domingo, 26 de dezembro de 2010

« OS TRÊS REIS MAGOS VÊM A CAMINHO... »

Belchior, Baltasar e Gaspar



OLAVO  BILAC

[nasceu em 16 de Dezembro de 1865  e  morreu em 28 de Dezembro de 1918]


Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac, foi Jornalista e Poeta brasileiro, além de membro fundador 
da 
Academia Brasileira de Letras

>o<




 Poema de Olavo Bilac


    
Os Reis Magos






Diz a Sagrada Escritura
Que, quando Jesus nasceu,
No céu, fulgurante e pura,
Uma estrela apareceu.
Estrela nova ... Brilhava
Mais do que as outras; porém
Caminhava, caminhava
Para os lados de Belém.
Avistando-a, os três Reis Magos
Disseram: “Nasceu Jesus!”
Olharam-na com afagos,
Seguiram a sua luz.
E foram andando, andando,
Dia e noite a caminhar;
Viam a estrela brilhando,
sempre o caminho a indicar.
Ora, dos três caminhantes,
Dois eram brancos: o sol
Não lhes tisnara os semblantes
Tão claros como o arrebol
Era o terceiro somente
Escuro de fazer dó ...
Os outros iam na frente;
Ele ia afastado e só.
Nascera assim negro, e tinha
A cor da noite na tez :
Por isso tão triste vinha ...
Era o mais feio dos três !
Andaram. E, um belo dia,
Da jornada o fim chegou;
E, sobre uma estrebaria,
A estrela errante parou.
E os Magos viram que, ao fundo
Do presépio, vendo-os vir,
O Salvador deste mundo
Estava, lindo, a sorrir
Ajoelharam-se, rezaram
Humildes, postos no chão;
E ao Deus-Menino beijaram
A alva e pequenina mão.
E Jesus os contemplava
A todos com o mesmo amor,
Porque, olhando-os, não olhava
A diferença da cor ...


Fotos in: Net

domingo, 19 de dezembro de 2010

« NATAL EM PESSOA... COM POESIA DE CHUVA »



CHOVE. É DIA DE NATAL.

Por falar em Natal, e em Poesia....
Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.
E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.
Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.
Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.

(Fernando Pessoa)








Análise do poema "Chove. É Dia De Natal"



Poema datado de 25/12/1930, por isso poema tardio, o poema "Chove" é um poema ortónimo de Fernando Pessoa, ou seja, escrito em seu próprio nome e não usando o nome de um dos heterónimos.

No final do ano de 1920, Fernando Pessoa atravessa uma crise mental pronunciada. Em Novembro quebra a sua relação com Ophélia Queiroz, justificando-se por carta e dizendo que o seu destino pertence a "outra Lei", "subordinado (...) à obediência a Mestres que não permitem nem perdoam".

O poema "Chove" é um pequeno poema, que mistura a simplicidade da sua estrutura (4 estrofes cada uma com 4 versos), com uma subtil ironia e humor negro que são marcas indeléveis da obra ortónima do poeta.

De facto este poema não é sobre a chuva, como se poderia pensar pelo título. Quanto a mim o poema é sobre o Natal, ou melhor, sobre a celebração do Natal. Lembra instantaneamente Álvaro de Campos, no poema "Aniversário", onde Campos se lamenta de estar sozinho - quando era menino todos se juntavam para a comemoração, mas agora quando ele é adulto ninguém está ao pé dele, ele está sozinho "como um fósforo frio".

Por viver sozinho durante quase toda a sua vida, Fernando Pessoa sente como poucos o sofrimento da separação, pois aliada a esta vida de solitário vinha a sua extrema sensibilidade de poeta e o seu pensamento claro e racional de homem inteligente.

Mas analisemos o poema estrofe a estrofe.


“Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que é ainda pior.”

- conseguimos imaginar Pessoa à sua janela a ver a chuva cair, no frio de Dezembro. Mas há um frio ainda maior no seu coração. Veja-se que ele fala de como no Norte é melhor do que onde ele está, porque há "neve que faz mal / e o frio é ainda pior". Parece paradoxal dizer isto, mas vai perceber-se na estrofe seguinte porque Fernando Pessoa faz esta comparação.


"E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar."

- Toda a gente é contente, eis porque Pessoa inveja as celebrações a Norte, celebrações longe, de aldeia, onde todos se reúnem no dia feliz, no dia de Natal. Ficam felizes "porque é dia de o ficar" - a ironia de Pessoa é amarga, porque se por um lado ele identifica a felicidade algo falsa, porque só celebrada no Natal, ele inveja não a ter para si mesmo.


"Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não."


- O frio não lhe traz o Natal, o tal Natal de convenção, o Natal que se imagina sempre, com a neve e o frio. O seu corpo arrefece, mas não lhe traz o Natal. A imagem é forte e impressiona. Ele sente o frio do Inverno, sente o frio da chuva, mas dentro dele não é Natal - falta-lhe a felicidade desse dia, a companhia de alguém ou razão para o celebrar.

"Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés."

- a conclusão, rápida e cheia de humor, disfarça o mau estar do poeta perante este tema. Metaforicamente ele sente tanto o frio ao escrever - o frio em si mesmo - que tem de parar de fazer quadras, para não ficar "gelado dos pés". É este humor um humor negro típico de Pessoa - uma ironia tão própria e que nos é indicada como característica dele pelos seus amigos próximos. Talvez ainda influência de um humor britânico que ele apanhou nos seus tempos em Durban.

Seja como for, entre ironia e humor negro, o tema do poema não nos pode deixar indiferente. "Chove" é irmão mais simples de "Aniversário" de Campos e como este último poema, o primeiro fala de solidão e de frio, mas frio interior, intempérie da alma e não da Natureza. É Pessoa ao frio, deslocado, sozinho, em sofrimento."

Ps: pode ler uma análise estilística deste poema no seguinte link:

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

« HOMENAGEM A CARLOS PINTO COELHO »

 O B I T U Á R I O

Carlos Pinto Coelho
(1944 - 2010)
JORNALISTA


 

 Homenageado pelo Estado francês em 19-03-2010
"Oficial da Ordem das Artes e das Letras"




O jornalista Carlos Pinto Coelho morreu, ontem, aos 66 anos, em Lisboa, na sequência de uma intervenção cirúrgica à aorta no Hospital Santa Marta para onde foi transferido depois de ter sido internado de urgência no Hospital de São José, segundo a agência Lusa.

Gostava que lhe chamassem “o senhor Acontece”, considerava ser essa “uma forma gentilíssima” de lembrar os nove anos, em que diariamente, acabava o magazine cultural que teve na RTP2, de 1994 a 2003, com a célebre frase: “E assim, Acontece”. O programa foi cancelado pela direcção de José Rodrigues dos Santos.

Carlos Pinto Coelho ficou conhecido pela intervenção na área do jornalismo cultural, mas teve uma carreira abrangente. Começou a sua carreira jornalística no “Diário de Notícias”, como estagiário, em 1968, depois de ter abandonado o curso de Direito no último ano e de ter chumbado na oral de Direito das sucessões.

Além de repórter deste jornal, Carlos Pinto Coelho foi um dos fundadores do diário “Jornal Novo”, foi redactor da Agência de Notícias portuguesa ANI, director executivo da revista “Mais”.


Na rádio foi locutor das estações TSF, Rádio Comercial, Antena1 e Teledifusão de Macau. Na televisão foi chefe de redacção do Informação/2, da RTP2, director de Cooperação e Relações Internacionais, director-adjunto de Informação e director de programas da RTP durante quatro anos.

Na opinião de Joaquim Vieira, que com ele trabalhou, o que mais o distinguiu foi a projecção que deu à cultura. “Era a menina dos olhos dele. E sempre acreditou que viesse alguém que o chamasse a fazer de novo o “Acontece”. É curioso, há hoje na RTP2 uma tentativa de fazer um “Acontece”, o “Câmara Clara”, sem ser um “Acontece”. É o reconhecimento de que o programa fazia sentido e havia necessidade dele. É uma homenagem indirecta a ele”, acrescenta o jornalista Joaquim Vieira.

Pelo programa “Acontece” – que chegou a ser o mais antigo jornal cultural da Europa e acabou depois de uma polémica com o ministro Morais Sarmento que afirmou que seria mais compensador oferecer uma volta ao Mundo a cada espectador - recebeu o Prémio Bordalo e o Prémio do Clube de Jornalismo.
 
Foi condecorado com o Grau da comenda da Ordem do Infante D. Henrique por Jorge Sampaio, em 2000, e era oficial da Ordem das Artes e das Letras de França (2009).

