, na altura da Páscoa? É que se fossem, veriam como a tradição ainda é o que era!".
Ninguém pareceu levar-me muito a sério e o melhor que obtive foi um "político":
- "Pois, está bem... mas nunca é a mesma coisa".
Chegou, então, o momento de responder ao desafio. Na Póvoa ainda se matam porcos segundo os ensinamentos transmitidos de geração em geração.
Por razões óbvias e que se prendem com a normal evolução da sociedade portuguesa, hoje, felizmente, não é possível recriar o espírito de dependência e de necessidade que sempre envolvia a morte do porco.
Todavia, é importante que este mesmo espírito seja explicado aos mais novos, pois ele, acima de tudo, representa muito do quotidiano serrano.
Mas, importa não perder o outro lado da vida de antigamente e que facilmente podemos recordar "encaixando-o" na matança do porco: o espírito de colaboração e de divisão de tarefas.
As dificuldades e as agruras da vida obrigavam a que todos se ajudassem mutuamente; e embora hoje não seja socialmente muito correcto, a verdade é que existem tarefas que dizem respeito às mulheres e outras que especificamente são desempenhadas pelos homens.
Às primeiras, cabe tratar cozer a broa, fazer as filhós, talaças, pão-de-ló, arroz doce (mas, do branco), etc... e cuidar, no dia do almoço da matança, do sangue, do picado, dos torresmos, etc... É claro que tudo é feito na aldeia, com produtos locais e segundo os ensinamentos transmitidos de geração em geração.
Aos segundos, está destinado ir às torgas e à carqueja, uns dias antes da matança; e no dia acordado, ir ao curral e trazer os dois porcos para a traseira da Casa da Comissão de Melhoramentos, a caminho da Fonte Velha, onde já estão as coisas preparadas e a tábua devidamente posta.
Os animais são trazidos com uma corda atada a uma das patas traseiras e, seguro por três ou quatro homens, é deitado na tábua.
A pessoa encarregue de "espetar a faca", espera que o homem que traz o alguidar para recolher o sangue se acomode e tenta acertar no "sítio certo", isto é sem fazer um grande buraco.
É de referir que o recipiente onde é recolhido o sangue, tem uma cruz direita desenhada no sal que é posto com abundância no fundo.
Declara a morte do animal, toca de acender a carqueja e com ela esfregar bem o corpo do porco, enquanto uns vão repetindo esta operação; outros, com um pedaço de telha de canudo na mão, tratam de raspar a pele e outro vai lavando a pele suja do bicho, com água corrente tirada da fonte.
Pega-se, então, no porco e pendura-se na escadaria que leva ao andar superior da Casa da Comissão e toca de desmanchá-lo.
Como parece evidente, a matança do porco é algo que, querendo, compromete toda uma aldeia, homens e mulheres, novos e velhos, residentes ou vindos de fora.
O que é preciso é que se queiram fazer as coisas como deve ser e não arranjar desculpas mais ou menos esfarrapadas.
Assinado,
César Oliveira »
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- Imagens seleccionadas na Internet, entre a miríade
de fotos s/o deplorável tema.
- O autor do texto é meu homónimo
[ César ] porém, em nada subscrevo o que
acima está reproduzido.
A par das touradas e outros ambientes de tortura animal, luto também para que terminem estes espectáculos de morte,
tristemente festivos!

3 comentários:

Luisa Moreira disse...

Tenho um traumatismo devido a uma matança, que não vi, mas ouvi. Como se compreende, nada comi do dito, do Tó, como lhe chamavam. Não seria capaz de criar animais e comê-los. Que tradição se quer transmitir, aos mais novos? a de matar? o poder dos mais fortes, sobre os mais fracos?
É uma barbaridade, do que se vê, e do que se lê.

Abraços
Luísa

Maga disse...

Não comento mesmo!!
Tenho horror a este tipo de coisas... só gostei
da indignação do gato

Zoe disse...

Boa noite César
depois de três semanas de ausência, estou de volta e a visitar o seu novo espaço. pelo que percebi, o Alfobre continua a funcionar ou não?
odeio a matança do porco, nunca fui a nenhuma, nem estive nem de perto nem de longe, mas como disse a Luísa, ouvir já é horrível...
cumprimentos
zoe