segunda-feira, 8 de março de 2010

« MUNHO... é o MOINHO de FIAL

Um moinho de água

Pombos na mira do milho a moer
em farinha

A mó desfazendo as sementes dos cereais


O ex-libris da Freguesia de Espírito Santo d´ Arca
e a sua famosa
Anta, ou Pedra d' Arca

O moinho de água de Fial, foi minha propriedade durante anos, resultando da herança do meu avô paterno, e situava-se numa das margens do rio Águeda.

Era o prédio urbano sito em Fial-Paranho, inscrito na matriz predial urbana da Freguesia de Arca, Concelho de Oliveira de Frades, com o rendimento colectável de quatro escudos e o valor matricial de sessenta escudos, sob o Artigo: 140; 43º. - tudo situado na maravilhosa Serra do Caramulo onde não nasci, mas estão cravadas fundo as minhas raízes, sacramentadas com o meu baptismo na Igreja de Paranho de Arca.

A anta que a fotografia mostra é de uma imponência invulgar e uma das mais belas e melhor conservadas que se conhece. Fui dono de um monumento pré-histórico durante mais de uma década. O Estado português sempre se alheou de fazer benefícios por aquelas paragens serranas. Porém, talvez receando que transportasse aquele Calhau gigante para algum paraíso fiscal, expropriou-me o bem a troco de nada, como aliás aconteceu com o moinho de Fial que também "ardeu" noutra expropriação, apesar de estar coberto de água por uma barragem que por lá construíram.

A Barragem tem nome, mas desprezo o assunto, como quase todo o resto, devido à forma pacóvia como os proprietários foram [mal] tratados pelas autoridades nacionais dos poderes concentrados na ministeriável Lisboa [uma sacanice PPD].

Desde que construí o blogue chamado Alfobre, que tinha este nome - MUNHO - em carteira, como segundo blog a dar-lhe a operacionalidade de escriba.

Acontece experimentar dar-lhe vida agora, para ver se a voz ruidosa do moinho a que os meus familiares chamavam, comendo letras para ser mais depressa, o munho, poderá substituir o Alfobre que, até prova em contrário alguém, intencionalmente ou não, o fez secar.

Se deixarem o MUNHO falar, talvez venha a fazer mais barulho que a pacatez de um campo de sementeira, berçário que foi de tantas plantas (...)

Perdidas nos tempos, ecoando pela serra do Caramulo, ainda oiço as vozes das minhas tias berrando para a minha avó Prudência Augusta:

- Ó minha mãe... vamos ao munho?

- Pois cantés! - respondia ela com esta expressão que quase ainda ninguém ouviu.

Ela era Celta.





3 comentários:

Luisa Moreira disse...

É assim mesmo! Ainda bem que criou outro blog.

A forma de falar, antiga, é muito curiosa. Gostei deste seu post.

Abraços
Luisa

César Ramos disse...

Luísa,

Obrigado pela pronta resposta solidária a esta experiência de continuar na blogosfera.

Este nome [munho] estava associado ao 'dossier' do blogger. Vamos ver se não vai ficar infectado como o outro blog está.

Abraço
César

momo disse...

Enhorabuena,y bienvenido ya os tengo a los dos a luisa y a ti en mi puente.
Un abrazo