Carlos Pinto Coelho nasceu em Lisboa mas viveu em Lourenço Marques (agora Maputo, Moçambique) até aos 19 anos, altura em que regressou a Portugal. Daí vinha certamente o seu grande interesse pela África lusófona (teve um programa que se chamava “Em Português nos Entendemos”).
Outra das suas paixões era a fotografia. Começou a expor em 1992 e ao longo da vida lançou vários livros de fotografia “A Meu Ver” (editora Pegasus, 1992), foi co-autor “Do Tamanho do Mundo” (Ataegina/1998), publicou “De tanto Olhar, fotografias e textos seus e com um prefácio de Lídia Jorge na editora Campo das Letras.
E “Assim Acontece - 30 Entrevistas Sobre Tudo... E o Resto”, livro publicado em 2007.
                                                                                                                                                                       


segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

« HOMENAGEM A UM CAMARADA DO AR »

Antigo avião T - 6 [Harvard] da F.A.P.
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(O meu segundo avião de Escola)

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Brevet militar
da
Força Aérea Portuguesa


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Cores de fuselagem escolhidas para celebrar o cinquentenário da F.A.P.
(a mesma cor do avião de GARY MILLER - o malogrado Piloto Aviador - abaixo na foto)


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PILOTO AVIADOR GARY MILLER
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Falecido em acidente aéreo a 9/7/2009
no Colorado
a
bordo de um T-6
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[Pormenores... no texto em baixo]


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.Aqui e em baixo, imagens do desatre

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«Witnesses told the Elbert County Sheriff's Office that the plane was performing acrobatics when it began to spiral down and was unable to recover. Witnesses say it plunged directly into the ground and immediately burst into flames, said Elbert County Investigator Mark Wilson.

"The plane's attitude on the ground is flat, something the NTSB will be looking at as they conduct their investigation into the cause of this accident" said 7NEWS aviation analyst Steve Cowell.

"The plane, a North American T6, was used to train pilots primarily for World War II aerial combat.

More than 17,000, in all their variants, were built during the war years and shortly afterwards. It was an advanced trainer for pilots who were perfecting their aerial combat maneuvering skills."

Cowell, who knew Miller, said the pilot had performed in air shows for the last two years and flown at the Reno Air Races each year for the last several years.

Miller was head of an organization for enthusiasts of classic and World War II planes called AirPower West.

That particular plane was originally brought to Colorado in 1999 after being utilized by the South African Air Force. Miller was its second local owner.

Miller was a former developer who turned to flying for a local company to earn a living.

Investigators with the National Transportation Safety Board and Federal Aviation Administration are investigating. »

..

Foto do avião acidentado


.O Vídeo YouTube abaixo apresentado, mostra os desenvolvimentos acrobáticos do piloto aviador americano GARY MILLER, um dos mais extraordinários pilotos do mundo.
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Pereceu, em acidente aéreo, durante os treinos, no dia 9 de Julho de 2009, perto de sua casa, no Colorado.
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A excelente versatibilidade do aparelho - pese embora a sua idade -, permite realizar manobras acrobáticas quase inconcebíveis!
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O característico 'roncar' do motor, é um som único que aquece a alma de qualquer pessoa apaixonada pela aeronáutica.

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VÍDEO YOUTUBE, COM ACROBACIA AÉREA EM AVIÃO T-6, EXECUTADA PELO PILOTO GARY MILLER
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sábado, 20 de novembro de 2010

« EPITÁFIO à MEMÓRIA do MARQUÊS de POMBAL »

Sebastião José de Carvalho e Melo
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MARQUÊS de POMBAL
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(1699-1782)

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Olhar em graffito pintado no muro das traseiras da Escola D. João V - da Damaia
AMADORA


Clicar em baixo:
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http://odeith.com/pt/graffiti/murais/terramoto-no-marques-de-pombal.html

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Praça
do
Marquês
de Pombal



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EPITÁFIO


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Aqui jaz
Sebastião José de Carvalho e Melo
Marquez de Pombal
Ministro e Secretário de Estado
de D. José
Rei de Portugal;
O qual reedificou Lisboa,
Animou a Agricultura,
Estabeleceu as Fábricas,
Restaurou as Sciencias,
Estabeleceu as Leis,
Reprimiu o Vício,
Recompensou a Virtude,
Desterrou o Fanatismo,
Regulou o Thesouro Real,
Fez respeitada a Soberana Authoridade;
Cheio de Glória,
Coroado de louros,
Opprimido pela Calumnia,
Louvado pelas Nações Estrangeiras:
Como Richelieu
Sublime em projectos,
Igual a Sully na vida, e na morte:
Grande na prosperidade,
Superior na Adversidade,
Como Philosopho,
Como Heroe,
Como Christão,
Passou à Eternidade
No Anno de 1782,
Aos 83 da sua idade
E no 27 da sua Administração.


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.Acerca desta lápide escreveu-se: « Seu corpo jaz depositado em um celebre mausoleo que existe ao lado direito da capela mor dos frades capuchos da referida Vila (Pombal) aonde não apparece por se haver prohibido o uso, e leitura de um Epitafio feito para a sua sepultura»

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Frei Francisco Martins (Capucho), confessor do Marquês a seu pedido e durante a agonia... escreveu assim o que deveria gravar-se na jazida do estadista:

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Hic jacet Ille Minister
Qui conctictis notus in orbe fuit
Mortuus ecce silet sua verum facta loquntur
Isto majorem tempora nulla dabunt



.TRADUÇÃO:
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[Aqui jaz aquele ministro, que por todos conhecido, foi em todo o Mundo; e posto que aqui morto está calado, as suas obras porem perpetuamente estão falando, Ministro maior do que este foi, nem o presente seculo, nem finalmente os futuros hão-de produzir».]


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A Câmara Municipal de Lisboa
descerrou esta lápide
à
memória do Marquês

no ano de
1923

sábado, 13 de novembro de 2010

« CÁRMEN de BIZET - "C'est toi! ... C'est moi! " »

Georges Bizet
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(1838-1875)

Georges BIZET, notável compositor francês, autor de: O Pescador de pérolas; A Linda Jovem de Perth; Cármen; Arlesiana.
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As sua obras, sobretudo as duas últimas, caracterizam-se pela técnica perfeita e são notabilíssimas pelo colorido, pela verdade dramática e pela inspiração.







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Os episódios que rodearam a estreia de "Cármen", a mais famosa ópera de Bizet - e uma das partituras operáticas mais admiráveis de todos os tempos - também constitui um dos acontecimentos mais trágicos e repulsivos de toda a História da Música.
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Poder-se-á sem dúvida encarar como uma página vergonhosa na história de uma certa crítica musical e na irresponsabilidade com que determinadas pessoas escrevem o que lhes vem à cabeça acerca de grandes artistas, ou porque embirram pessoalmente com eles, ou por pura estupidez, insensibilidade artística e, sobretudo, inveja...

A figura de "Cármen", a cigana que trabalhava numa fábrica de tabaco em Sevilha e vivia no meio de marginais, contrabandistas e diversos tipos de arruaceiros, ocupou durante largos anos o pensamento do jovem compositor francês Georges Bizet, nascido em 1838 e morto, muito provavelmente por suicídio, em 1875, pouco depois da estreia desta sua ópera em Paris.
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Houve personalidades femininas cujo carácter e comportamento terão influenciado desde longa data o compositor. E ainda que o libretto da "Cármen" fosse extraído a uma novela de Prosper Mérimée e escrito em conjunto por Henri Meillac e Ludovic Halévy, a verdade é que Bizet cedo se apaixonou por essa figura ou por esse tipo de figuras, relacionando-as, por exemplo, com uma tal Celeste Mogador, escritora, dançarina e aventureira com larga crónica no seu tempo, com quem tentou estabelecer, embora sem ser correspondido, uma relação de carácter mais íntimo...
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Na realidade, Celeste Mogador mostrou que era uma mulher sensível e responsável, ao sentir que poderia ter uma acção nociva no psiquismo do seu jovem apaixonado, um rapazinho ingénuo e naturalmente bem-comportado, que se perdera de amores por ela, nomeadamente ao ouvi-la cantarolar num qualquer Café-concerto uma cançoneta chamada "Ay Chiquita"...
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Este terá sido o primeiro contacto de Bizet com a música espanhola. E, por curiosidade, foi mais tarde encontrada em casa do músico uma colectânea de canções de um tal Sébastien Yradier, uma das quais serviu em absoluto de modelo à famosa Habanera da "Cármen" e dizia assim: - "Chinita mia, ven por aqui, que tu ya sabes que muero por ti"...
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Há frases num livro de memórias de Celeste Mogador que poderiam perfeitamente encaixar-se na figura da cigana Cármen, tais como: "Nenhuma mulher teve tanto prazer em dizer sim como eu em dizer não"; ou ainda: "Eu amo com paixão e detesto com raiva, pois não está no meu carácter sujeitar-me a meias-medidas"...
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Quando conheceu Celeste Mogador, tudo indica que Bizet nunca tivesse tomado ainda contacto com a novela de Mérimée, mas a figura da Cármen, um símbolo de erotismo, já se tinha desde há muito instaurado no seu espírito.
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Esse erotismo é uma das características mais intensas da música da "Cármen", ópera em que a figura masculina de Dom José também tem, por sua vez, muito da ingenuidade natural do próprio Bizet.
A "Cármen" é uma obra-prima que foi rapidamente saudada como tal, por figuras como Nietzsche, Saint. Saens, Tschaikowsky, Mahler, Brahms ou o próprio Wagner, mas a sua estreia, meses antes, em Paris, levou uma crítica de jornal diário - assinada por nomes perfeitamente ignotos e para sempre esquecidos - a arrasar de tal forma a obra, que o compositor entrou num estado de profunda depressão e, segundo alguns dados que se possuem, muito indica que terá acabado por se suicidar.
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Pouquíssimo tempo depois, o mundo inteiro saudava Bizet - já desaparecido - como um Génio!
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Até quando... se permitirá... que tais injustiças 'criminosas' se repitam,
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e passem impunes ...


= o =

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CÁRMEN, Ópera de 4 Actos, trata-se de uma composição cheia de vida, de cor e da mais intensa comoção dramática.
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O libretto foi extraído da novela Cármen, de Prosper Merimée, por H. Meilhar e L. Halévy.
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Dom José, Brigadeiro de Dragões, por amor à cigana Cármen, deserta e fez-se contrabandista.
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Cármen abandonou-o, por um toureiro e...
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Dom José... acaba por matar a mulher que amava...!

domingo, 31 de outubro de 2010

« ESTÁ na HORA LEGAL de ACERTAR os RELÓGIOS »

.Nesta madrugada, os relógios vão recuar 60 minutos quando forem duas da manhã em Portugal continental e Madeira e uma da manhã nos Açores. Este recuo nos ponteiros dos relógios acontece sobretudo por razões civis, uma vez que, do ponto de vista astronómico, apenas faria sentido uma correcção de 37 minutos, porque a hora do meridiano de Greenwich está desfasada 37 minutos em relação à hora solar.


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JÚLIO VERNE
autor da maravilhosa obra
"A Volta ao Mundo em 80 Dias"


.Este autor, através do belo romance A volta ao Mundo em 80 Dias, explica-nos a importância de respeitar a hora legal, através da aventura da sua personagem, Phileas Fogg, que num clube de Londres apostou que daria a volta ao mundo em 80 dias. O resultado foi que Fogg ganhou a aposta ao regressar ao clube, embora estivesse certo de ter demorado um dia a mais. Fogg avançou, de Londres em direcção leste. Cada vez que passava um meridiano horário, adiantava o seu relógio. Mas esqueceu-se de actualizar a data no dia em que atravessou a linha de mudança de data.
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Havia ganho o total das 24 horas que deviam ser adiantadas no relógio, ao dar a volta no sentido oeste-leste. Se, nessa direcção, cruza-se a linha de mudança de data a 8 de Maio, às 22 horas do fuso anterior, e o relógio devia ser posto nas 23 horas do dia 7.
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Phileas Fogg tinha «perdido» uma hora, mas havia «ganho» um dia. E ganhou o dia, na medida em que venceu a aposta, quando calculava que a tinha perdido!

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Capa de uma Edição
do livro
«A Volta ao Mundo em 80 Dias»

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Um dos muitos modelos artísticos de relógios de sol


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Relíquia arqueológica de relógio de sol
datado de 600 A.C.



.Há vários séculos que o Homem se esforça por encontrar instrumentos que o ajudem a medir o tempo. Fá-lo porque precisa de organizar-se e dividir o tempo, mas essa nem sempre foi uma tarefa fácil. Se bem que actualmente saber as horas, os minutos e até os milésimos de segundo é algo que está ao alcance de qualquer pessoa, a verdade é que nem sempre foi assim.
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O relógio de sol foi o primeiro instrumento inventado com o objectivo de medir o tempo. Não há dados concretos quanto à data desta invenção, mas sabe-se que foi entre 5000 e 3500 A.C.. A invenção passava por colocar um mastro no solo, num local onde o sol incidisse. Era desenhado um círculo à volta e a movimentação do sol reflectia-se projetando a sombra do mastro no chão, fazendo desta forma a divisão do dia. Como é natural, esta primeira invenção mostrou-se insuficiente para os propósitos do Homem, especialmente porque só permitia contabilizar o tempo durante o dia solar. Por isso, a busca por uma opção que permitisse medir e dividir o tempo, mesmo durante a noite, manteve-se.
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Mais tarde surgiu então o relógio de água, que consistia em colocar dois recipientes marcados com escalas uniformes de tempo, permitindo que a água escoasse através de gotas de um para o outro. Quase em simultâneo surgiu a ampulheta, o relógio de areia.

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Abstração de uma ampulheta
que todos sabem
conter areia no interior



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.Calcula-se que a ampulheta tenha sido inventada por um monge durante o século VIII, embora só existam referências ao relógio de areia em documentos do século XIV. A peça era constituída por duas âmbulas (pequenos vasos de gargalo estreito), bojo largo e fundo redondo, que permitiam que a areia passasse de uma para a outra através de um pequeno orifício. E se inicialmente estes reservatórios eram de cerâmica, durante os séculos seguintes, mais concretamente até ao século XVIII, as âmbulas eram fabricadas separadamente, pelo que era necessário colocar uma peça metálica entre os gargalos de ambas. Esta peça possuía um orifício calibrado que permitia a passagem da areia. Posteriormente, as ampulhetas passaram a ser uma só peça e em vez de cerâmica o material usado passou a ser o vidro, sendo o formato que se mantém actualmente.

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.Outra "expressão artística" da ampulheta



.O bom funcionamento da ampulheta dependia de vários factores. No caso do orifício de passagem da areia, se bem que sendo calibrado garantia algum rigor, era sabido que este se ia desgastando com a passagem da areia.
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Por outro lado, as alterações de temperatura podiam influenciar a passagem da areia, pelo que a ampulheta era colocada em locais menos propensos a mudanças de temperatura.
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Porém havia outros factores que influenciavam a medição do tempo com o relógio de areia. Na realidade, os esquecimentos e os adiantamentos eram frequentes. Era comum que as pessoas encarregues de manusear a ampulheta se antecipassem, virando o relógio de areia antes desta estar toda do mesmo lado, ou que se esquecessem de o fazer.
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O autor do blogue, não sendo uma personagem 'pré-histórica' ou Matusalém, na época da sua vida académica 'enfrentou' estes aparelhos de medida do tempo em muitas provas orais de exames. Numa delas, já a areia estava toda há que tempos no fundo, e o Professor examinador entusiasmado, não parava de puxar por matérias que se encadeavam como cerejas! Tivesse falhado... no excesso de tempo, e as cerejas transformar-se-iam num "chumbo"... que nem 'ginjas'!


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Um belo relógio de bordo
da
Marinha




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Uma das razões que pressionou o Homem a continuar a procurar novas formas de medir o tempo, mesmo depois de inventar o relógio de sol, foi a necessidade de um objecto que contabilizasse o tempo com maior precisão e que pudesse ser transportado. O relógio de sol permitia a divisão do dia, mas à noite não funcionava.
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Quando inventaram a ampulheta, os marinheiros foram os mais beneficiados. Aliás, durante o século XIV foram os grandes impulsionadores desta forma de medir o tempo, utilizando-a mesmo para ajudar a calcular a latitude e a longitude. O principal obstáculo do relógio de areia nos barcos era a dificuldade que existia em manter o instrumento imóvel. Os balanços eram muitos e isso nem sempre era fácil.
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No século XVI os marinheiros não abdicavam do uso da ampulheta, apesar desta não ser cem por cento fiável. Era no seu funcionamento que baseavam as tarefas e para isso recorriam a um sino. Desta forma, o marinheiro encarregue de controlar a ampulheta tocava o sino para indicar, com precisão, as horas à restante tripulação.
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Poderíamos dizer que era a ampulheta, o relógio de areia, a dar horas!

sábado, 30 de outubro de 2010

« PORTUGAL VISTO PELO "PRAVDA" »

Antiga máquina de escrever portátil
com caracteres cirílicos
do
Jornal PRAVDA
(Verdade em russo)



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« PRAVDA »




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Amostra de um exemplar do Pravda



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.Artigo traduzido do Jornal russo Pravda [ Verdade ] sobre Portugal, da autoria do jornalista
Timothy Bancrof-Hinchey




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« Foram tomadas medidas draconianas em Portugal pelo Governo
liberal de José Sócrates, um caso de um outro governo de centro-direita
pedindo ao povo Português para fazer sacrifícios, um apelo repetido vezes
sem fim a esta nação trabalhadora, sofredora, historicamente deslizando cada
vez mais no atoleiro da miséria.

E não é por eles serem portugueses.

Vá ao Luxemburgo, que lidera todos os indicadores socio-económicos, e você
vai descobrir que doze por cento da população é portuguesa, o povo que
construiu um império que se estendia por quatro continentes e que controlava
o litoral desde Ceuta, na costa atlântica, tornando a costa africana até ao
Cabo da Boa Esperança, a costa oriental da África, no Oceano Índico, o Mar
Arábico, o Golfo da Pérsia, a costa ocidental da Índia e Sri Lanka. E foi o
primeiro povo europeu a chegar ao Japão….e Austrália.

O Primeiro Ministro José Sócrates lançou uma nova onda dos
seus pacotes de austeridade, corte de salários e aumento do IVA, mais
medidas cosméticas tomadas num clima de política de laboratório por
académicos arrogantes e altivos desprovidos de qualquer contacto com o mundo
real, um esteio na classe política elitista portuguesa no Partido social
democrata e Partido socialista, gangorras [armadilhas] de má gestão política
que têm assolado o país desde os anos 80.

O objectivo? Para reduzir o défice. Por quê?

Porque a União Europeia assim o diz. Mas é só a UE?

Não, não é. O maravilhoso sistema em que a União Europeia deixou-se ser
sugada, é aquele em que a agências de Ratings, Fitch, Moody's e Standard and
Poor's, baseadas nos Estados Unidos da América (onde havia de ser?) virtual
e fisicamente controlam as políticas fiscais, económicas e sociais dos
Estados-Membros da União Europeia através da atribuição das notações de
crédito.

Com amigos como estes organismos, e Bruxelas, quem precisa de inimigos?

Sejamos honestos. A União Europeia é o resultado de um pacto forjado por
uma França tremente e com medo, apavorada com a Alemanha depois que suas
tropas invadiram seu território três vezes em setenta anos, tomando Paris
com facilidade, não só uma vez mas duas vezes, e por uma astuta Alemanha
ansiosa para se reinventar após os anos de pesadelo de Hitler. França tem a
agricultura, a Alemanha ficou com os mercados para sua indústria.

E Portugal? Olhem para as marcas de automóveis novos conduzidos por
motoristas particulares para transportar exércitos de "assessores" (estes
parecem ser imunes a cortes de gastos) e adivinhem de qual país eles vêem ?
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Não, eles não são Peugeot e Citroen ou Renault. Eles são Mercedes e BMWs.
Topo-de-gama, é claro.

Os sucessivos governos formados pelos dois principais partidos, PSD
(Partido Social Democrata, direita) e PS (Socialista, de centro), têm
sistematicamente jogado os interesses de Portugal e dos portugueses pelo
esgoto abaixo, destruindo sua agricultura (agricultores portugueses são
pagos para não produzir) e sua indústria (desapareceu) e sua pesca
(arrastões espanhóis em águas lusas), a troco de quê?

O quê é que as contra-partidas renderam, a não ser a aniquilação total de
qualquer possibilidade de criar emprego e riqueza sem uma base sustentável?

Aníbal Cavaco Silva, agora Presidente, mas primeiro-ministro durante uma
década, entre 1985 e 1995, anos em que estavam despejando bilhões através
das suas mãos a partir dos fundos estruturais e do desenvolvimento da UE, é
um excelente exemplo de um dos "melhores" políticos de Portugal. Eleito
fundamentalmente porque ele é considerado "sério" e "honesto" (em terra de
cegos, quem tem olho é rei), como se isso fosse um motivo para eleger um líder
(que só em Portugal, é) e como se a maioria dos restantes políticos (PSD/PS)
fossem um bando de sanguessugas e parasitas inúteis (que são), ele é o pai
do défice público em Portugal e o campeão de gastos públicos.

A sua “política de betão” foi bem concebida, mas como sempre, mal planeada,
o resultado de uma inepta, descoordenada e, às vezes inexistente localização
no modelo governativo do departamento do Ordenamento do Território, vergado,
como habitualmente, a interesses investidos que sugam o país e seu povo.

Uma grande parte dos fundos da UE foi canalizada para a construção de
pontes e auto-estradas para abrir o país a Lisboa, facilitando o transporte
interno e fomentando a construção de parques industriais nas cidades do
interior para atrair a grande parte da população que assentava no litoral.

O resultado concreto, foi que as pessoas agora tinham os meios para fugirem
do interior e chegar ao litoral ainda mais rápido. Os parques industriais
nunca ficaram repletos e as indústrias que foram criadas, em muitos casos já
fecharam.

Uma grande percentagem do dinheiro dos contribuintes da UE vaporizou em
empresas e esquemas fantasmas. Foram comprados Ferraris. Foram encomendados
Lamborghini. Maserati. Foram organizadas caçadas de javali em Espanha. Foram
remodeladas casas particulares. O Governo e Aníbal Silva ficou a observar,
no seu primeiro mandato, enquanto o dinheiro foi desperdiçado. No seu
segundo mandato, Aníbal Silva ficou a observar os membros do seu governo a
perderem o controlo e a participarem.

Então, ele tentou desesperadamente distanciar-se do seu próprio partido
político. E ele é um dos melhores.

Depois de Aníbal Silva veio o bem-intencionado e humanitário, António
Guterres (PS), um excelente Alto Comissário para os Refugiados e um
candidato perfeito para Secretário-Geral da ONU, mas um buraco negro em
termos de (má) gestão financeira. Ele foi seguido pelo diplomata excelente,
mas abominável primeiro-ministro José Barroso (PSD)
(agora Presidente da Comissão da EU, “Eu vou ser primeiro-ministro,
só que não sei quando”) que criou mais problemas com seu discurso
que ele resolveu,
passou a batata quente para Pedro Lopes (PSD),
que não tinha
qualquer hipótese ou capacidade para governar e não
viu a armadilha, resultando em
dois mandatos de José Sócrates:
um Ministro do Ambiente competente,
que até formou um bom governo
de maioria e tentou corajosamente corrigir erros
anteriores. Mas foi
rapidamente asfixiado por interesses instalados.


Agora, as medidas de austeridade apresentadas por este primeiro-ministro,
são o resultado da sua própria inépcia para enfrentar esses interesses, no
período que antecedeu a última crise mundial do capitalismo (aquela em que
os líderes financeiros do mundo foram buscar três triliões de dólares de um
dia para o outro para salvar uma mão cheia de banqueiros irresponsáveis,
enquanto nada foi produzido para pagar pensões dignas, programas de saúde ou
projectos de educação).

E, assim como seus antecessores, José Sócrates, agora com minoria,
demonstra falta de inteligência emocional, permitindo que os seus ministros
pratiquem e implementem políticas de laboratório, que obviamente serão
contraproducentes.
.
Pravda.Ru entrevistou 100 funcionários, cujos salários
vão ser reduzidos. Aqui estão os resultados:

Eles vão cortar o meu salário em 5%, por isso vou trabalhar menos (94%) .

Eles vão cortar o meu salário em 5%, por isso vou fazer o meu melhor para me
aposentar cedo, mudar de emprego ou abandonar o país (5%)

Concordo com o sacrifício (1%). Um por cento!!

Quanto ao aumento dos impostos, a reacção imediata será que a economia
encolhe ainda mais enquanto as pessoas começam a fazer reduções simbólicas,
que multiplicado pela população de Portugal, 10 milhões, afectará a criação
de postos de trabalho, implicando a obrigatoriedade do Estado a intervir e
evidentemente enviará a economia para uma segunda (e no caso de Portugal,
contínua) recessão.

Não é preciso ser cientista de física quântica para perceber isso. O idiota
e avançado mental que sonhou com esses esquemas, tem resultados num pedaço
de papel, onde eles vão ficar. É verdade, as medidas são um sinal claro para
as agências de ratings que o Governo de Portugal está disposto a tomar
medidas fortes, mas à custa, como sempre, do povo português.

Quanto ao futuro, as pesquisas de opinião providenciam uma previsão de um
retorno para o PSD, enquanto os partidos de esquerda (Bloco de Esquerda e
Partido Comunista Português) não conseguem convencer o eleitorado de suas
ideias e propostas.

Só em Portugal, a classe elitista dos políticos PSD/PS seria capaz de punir
o povo por se atrever a ser independente. Essa classe, enviou os interesses
de Portugal no ralo [esgoto], pediu sacrifícios ao longo de décadas, não produziu
nada e continuou a massacrar o povo com mais castigos.
.
Esses traidores estão levando cada vez mais portugueses a
questionarem se deveriam ter sido
assimilados há séculos, pela Espanha!

Que convidativo, o ditado português “Quem não está bem, que se mude”. Certo,
bem longe de Portugal, como todos os que possam, estão fazendo.
.
Bons estudantes a jorrarem pelas fronteiras fora. Que comentário lamentável para
um país maravilhoso, um povo fantástico, e uma classe política abominável.»

Timothy Bancroft-Hinchey

Pravda.Ru




Imagens: Net
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